domingo, 31 de março de 2013

"Estou ganhando meu milhãozinho devagar", explica Gyselle

A atriz piauiense Gyselle Soares participou de entrevista especial ao programa Talentos exibido neste sábado (30). De volta ao Brasil, após dois trabalhos prolongados na França, Gyselle, desmentiu boatos de que foi contactada para voltar ao BBB, reality onde ficou conhecida nacionalmente e afirmou que tem conquistado seus sonhos com muito trabalho.

Fotos: Evelin Santos/ Cidadeverde.com

"Ganho meu milhãozinho devagar. Não sou matemática, não tenho pressa. Não me arrependo de ter passado por lá, foi experiente. Mas não está mais nos meus planos faz tempo, não voltaria", afirmou a atriz na entrevista.


Gyselle está no Piauí onde atua na Paixão de Cristo de Floriano, como  Maria Madalena. A atriz conta que sua carreira na Europa tem alavancado após o filme que participou onde interpretou uma dançarina. "Minha estrela brilhou muito. Eu fui convidada para fazer uma pela e agora recebi o convite de um grande diretor para viver uma boxeadora, estou na preparação", afirma Gyselle.


A atriz enfatiza que nunca deixou de morar no Brasil, apenas esteve fora por conta dos trabalhos prolongados. Quando questionada sobre como faz para manter contato com sua família, Gyselle não reluta em afirmar que recorre à todas as novas tecnologias como Whatts App, Viber e outros aplicativos. Segundo ela, todos os dias ela mantém contato com os parentes que moram em Timon.


Novo espetáculo

A atriz contou ao Cidadeverde.com que está empenhada na arrecadação de fundos para realizar o próprio espetáculo. Segundo a atriz, a peça será uma comédia e deve ter estreia em Teresina e depois em outros estados do Brasil.


Preconceito

Gyselle afirma que consegue driblar o preconceito que ainda sente pela sua participação em um reality com seu empenho no trabalho de atriz. " Não vou ser hipócrita, tem um pouquinho de preconceito, mas quando você mostra seu trabalho, as pessoas abrem as portas", explicou  a atriz.


Coração

A morena não foge as perguntas sobre relacionamento e garante que não está sozinha. " Não me bota em polêmica. Estou solteira sim, mas sozinha nunca", brinca Gyselle.
VEJA UM POUCO DE GYSELLE SOARES NO CINEMA:
 

Fonte: Cidade Verde
 

Quantos pés de maconha posso plantar sem ser considerado traficante?



Mudinha no quintal.
Vizinho, né? Correto.
Voc, ops, seu vizinho não pode ter nenhunzinho pé. Mesmo se o pezinho de cannabis for plantado em um vaso inofensivo para enfeitar a sala.
“Não existe quantidade para a Lei 11.343. Oferecer drogas, mesmo que gratuitamente, configura crime de tráfico. Mesmo que não envolva dinheiro. E o plantio é proibido no Brasil. Se é um pé ou 1 milhão, não importa. A maior quantidade é só um agravante”, explica o investigador de polícia do Denarc-SP Márcio Rodrigues.
Agora, ser considerado usuário ou traficante depende da interpretação do policial na hora do flagrante. Se houver plantio, mesmo que a pessoa não consuma e não trafique, configura crime enquadrado na Lei 11.343. Por qual artigo dessa lei a pessoa responderá e a qual pena ela será submetida depende de investigação posterior.
“Tem quem será considerado traficante com um pé e quem será considerado usuário com dois. Na hora do flagrante, o policial toma uma decisão. Se houver uma quantidade que ele julgue grande para a situação, irá considerar tráfico. Se não for, isso vai ter que ser provado depois”, esclarece o investigador de polícia do Denarc-SP Márcio Rodrigues.
Se o seu vizinho plantar e for considerado usuário (e não tiver antecedentes criminais), ele terá cometido um crime, mas não será preso. Pagará fiança, responderá o processo em liberdade e, quando condenado, pagará com prestação de serviços comunitários. Se ele for considerado traficante, a pena varia de 5 a 15 anos de prisão.
Sobre dar maconha (de novo) na capa, bem, quem sabe, né? Fique ligado

Fonte: Abril

sábado, 30 de março de 2013

Evangélica, Joelma compara gays a drogados: 'Sou contra. Tá na Bíblia'

Uso aquelas roupas curtas e rebolo, mas, quando falo de Deus, todo mundo entende' 


Misture uma voz potente a um bate-cabelo inconfundível: isso é Joelma, o furacão louro por trás da banda Calypso, formada há 14 anos com o marido, o guitarrista Chimbinha. Em 2013, os planos estão a toda: eles preparam um CD em espanhol, outro de música gospel, um DVD acústico e o longa ‘Isso é Calypso — o Filme’, com gravações em maio, no Pará e no Rio de Janeiro.
De segunda a quarta, ela diz que reserva os dias para malhar e rezar. Há quatro anos, converteu-se à religião evangélica, depois que sofreu uma estafa. “Maltratei meu organismo porque trabalhava todos os dias da semana e tive um piripaque, uma alergia crônica que quase me sufocou. Deus salvou minha vida”.
Ela afirma que as roupas e atitudes sexy não destoam da fé. “Uso aquelas roupas curtas e rebolo, mas, quando falo de Deus, todo mundo entende”. Indagada sobre a legião de fãs gays, sai do tom. “Tenho muitos fãs gays, mas a Bíblia diz que o casamento gay não é correto e sou contra”. Acrescenta que, se tivesse um filho nessa situação, “lutaria até a morte para fazer sua conversão”. “Já vi muitos se regenerarem. Conheço muitas mães que sofrem por terem filhos gays. É como um drogado tentando se recuperar”.
“Não sou uma mulher sexy e morro de rir desse título. Sou um moleque. Não consigo ser daquela maneira fora do palco. Usava bermudão para dormir, mas agora comprei uns pijaminhas”, conta. Casada com Chimbinha há 16 anos, Joelma conta que o a chama não se apagou: “O rala e rola melhorou bastante com o tempo. Quero ter um filho aos 45 anos. É uma promessa de Deus para mim”. Chimbinha também é evangélico? “É, mas não tão maluco quanto eu”.
Joelma aprovou a escolha de atriz Deborah Secco para interpretá-la no cinema. “Ela veio aqui em casa e trocamos figurinha. Ela terá que ter uma reserva de energia muito grande porque as coreografias pedem. Mas a Deborah já fez balé e sabe dançar. Quando cantou com Chimbinha, mostrou que é afinada”. Sobre o filme, conta que sua única exigência foi que a produção usasse nos personagens o sotaque do Pará. “Nada na minha vida eu fiz para ganhar dinheiro. Quero que Deborah passe a verdade e nada que vise o lado mais comercial”.
G. Hammer diz

Não é por agora ser evangélica que eu como critico de musicas de baixo nível como da Calypso vão diferenciar meu conceito que esta banda e este estilo é brega e anti cultural. É bom que vocês meus leitorores por expor conteúdo como este não entendam como não aprovação de suas palavras, pois a mesma foi uma pro liveladora da contra cultura e a favor do capitalismo comercial e erotico que  nada contruíu para uma sociedade mais justa, , responsavel e compreendida. Visto que suas letras e harmonias são para pessoas de pouco conhecimento cultural e uma aberração para quem gosta e quem tem conceitos de um verdadeiro valor de uma musica, um texto ou uma poesia. Achou ruim meu comentario? Foda-se!...aqui nem aquele velho e conhecido clip de agradecimento, tem para esta porcaria de banda que agora quer falar em nome de Jesus. Fala serio!
Fonte: Com informações Época
Edição: Gabriel Hammer

Câmara elimina limite para gasto médico de deputados

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O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), decidiu eliminar o limite de reembolso que existia para a assistência médica aos deputados federais.

A medida vai na contramão das promessas de economicidade feitas por Alves durante sua campanha à presidência da Casa.

Desde que assumiu, o presidente da Câmara anunciou um controle maior sobre as horas extras dos servidores e a limitação do pagamento do 14º e 15º aos parlamentares. Por outro lado, criou cargos e reajustou a verba dos deputados para gastos como compra de passagens aéreas.

Agora, Alves decidiu revogar a norma anterior que previa, exceto em caso de emergência e urgência, que deveria ser observado para procedimentos médicos o limite das tabelas de preço pagos pela Casa aos hospitais com quem tem convênio, como o Sírio Libanês, o Albert Einstein e o Incor.

A norma foi estabelecida no ano passado pelo então presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), com o "intuito de padronizar e dar maior precisão na definição dos procedimentos e tratamentos reembolsáveis".

No novo ato também não consta o limite para o pagamento de honorários médicos que na regra anterior previa um desembolso de até sete vezes o valor definido pela tabela da Associação Médica Brasileira.

O ato não prevê o impacto da nova medida, mas dados do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira) mostram que os custos com assistência médica e odontológica passaram de R$ 10,3 milhões em 2011 para R$ 13 milhões em 2012.

Henrique Eduardo Alves determinou ainda a retroatividade dos efeitos da nova norma.

JUSTIFICATIVA

O presidente da Câmara alegou que operacionalmente seria impossível verificar os limites de cada procedimento médico.

O ato que assinou diz que está ocorrendo um "represamento dos processos, dada a dificultosa operação de cotejar a despesa objeto de reembolso, item a item de sua formação, com os milhares de itens das várias tabelas de contratos da Câmara com instituições de saúde privada".

Para Alves, "seria necessário significativo aporte de recursos humanos, além de desenvolvimento de sistema de informática para viabilizar algo que teria um fluxo demorado e por vezes incerto".

De acordo com o texto do ato, um novo regramento prevendo o limite de gasto deverá ser elaborado posteriormente pela área técnica da Casa. Não há, entretanto, data definida para composição do colegiado nem para apresentação do novo texto.

Também houve alteração no artigo que trata do reembolso odontológico. O valor fixado tinha com base um quadro de "Valores Referenciais para Procedimentos Odontológicos". Agora, o preço da tabela poderá ser multiplicado por dois.

Os deputados também estão isentos de, no ato de pedido de reembolso, apresentarem exames inerentes ao tratamento proposto. 

Fonte: Folha de São Paulo

ABSURDO: Prefeituras realizam licitação em pleno feriado

ATÉ A PREFEITURA DE TERESINA ABRIU PROCESSO: Veja cidades que fizeram o mesmo 

Em Avelino Lopes, a prefeitura realizou licitação hoje no valor de R$ 9 mil para aquisição de combustíveis e lubrificantes. Em Ribeira, a licitação de R$ 200 mil foi feita para construção de unidade básica de saúde. Como se trabalha nestes municípios.
Os abusos não param por aqui. A prefeitura de Acauã realizou licitação na quinta-feira da Semana Santa no valor de R$ 350 mil com objetivo de adquirir combustíveis para atender a frota de veículos a serviço da municipalidade.
Também na quinta-feira santa a prefeitura de Passagem Franca do Piauí licitou valores de R$ 448,4 mil para “contratar serviços comuns no âmbito das secretarias municipais em diversas funções.” O que isso quer dizer mesmo?!!
Tem mais. Em Boa Hora, a prefeitura realizou na quinta-feira santa licitação de R$ 300 mil para a contratação de serviços de transporte escolar fretado para atender a municipalidade.
Em Palmeira do Piauí, na mesma data o executivo municipal realizou procedimento. O valor foi de R$ 650 mil. O objetivo foi a locação de mão de obra temporária.
Em Ribeira do Piauí, foram aplicados R$ 200 mil para aquisição de medicamentos para atender a Secretaria Municipal de Saúde e postos do município. Licitados na quinta-feira da Semana Santa.
O Hospital Areolino de Abreu, em Teresina, fez licitação no valor de R$ 40 mil na mesma data. Com o propósito de contratar empresa especializada em manutenção de aparelhos de ar condicionado.
Tudo indica que se trata de licitação combinada. O que vai acontecer com estes dirigentes municipais? Nada. Eles serão notificados pelo TCE/PI e devem mudar a data de realização dos certames. A combinação, se existe, continua.
O 180graus se coloca a disposição das citadas prefeituras para qualquer esclarecimento. O telefone da Redação é o (86) 9984-2767. O email: redacao@180graus.com.

Fonte: 180 Graus

sexta-feira, 29 de março de 2013

Papa Francisco preside sua primeira Sexta-Feira Santa

As celebrações de Páscoa neste ano devem contar com uma presença de fiéis maior do que a habitual - devido à curiosidade despertada pelo novo pontífice

Papa Francisco preside missa papal para a celebração da Paixão do Senhor no interior da Basílica de São Pedro, no Vaticano

Papa Francisco preside missa papal para a celebração da Paixão do Senhor no interior da Basílica de São Pedro, no Vaticano - Filippe Monteforte/AFP
O papa Francisco preside sua primeira Sexta-Feira Santa como sumo pontífice da Igreja católica, a começar pela recitação da Paixão de Cristo - as últimas horas da vida de Jesus - na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Mais tarde, ele realizará a Via Sacra no Coliseu romano, simbolizando Jesus ao carregar uma cruz de madeira antes de sua crucificação. As celebrações de Páscoa deste ano devem contar com uma presença de fiéis maior do que a habitual, devido à curiosidade despertada pelo novo sumo pontífice.
Acredita-se que a mensagem de Francisco se centrará na defesa da vida, ameaçada por guerras, intolerância, opressão e também, segundo a Igreja, por leis que não defendem o direito dos cristãos - a favor do aborto e da eutanásia, por exemplo. No fim do ano passado, Bento XVI destacou os dramas vividos no Oriente Médio, como a guerra na Síria, as disputas entre muçulmanos e cristãos, o crescimento do Islã radical e a fuga de muitos cristãos da região diante da perseguição que sofrem, especialmente no Egito.
Telefonema - O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, informou que o papa Francisco e o papa emérito Bento XVI tiveram após a Missa Crismal da Quinta-Feira Santa, na basílica de São Pedro, uma "longa e intensa" conversa por telefone. Segundo Lombardia, a conversa - a terceira dos dois por telefone - mostra a “união” entre o atual pontífice e seu antecessor.

Francisco e Bento XVI, de 85 anos, se reuniram no último dia 23 em Castel Gandolfo, onde vive o papa emérito, conversaram a sós durante 45 minutos e almoçaram juntos. Essa foi a única vez que eles se encontraram pessoalmente desde que o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, foi eleito papa, no último dia 13.

O atual papa também ligou para Bento XVI logo após ser eleito sumo pontífice pelos cardeais no conclave e também no último dia 19, na festa de São José, que inaugurou oficialmente seu papado. Bento XVI, cujo nome de batismo é José (Joseph Ratzinger), está em Castel Gandolfo à espera do fim das obras de preparação do mosteiro onde viverá daqui para frente.
Leia também: Por que Francisco será diferente dos outros papas

Terra Santa - A procissão da Sexta-Feira Santa pela Via Dolorosa de Jerusalém foi palco de um momento de tensão entre cristãos palestinos e policiais israelenses, com direito a troca de socos e empurrões a poucos metros do Santo Sepulcro. O confronto ocorreu perto da entrada principal da basílica, na região da Nona Estação, onde Jesus caiu com a cruz pela terceira vez.

Um grupo de palestinos ligado ao Patriarcado Latino de Jerusalém e que participava dos atos de procissão aguardava sua vez de entrar no santuário diante de dez policiais israelenses que formavam um cordão que regulava a entrada de peregrinos. Após muitos minutos de espera, os ânimos se exaltaram entre os fiéis, muitos deles jovens, que começaram distúrbios.

A procissão desta sexta é considerada a mais importante da semana pascal na Terra Santa. Ao longo do dia há outros ritos que marcam a Sexta-Feira Santa como a abertura do Santo Sepulcro, quando o patriarca latino oficia uma missa em lembrança da Paixão de Cristo, ou uma procissão funeral liderada pelo custódio no fim da tarde.
Missão - Na quinta-feira, o sumo pontífice rezou a Missa Crismal diante de 1.600 religiosos, para os quais ressaltou a missão dos sacerdotes em favor dos pobres e excluídos e disse que os padres não podem se acomodar com a posição de “gestores” da Igreja. A missa deu início aos quatro dias de celebrações da Páscoa. Suas palavras se encaixam em seu posicionamento de tornar a Igreja mais humilde adotado no início de seu papado.

Francisco também fugiu da tradição quando realizou a cerimônia do lava-pés. A repetição do gesto de lavar e beijar os pés dos apóstolos por Jesus na véspera de sua morte costumava ser sempre feita em uma das basílicas de Roma. O novo pontífice, no entanto, resolveu realizá-la no centro de detenção Casal del Marmo, próximo à capital italiana. Além disso, incluiu duas meninas entre os 12 menores infratores participantes da cerimônia, uma delas muçulmana.

Primeiro jesuíta que chega ao trono de Pedro, Francisco ainda deixou claro que deseja realizar algumas mudanças na estrutura da instituição milenar, cuja imagem foi manchada nos últimos anos por lutas internas de poder, abusos sexuais de menores por sacerdotes ou pela atividade econômica nebulosa do banco do Vaticano. No entanto, os analistas preveem que não será fácil alcançar seus objetivos, devido à resistência dos que preferem manter o status quo.

Fontes: Com agências France-Presse e EFE e Veja

5 pessoas que fazem sua parte para mudar a história


Pois bem, após nove meses na guerra por pautas surpreendentes, é hora de desbravar outras áreas. Como quando comecei, quebrei a cabeça pensando no que escrever para encerrar esta fase como blogueiro da SUPER. Decidi não falar de passado, mas do que virá. Selecionei cinco pessoas com lições para melhorar o mundo. Gente que vale a pena conhecer. Antes da lista, porém, aos leitores que acompanharam, enviaram críticas, sugestões e elogios durante esse período, muitíssimo obrigado. Que os caras abaixo possam inspirá-los em suas buscas.
5. A ativista Israa Abdel Fattah
Reprodução
Usando mídias digitais, a blogueira egípcia se tornou uma das representantes mais importantes na recente transição do Egito rumo à democracia. Foi ela que fundou o Movimento 6 de abril, que teve um papel central durante a Primavera Árabe.

4. A médica Sima Samar
Reprodução
Presidente da Comissão Independente Afegã de Direitos Humanos, Sima Samar é uma médica afegã que se dedica à defesa e à investigação dos direitos humanos no Afeganistão, além de ocupar posto central na Delegacia Especial das Nações Unidas que se dedica à situação dos direitos humanos no Sudão. Sempre figura entre os principais concorrentes ao Nobel da Paz.

3. O músico Daniel Barenboim
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Pianista e médico argentino, fundou, juntamente com Edward Said, a West-Eastern Divan, orquestra que busca promover o diálogo entre judeus e não judeus do Oriente Médio. Usa a música para estabelecer o diálogo.

2. O professor Gene Sharp
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O professor, que também já foi favorito ao Nobel da Paz, é um ativista estadunidense que luta pela revolução utilizando a não-violência.

1. A estudante Isadora Faber
Reprodução
Para fechar a lista, uma brasileira, jovem e que, para melhorar o planeta, luta para modificar a própria escola. Isabela criou uma página no Facebook em que denuncia as irregularidades da escola e mostra o cotidiano da sala de aula. Se nessa escola alguém precisava dar o primeiro passo, ela deu…

E você teria coragem de mudar alguma coisa para mudar a historia 

Com informações da Abril

Cada deputado deve custar R$ 142 mil por mês; Veja a lista de seus bens

Eles têm até 25 funcionários, um gabinete, apartamento funcional com telefone liberado.


Salário de quase R$ 30 mil por mês. Ajuda de custo para mudar para Brasília. Verba de aproximadamente R$ 30 mil mensais para pagar alimentação, pesquisas, aluguéis, combustível, consultoria. Até 25 funcionários, um gabinete, apartamento funcional com telefone liberado. Tudo isso e muito mais são os direitos e benefícios que cada um dos 513 deputados federais no Brasil tem à sua disposição para desempenhar suas atividades, como apresentar projetos, relatar outras propostas, votar, aprovar, rejeitar, fiscalizar o governo, apoiar o governo, representar a sociedade, ou a parte dela que o elegeu.
Como mostrou ontem (25) o Congresso em Foco, um deputado e seu gabinete custavam R$ 122 mil por mês até o início de 2011, quando o salário tinha acabado de subir para R$ 26.723,13. Mas, agora, com medidas tomadas no final da gestão de Marco Maia (PT-RS) e outras em curso na administração de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), um gabinete deve custar R$ 142 mil por mês.
O salário dos deputados deve subir para R$ 28 mil por mês, graças à PEC da Bondade, negociada pelos parlamentares com o aval de Henrique Eduardo Alves. O “cotão”, a verba multiuso que paga da refeição à passagem de avião, vai passar de R$ 29 mil por mês em média, para R$ 33 mil.
E o auxílio-moradia vai de R$ 3 mil para R$ 3,8 mil por mês. Quem não recebe o benefício geralmente mora em um dos 432 apartamentos funcionais que ficam na Asa Sul e na Asa Norte, áreas nobres de Brasília. O presidente da Câmara tem direito a residência oficial no Lago Sul. Com os aumentos em curso, a conta final para o contribuinte será de quase R$ 1 bilhão por ano.
Os gabinetes funcionam nos anexos III e IV da Câmara. Os primeiros têm 33,7 metros quadrados, mas não dispõem de banheiro privativo. Pela falta de conforto, os deputados apelidaram o edifício de “Carandiru”. O anexo IV é aquele prédio amarelo de dez andares, ao qual se tem acesso pelo subterrâneo por meio de uma esteira rolante. Lá tem restaurante na cobertura e vários elevadores. Os gabinetes têm banheiro próprio e possuem de 39 a 40 metros quadrados.
Carro oficial não é como no Senado, onde cada um dos 81 parlamentares daquela Casa tem direito a um. Na Câmara, só 11 deputados têm esse benefício: o presidente, os outros seis membros da Mesa, como vice-presidente e secretários, o ouvidor-geral, o procurador parlamentar, a procuradora da mulher e o presidente do Conselho de Ética.

Fonte: Portal 180 Graus

Coreia do Norte aumenta ameaças e prepara mísseis para o ataque

Pyongyang deu um ultimato após Washington realizar manobras militares na vizinha Coreia do Sul

Fronteira da Coreia do Sul com a Coreia do Norte: clima de tensão (Foto: Agência EFE) 

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, aumentou ainda mais nesta sexta-feira (28/03) suas ameaças ao ordenar que os mísseis do país estejam preparados para atacar a "qualquer momento" os Estados Unidos e a Coreia do Sul. "Chegou o momento de acertar contas", informou hoje o regime norte-coreano através de um comunicado divulgado pela agência de notícias do país comunista.
O ultimato dado por Pyongyang responde ao anúncio de Washington de realizar, ontem, manobras militares na vizinha Coreia do Sul com duas unidades de bombardeiros B-2 Spirit, um avião de última tecnologia capaz de romper as defesas antiaéreas e lançar bombas convencionais e nucleares.
A demonstração de poder bélico dos EUA motivou uma reunião de urgência, durante a madrugada, do estado maior do exército norte-coreano. O encontro foi presidido pelo jovem Kim, um líder imprevisível à frente de um país com capacidade nuclear.
Após a reunião, o regime considerou a ação dos EUA como uma "violação à sua soberania" e uma "perigosa provocação", e Kim assinou a ordem para preparar "mísseis estratégicos dispostos para atacar a qualquer momento o território americano" e seus alvos militares no Pacífico e na Coreia do Sul.
Neste sentido, Kim exigiu que o exército esteja preparado para "reagir perante a chantagem nuclear dos EUA com uma ataque atômico sem piedade e uma guerra sem quartel". "A grande decisão tomada pelo Marechal", no meio da grave situação na península coreana, "à beira de uma guerra nuclear", marcará um "ponto de inflexão" e porá um fim ao histórico confronto com os EUA, concluiu o escritório do regime.
Em apoio a suas palavras, milhares de norte-coreanos uniformizados responderam ao apelo de seu líder lotando a imensa praça Kim Il-sung, que leva o nome do fundador do país.
Após o anúncio norte-coreano, Seul detectou movimentos de tropas e veículos nas bases militares de mísseis do regime, incluindo a de Tongchang-ri, no noroeste do país e que serviu para o último lançamento de um foguete de longo alcance norte-coreano, segundo fontes militares consultadas pela agência "Yonhap".
Além de movimentos por terra, o exército sul-coreano detectou hoje um caça norte-coreano Mig-21 sobrevoando a delicada região fronteiriça entre os dois países.
Segundo analistas, o aumento de sua habitual retórica belicista e suas ameaças pode se dever a uma estratégia com a qual tenta retomar a negociação com o exterior - em um momento em que seu isolamento aumenta -, além de ser uma tentativa de reafirmar o controle interno do país.
Este nível de "intimidação" de Pyongyang, que segundo especialistas apresenta um cenário complicado de prever, gerou também uma reação do Departamento de Defesa dos EUA, que pediu que a escalada da tensão seja "levada a sério".
"As ações provocativas e o tom beligerante aumentaram o perigo", anunciou o secretário de Defesa, Chuck Hagel, que negou que a atuação dos bombardeiros B-2 seja hostil e defendeu a decisão, anunciada neste mês, de aumentar as defesas antimísseis na região devido à ameaça norte-coreana.
As novas ameaças ocorrem depois que, nesta mesma semana, a Coreia do Norte anunciou a suspensão da única linha de comunicação que tinha com a Coreia do Sul, antes de ordenar a suas unidades a entrar em "posição de combate", máximo grau de alerta militar no país comunista.
A tensão na península disparou de maneira incomum no último dia 7, quando o Conselho de Segurança da ONU anunciou novas sanções ao regime após seu terceiro teste nuclear, realizado em fevereiro. A China apoiou a penalização contra a Coreia do Norte, da qual é a principal aliada, o que segundo muitos analistas políticos aprofundou o isolamento do regime. 

Fonte: Época

Em livro, Casagrande relata luta para se livrar das drogas

A partir da próxima segunda-feira será possível conhecer detalhes da luta enfrentada pelo ex-jogador e atual comentarista da TV Globo Walter Casagrande. O dia marca o lançamento do livro “Casagrande e Seus Demônios” (Globo Livros; 248 páginas), escrito pelo jornalista Gilvan Ribeiro, editor de esportes do jornal Diário de S. Paulo.

Na obra, Casão, como é chamado pelos amigos, conta o calvário que sofreu com as drogas, histórias do seu tratamento e a sua recuperação, que segue até hoje com a ajuda de psicólogos.
Na edição deste final de semana, a revista Veja traz trechos inéditos do livro. No quinto capítulo da obra há detalhes sobre o período em que Casagrande permaneceu internado. Durante sete meses, ele ficou sem ter nenhum contato com amigos e familiares.

TRECHO DO LIVRO “CASAGRANDE E SEUS DEMÔNIOS”

  • “Passaram-se sete, quase oito meses, para que Walter ganhasse sinal verde para receber visitas. Durante esse período, ele passava por tratamento e os familiares também. Precisaram ser preparados para lidar com aquela situação complexa. Dona Zilda sofria profundamente. Afinal, ela e Victor Hugo haviam dado o aval para a internação involuntária do filho.
    “A minha maior angústia era não ter ideia de como ele iria reagir quando se encontrasse na clínica e soubesse que eu havia assinado documento para a internação”, afirma dona Zilda. “Ficamos sete meses sem poder falar com ele. Nós só o observávamos por um vidro, pela janela de uma sala, mas ele não nos via, nem sabia que estávamos lá. Era uma aflição.”
    Todos precisaram de muita paciência. Além da distância da família, Walter sofria com a privação de contato feminino. “Fiquei um ano sem sexo e, pior, sem carinho ou qualquer tipo de amor. Não se pode nem encostar em uma mulher.” A clínica comportava 32 pacientes, homens em sua maioria. “Havia poucas mulheres lá dentro e, ainda assim, eu as olhava só como outras pessoas doentes, como eu.”
    Não havia espaço, ali, sequer para amizades. Os internos são monitorados o tempo todo, para evitar a formação de grupos ou panelinhas. Por isso foi um alívio quando as visitas começaram a ser permitidas. Ainda que os encontros fossem breves, sempre com a mediação de um terapeuta, já eram uma referência afetiva, e traziam com eles um pouco de sua história. “Foi muito emocionante meu primeiro contato com o Victor, o Leonardo e o Symon. Eu já havia entendido que meus filhos tinham feito o que era melhor para mim. A minha relação com eles, hoje, é ótima.” 

    Fonte: Uol

quarta-feira, 27 de março de 2013

RUA DO CENTRO CONTINUA SENDO DEPÓSITO DE LIXO E DOENÇAS



Mesmo com as constantes campanhas em todos os meios de comunicação feita em prol do meio ambiente e de uma melhor qualidade de vida para todos. A cidade de Teresina continua sendo anarquizada por pessoas  que nos envergonham e teimam em depositar verdadeiros entulhos de forma desumana e anti ecológico.  Pelo menos é o que conseguimos constatar nos últimos tempos e principalmente nos últimos dois dias que se passaram. Foi quando a pedido de moradores estivemos na rua Benjamim Batista nas proximidades da Eletrobrás e flagramos um verdadeiro desrespeito a cidade, ao meio ambiente  e a população que vive ao redor do já citado local.

Durante nossa visita tivemos a presença de carroceiro que quando viram a nossa presença saiu em retirada sem despejar o lixo no local. Mas através de conversas informais, alguns confessaram que quem manda depositar o lixo naquele local é a SDU Centro Sul. Gerenciado por "Edson Melo" onde entramos em contato mas o mesmo não nos atendeu. Quem se identificou foi uma pessoa de nome Santana que passou a informação de que quem resolveria e seria responsável por determinado fato seria seu "Paulo Ricardo" da GSU ( Gerencia de Serviços Urbanos). Na ocasião tentamos falar com este senhor Paulo mas quem nos atendeu foi "Renato Lopes" que nos garantiu que seria resolvido em no máximo 24 horas e que os carroceiros não tem permissão para depositar lixo na rua Benjamim Batista, como em nenhum local urbano, como é o caso.


No fundo um carroceiro foge ao peceber nossa presença

Sabemos também que emissoras de TVs são concessões públicas e tem por obrigação atender as necessidades da comunidade por se tratar de empresas de cunho público. Só que na pratica só visam sangue, dinheiro e palhaçada. Esse ponto de vista deste mero blogueiro não condiz com o verdadeiro papel da imprensa. Fica aqui meu sincero repúdio a todas emissoras conectadas que não deram a devida importância ao pedido da população que agora pede ao já infelizmente desgastado prefeito Firmino Filho que tome as devidas providências e se for o caso que afaste os envolvidos no caso. Pois tudo que esse pessoal fizerem contra a cidade, atinge em cheio a sua imagem.

AGORA VEJAM AS FOTOS TIRADAS PELA NOSSA EQUIPE: 


"Os mais diversos tipos de lixo são jogados no meio da rua"








"Aqui esta arvore esta ameaçada por conta das constantes queimadas protagonizada por moradores que

inconformados com tanto fedor e insetos nas imediações "


" Neste local deveria escorrer as águas dos esgotos e das chuvas,  mas terminam empossadas por conta do lixo, contribuindo com a ploriferação de doenças."









 Como se percebe aqui é um local bem habitado.

Foram contactadas as TVs: Cidade Verde, Antena 10, Clube e Meio Norte. Nenhuma foi ao local ou se prontificaram em marcar uma visita ao local.


Por: G. Hammer







Renasce a Líbia antiga

Por décadas, os líbios viveram sob um ditador que desvirtuou seu passado. Agora precisam imaginar um futuro 

NG - Leptis Magna, uma das mais bem preservadas cidades romanas antigas A figura de bronze da nêmesis de Muammar Kadafi jaz de costas em um caixote de madeira, amortalhada na escuridão de um depósito de museu. Seu nome era Septímio Severo. Assim como Kadafi, sua terra natal era a atual Líbia, e por 18 anos, na virada do século 2 para o 3, governou o Império Romano. Severo nasceu na cidade comercial de Leptis Magna, 130 quilômetros a leste de Oea, hoje Trípoli, e que se tornou uma segunda Roma em tudo que é significativo. Mais de 1 700 anos depois da morte do imperador, os colonizadores italianos da Líbia homenagearam-no com uma estátua: um líder barbudo empunhando uma tocha na mão direita. Instalaram a estátua na praça principal de Trípoli (hoje praça dos Mártires) em 1933. Ali ela permaneceu por meio século, até que outro governante líbio se melindrou.
“A estátua tornou-se porta-voz da oposição, pois era a única coisa que Kadafi não podia punir”, diz Hafed Walda, que nasceu na Líbia e é professor de arqueologia no King’s College de Londres. “Todo dia as pessoas perguntavam: 
‘O que diz Septímio Severo hoje?’ A figura passou a incomodar o regime. Por isso, Kadafi baniu-a para um monte de lixo. O povo de Leptis Magna resgatou-a e trouxe-a de volta para casa.” É onde a encontro, repousada em uma caixa de madeira em meio a ferramentas de jardinagem e caixilhos de janela descartados. Parece aguardar o incerto destino reservado a ela na nova Líbia.
Kadafi tinha razão ao ver a estátua como uma ameaça. Septímio Severo impunha-se como um desejoso lembrete do que a Líbia foi um dia: uma região do Mediterrâneo, com imensa riqueza cultural e econômica, nem um pouco isolada do mundo além-mar. Espraiada por 1 800 quilômetros de litoral, escorada em planaltos que desembocam em vales semiáridos e, por fim, no vácuo acobreado do deserto, a Líbia foi por muito tempo corredor para o comércio, a arte e uma irreprimível aspiração social. Não por acaso, a região denominada Tripolitânia, com suas três cidades, Leptis Magna, Sabratah e Oea, fornecia trigo e azeitona aos antigos romanos.
Mas Kadafi tratou de dilapidar as vantagens do país: a localização, logo ao sul da Itália e da Grécia, que fez da Líbia uma das portas da África para a Europa; a população administrável (menos de 7 milhões em um território seis vezes maior que o da Itália); e as vastas reservas de petróleo. Ele sufocou a inovação e a liberdade de expressão. Para as crianças, que na escola decoravam a tortuosa filosofia de Kadafi inscrita em seu Livro Verde, a história do país consistia em dois capítulos: os dias negros sob as botas imperialistas e os dias gloriosos do Líder Irmão.
Agora o ditador e sua versão deturpada da Líbia estão mortos, e o país enfrenta as dores espasmódicas da reinvenção. Como diz Walda, 
“a jornada da descoberta apenas começou. Em muitos aspectos, este momento é mais perigoso que a guerra”. As prisões temporárias estão abarrotadas de milhares de partidários de Kadafi, que aguardam seu destino enquanto leis e procedimentos judiciais são reformados. Milícias controlam trechos inteiros do país. Armas são menos visíveis que na época da guerra, mas isso só significa que as centenas de milhares de pessoas que as possuem aprenderam a mantê-las fora da vista. As estradas em áreas rurais permanecem sem policiamento (exceto pelas barreiras controladas pelos thuwwar, ou ex-rebeldes). Multidões de imigrantes afluem para a Líbia pelas fronteiras oeste e sul. Importantes auxiliares de Kadafi, assim como sua esposa e alguns de seus filhos, continuam à solta. Vários dos novos ministros já repetem os erros do passado ao aceitar subornos.


NG - Banco  de Comércio e Desenvolvimento  de Az Zawiyah, Líbia

 
Fios pendem do que resta do Banco de Comércio e Desenvolvimento de Az Zawiyah, destruído por foguetes durante as batalhas entre os legalistas de Kadafi e milícias em março de 2011. A cidade de 200 mil habitantes foi devastada, mas sua refinaria de petróleo, que abastece Trípoli e outras partes do oeste da Líbia, poupada - Foto: George Steinmetz
O ataque terrorista de 3 setembro de 2012 ao consulado americano em Benghazi deixou 
a inconfundível impressão de um país na corda bamba. Mas, apesar de seus apuros, a Líbia não está à beira da anarquia. O Congresso Nacional Geral, eleito de maneira democrática, encomendou uma nova Constituição. Trípoli está calma o bastante. Em seu centro nervoso, a praça dos Mártires, que, durante a revolução, era uma selva de tiros, duas motos barulhentas serpenteiam em volta de carrosséis recém-instalados. O centro da cidade fervilha de gente laboriosa.
No extremo sul da praça, ambulantes vendem muitas das novas publicações nascidas no começo da revolução. A leste, dezenas de líbios reúnem-se no pátio de um animado café sob uma torre de relógio da Era Otomana, em bate-papos regados a expressos e croissants. Flâmulas e grafites retratam a bandeira vermelha, preta e verde da Líbia, proibida por Kadafi durante 42 anos devido à associação com o deposto rei Idris. Eles, hoje, adornam todas as construções 
à vista. Outdoors e cartazes mostram imagens de muitos rebeldes líbios mortos, com inscrições 
do tipo “Morremos por uma Líbia livre – por favor, mantenham-na livre!” ou “Recolham todas as armas!” Nas ruas, os passantes saúdam em inglês: “Bem-vindo à nova Líbia!”
Nesse turbilhão de incertezas, debate-se um país possuído por uma ânsia quase adolescente de reentrar no mundo livre. Salaheddin Sury, um octogenário professor do Centro dos Arquivos Nacionais e Estudos Históricos, comenta: “Quando obtivemos a independência em 1951, foi algo praticamente dado de graça, um presente. Desta vez, os jovens pagaram por ela com sangue. Naquela época, eu não ligava para o hino nacional. Agora, pela primeira vez”, declara ele, com um sorriso de orgulho, “decorei a letra”.
Agitar a bandeira, contudo, não é nenhum atalho de verdade, mas apenas uma miragem na árdua estrada da redescoberta de uma identidade. Como Sury reconhece, a reconstrução da Líbia “começa do zero”. O violento ataque terrorista de setembro passado lançou uma sombra sobre as tentativas do país para aumentar 
a estabilidade e reconstruir seu governo. Ainda é cedo para dizer se os 30 mil líbios que protestaram contra as milícias dez dias depois são melhores prognosticadores do futuro do país. 
A Líbia ainda não se livrou totalmente da cegueira engendrada pela mão pesada de seu ex-ditador. Como a estátua na caixa de madeira, o país aguarda seu futuro sob uma luz implacável.
Assim que A REVOLUÇÃO CHEGOU ao núcleo comercial de Misratah em fevereiro de 2011, Omar Albera reuniu a família e avisou: “Vou tirar a farda e combater Kadafi”. “Você é policial de Kadafi”, exclamou a esposa, atônita diante da atitude do marido. “Os outros vão desconfiar. E se a revolução fracassar?”
Seu filho mais novo também se atemorizou. Só o primogênito do coronel de polícia elogiou sua decisão – e depois lutou ao lado do pai, para morrer em batalha, aos 23 anos. Os jovens rebeldes que Albera ajudou a comandar eram inexperientes em guerra. Sem armas no início, atacaram com pedras e coquetéis-molotovs. Assim que os rebeldes começaram a recolher as armas de fogo dos soldados mortos, o coronel de polícia ensinou alguns a atirar. Entre eles havia até mesmo criminosos presos por Albera no passado. Esses eram mais ferozes, e o coronel gostou de tê-los em suas fileiras. Eles, por sua vez, passaram a vê-lo como um companheiro.



Foto: George Steinmetz
NG - Líbios visitam um teatro romano, um dos maiores da África, em Sabratah

Líbios visitam um teatro romano, um dos maiores da África, em Sabratah 


Depois que Misratah, enfim, rechaçou um encarniçado cerco de três meses por parte das tropas de Kadafi – uma batalha de Leningrado em pequena escala que se revelaria decisiva para a revolução no país, embora a um custo terrível à terceira maior cidade líbia –, Albera tornou a vestir a farda que havia usado por 34 anos do regime do falecido ditador. Hoje é chefe da polícia de Misratah. Seu objetivo é apresentar ao povo de sua cidade um conceito diferente de trabalho policial: quem usa farda não é ladrão nem bandido, mas protetor, e os meninos devem ansiar por usar essa farda um dia – considerá-la um emblema de dignidade, não de criminalidade. O novo chefe, diga-se, não é nenhum idealista deslumbrado. Tem 58 anos e a serenidade melancólica de um homem mais velho. Não possui a ilusão de que a credibilidade pode ser conquistada sem esforço, do dia para a noite, quando, historicamente, nada menos do que três quartos dos policiais da Líbia são corruptos.
Para complicar ainda mais os problemas do chefe de polícia, ele não é, em última análise, a principal autoridade da lei em Misratah. “Os thuwwar são o verdadeiro poder na cidade”, admite. O equipamento do departamento de polícia foi destruído durante a guerra; agora quem possui as armas são os jovens que ajudou a treinar para lutar na revolução. “Embora sejam corajosos, não foram treinados para liderar”, explica. “Muitos são honestos. Alguns, influenciáveis. Isso gera uma situação delicada.”
Os Davi que derrubaram Golias com atiradeiras agora governam o reino, e não estão dispostos a devolvê-lo a nenhum novo gigante. Tampouco pretendem entregar todo o arsenal conquistado. Além disso, perdoar e esquecer não estão em seus planos. Partidários de Kadafi continuam por perto. Alguns são seus vizinhos. No caso de Misratah, o vizinho é Tawurgha, uma cidade operária, a apenas 40 quilômetros de distância, de onde forças militares do governo lançaram um furioso ataque contra Misratah.
O que alicerçava a visão kadafiana da Líbia era um populismo belicoso, destinado a tolher todos os centros urbanos que ameaçavam a base de poder do ditador. Com isso em vista, ele presenteava a população de Tawurgha – quase toda de descendentes de africanos ou subsaarianos de pele escura – com empregos e moradias, em troca de lealdade cega. Essa estratégia de dividir para conquistar acabava por lançar as cidades 
e os grupos étnicos e tribais uns contra os outros por toda a Líbia. Depois, a revolução transformou essas divisões em linhas de batalha.
De repente, cidades líbias como Riqdalin e Al Jumayl se tornaram bases de legalistas que atacaram sua irmã maior, Zuwarah. A cidade de Az Zintan foi sitiada pela vizinha, Al Awaniya, da tribo Mashashiya. Uma milícia tuaregue apoiada por Kadafi suprimiu um levante rebelde em Ghadames. Voluntários de Tawurgha juntaram-se aos soldados de Kadafi, invadiram Misratah, mataram seus vizinhos e, em alguns casos, estupraram suas mulheres.


NG - Fatima Shetwan,  de 5 anos, enrolada na bandeira da Líbia independente, participa de uma reunião na escola em Misratah
 
Fatima Shetwan, de 5 anos, enrolada na bandeira da Líbia independente, participa de uma reunião na escola em Misratah. Muitas crianças ficaram órfãs no levante contra Kadafi - Foto: George Steinmetz
A notícia de ataques a mulheres encolerizou o povo de Misratah. Simpatizantes de Tawurgha acusam os oponentes do mesmo crime, sempre com tremendos exageros (foram 50 estupros?, 400?, 1 080?, 8 600?). Na verdade, não houve estupro; as hostilidades contra os tawurghanos têm motivação racial. Um fato, porém, é incontestável: Tawurgha agora é uma cidade fantasma. Os atacantes de Misratah evacuaram o local 
à força e derrubaram a maioria das construções. Quase todos os 30 mil tawurghanos hoje vivem em campos de desalojados, a maioria deles em Benghazi e Trípoli. Quando obtenho autorização para visitar a carcaça crivada de balas que outrora foi Tawurgha, vejo apenas ruas vazias, exceto por cápsulas de bala, umas roupas esfarrapadas 
e um gato famélico. As estradas para lá são guardadas por milicianos de Misratah. Ninguém pode voltar para Tawurgha.
Com forte obstinação, o povo de Misratah recusa-se a fazer a paz. Como me diz em voz alta e trêmula um destacado comerciante local, Mabrouk Misurati: “Não dá para aceitar que voltem a viver conosco aqueles que estupraram 
e mataram nossas irmãs! Isso não é fácil! Reconciliação é o que pedimos ao novo governo: levar 
à Justiça os que cometeram esses crimes. Aí vamos conversar sobre deixar que voltem”.
Essa sede de vingança preocupa o novo chefe de polícia de Misratah. “Não podemos pôr no mesmo saco todos os habitantes de Tawurgha”, diz Albera. “Não podemos aplicar punições em massa como fazia Kadafi. Temos de seguir a lei. É o que estamos tentando fazer na nova Líbia.”
Por ora, as conquistas vêm uma a uma. O chefe conseguiu formar um conselho de segurança com os milicianos mais sensatos, e os persuadiu a fazer um inventário de suas armas. “Precisamos ter outra vez tudo sob controle”, diz ele. Muita gente está sendo baleada. Alguns por acidente, como dois cavaleiros mortos por tiros comemorativos em uma festa de casamento. Outros, em vinganças machistas. Há muitos carros a rodar sem placa de licença. Criminosos libertados durante o caos da revolução permanecem nas ruas. Acontece, diz o chefe de polícia, que esses homens lutaram com bravura ao lado dele. O que fazer com pessoas assim?
Também há jovens usuários de drogas. Isso, pelo menos, ele consegue entender. “Considerando tudo o que têm passado, muitos precisam de tratamento psicológico imediato”, diz o chefe. “Para ser franco, talvez todos nós precisemos. Meu filho de 17 anos, por exemplo, viu o irmão mais velho cair morto a seu lado.”

OS FANTASMAS do passado grandioso da Líbia continuam bem visíveis graças ao clima seco, à raridade de aglomerados urbanos, às crenças tribais contra mexer em ruínas dos mortos e à abundância de areia, que é um ótimo preservativo. Na costa ocidental está Leptis Magna, um dos mais espetaculares sítios arqueológicos romanos do mundo, com seu Arco do Triunfo, seu vasto Fórum e suas ruas acolunadas que evocam um apogeu de dinamismo urbano. Seu esplendor fica ainda mais evidente se imaginarmos o mármore que foi depois levado pelos franceses para ser usado em Versalhes 
e se pudéssemos ver as monumentais esculturas imperiais – de Cláudio, Germânico, Adriano, Marco Aurélio – que adornavam a cidade e hoje residem no museu de Trípoli.
Mais a oeste está o antigo centro mercantil costeiro de Sabratah, dominado por um majestoso teatro de arenito, construído em fins do século 2. Logo atrás das colunas coríntias que dominam o palco elevado do teatro, tremula a cortina do oceano. Vendo Sabratah como uma primorosa representação do poder romano, Mussolini ordenou a restauração completa do teatro, que estivera em ruínas desde o terremoto de 365. “Il Duce” compareceu à reinauguração em 1937 para assistir à encenação de Édipo Rei. Dizem que os soldados italianos mandaram a plateia aplaudir com tanto vigor que mãos sangraram.
A leste situa-se o mais duradouro rival arqueológico dos sítios romanos: o baluarte grego de Cyrene, um celeiro crucial onde as ruínas de um anfiteatro e um robusto templo de Zeus de 
2 500 anos sugerem uma era de fecundidade e riqueza. Após séculos de domínio estrangeiro, tribos beduínas invadiram a Líbia no século 7. Com elas veio o Islamismo, uma cultura espiritual que sobreviveu a todas as forças externas subsequentes: otomanos, ocupantes italianos, militares britânicos e americanos, companhias petrolíferas estrangeiras e uma monarquia apoiada pelo Ocidente. Depois que os militares derrubaram, em 1969, o rei Idris, Kadafi tratou logo de reescrever a história líbia. Desprezou os berberes, ou os amazighs, o povo natural do norte da África, e apontou os árabes como os verdadeiros líbios. Com isso, empurrou a si mesmo, filho de um nômade beduíno árabe, para o centro da identidade líbia.
Os antigos sítios gregos e romanos da Líbia não significavam nada para ele, que associava as ruínas aos ocupantes italianos. Enquanto 
a arqueologia de Leptis Magna, Sabratah e Cyrene era deixada quase sem cuidados, o museu de Trípoli organizava exposições dedicadas ao Líder Irmão que incluíam seu jipe e seu Fusca.
Famoso por dormir em uma tenda mesmo em visitas de Estado a Paris e outras capitais europeias, Kadafi preconizava uma versão ultrapassada da ética beduína, diz Mohammed Jerary, diretor dos Arquivos Nacionais da Líbia. “Como ele era beduíno, queria enfatizar a supremacia dos valores de sua gente sobre aqueles estabelecidos: a tenda conquistando o palácio. Queria que esquecêssemos as cidades organizadas e as coisas requintadas – até a cultura e a economia. Mas os próprios beduínos não permaneciam mais primitivos. Aprenderam que não era certo invadir um lugar cada vez que acabava a comida de seus camelos. Aprenderam a confiar em sistemas e no governo. Kadafi insistia em destacar apenas os maus valores da vida beduína.”
Seu governo era um caos orquestrado. “Não havia rotina. As coisas podiam mudar em um minuto, desestabilizando tudo”, conta Hafed Walda. “De repente, você não pode possuir uma segunda casa. Não pode viajar ao exterior. Não pode jogar em time esportivo. Não pode estudar língua estrangeira.” Muitos dos mais eminentes pensadores do país foram trancafiados na temida prisão de Abu Salim, onde 1 200 pessoas foram massacradas por seus carcereiros, em 1996. Clérigos muçulmanos acabaram detidos pelo delito de parecer mais leais ao Islã que a seu líder. Partidários de Kadafi pertencentes aos comitês revolucionários vigiavam as salas de aula e os locais de trabalho. A folha de pagamento do governo inchou, com milhares de funcionários ganhando salário de subsistência para não fazer nada. Aduladores eram recompensados com uma vida de luxo enquanto os mais brandos críticos do regime eram, como dizem de forma lírica alguns líbios, “levados para trás do sol”.


NG - Prisioneiros pró-Kadafi fumam cigarros enquanto suas roupas lavadas secam no corredor de uma cadeia em Misratah

 
Prisioneiros pró-Kadafi fumam cigarros enquanto suas roupas lavadas secam no corredor de uma cadeia em Misratah, administrada pelo conselho militar local. Com 800 presos, a superpopulação é um problema. As engrenagens da Justiça passaram a girar mais devagar à medida que o país tenta se reconstruir - Foto: George Steinmetz
Nem a geografia da Líbia foi poupada. “Ele recuou o mar de Trípoli, encheu o solo de areia e plantou palmeiras para mostrar que a Líbia tinha virado a cara para o Mediterrâneo”, diz Mustafá Turjman, especialista arqueológico do Departamento de Antiguidades desde 1979. “Kadafi era o deus da feiura!”
Em um isolado aceno prático ao mundo exterior, em 2004 Kadafi concluiu uma nova linha vital de comunicações: um duto marítimo para levar gás natural à Sicília. E só. Todas as outras ligações o deus da feiura cortou.
LOGO QUE OS PRIMEIROS BALEADOS foram levados à sala de emergência do hospital 
Al Jala de Benghazi na tarde de 17 de fevereiro de 2011, a cirurgiã começou a gritar instruções. De repente, ela parou. Seu ex-marido sempre dizia: “Maryam, a mulher não deve decidir. Deixe que o homem dê sua opinião primeiro”. Ele estava certo?
Mas civis vinham sendo alvejados nas ruas de Benghazi pelos soldados do governo. Os homens de Kadafi tinham ordenado ao diretor do hospital que não tratasse dos rebeldes. Quando 
o diretor desobedeceu à ordem, sicários do governo começaram a percorrer o hospital, anotando o nome dos médicos que prosseguiam em seu trabalho. Mas Maryam Eshtiwy, de 34 anos, não tirou o jaleco nem foi para casa. Não antes do terceiro dia e, mesmo assim, só para amamentar sua filha de 6 meses, que estava aos cuidados dos avós. Depois disso, a cirurgiã voltou para as centenas de jovens feridos que ocupavam cada centímetro disponível do hospital.
Em apenas um dia, a ordem social que determinava que as mulheres líbias deviam se submeter aos homens sofrera um abalo tectônico. Será mesmo? A Líbia há muito tempo é um país islâmico moderado. Kadafi incentivara a participação feminina na educação e no trabalho. Mas ainda não se sabe se um país que almeja retomar o contato com os vizinhos europeus do outro lado do Mediterrâneo respeitará outros direitos das mulheres – ou se desperdiçará os talentos de metade da população.
É bem possível que os anos de combate às arraigadas tradições árabes tenham ajudado a doutora Maryam nos sangrentos primeiros dias da revolução líbia.
“Sejamos honestos. 
Eu trabalho em um meio masculino”, assume ela. Os pais desejavam para a filha uma pacata vida de farmacêutica ou oftalmologista. O cirurgião-
chefe – homem, é claro – tratava-a com severidade. Ela não podia deixar de notar que, durante as rondas, os homens nunca eram criticados, mas toda vez em que ela lhe expunha um caso, ele discutia cada detalhe, como se quisesse induzi-la a ir embora, a desistir. Maryam logo adiantou que não tinha essa intenção.
Também deixou bem claro antes do casamento para seu ex-marido, que era químico: “Sou uma cirurgiã, trabalho no hospital e vou dirigir meu próprio carro”. Ele declarou que não se importava. O casamento fora mais ou menos arranjado: 
a irmã dele os apresentara, namoraram dois meses, noivaram e, por fim, casaram-se em uma cerimônia de três dias e 700 convidados, culminando em votos diante de um público feminino enquanto todos os homens, exceto o noivo, matavam o tempo do lado de fora do salão.
ra lavar sua alma? Agora se espera que as crianças de Misratah, antes ensinadas a recitar o Livro Verde na escola, se esqueçam por completo do autor, do homem que matou seus pais e suas irmãs e foi morto na revolução. “Todo o período de Kadafi foi apagado dos livros escolares”, explica um professor local. “Não dizemos o nome dele. Ele foi enterrado.” 

A atitude dele para com a profissão da mulher pareceu mudar em um piscar de olhos. “Você vai me desculpar, mas nenhum homem gosta que sua mulher seja melhor que ele”, diz Maryam. Um dia o marido telefonou e disse que iria se divorciar dela. Pela lei islâmica, a mulher não tinha como recorrer. Nem mesmo uma grávida de três meses, como ela na época. Quando a guerra eclodiu quase um ano depois, alguns de seus parentes e amigos aconselharam: “Volte para ele. Talvez tenha aprendido a lição. Se você for morta no hospital, sua filha não terá mãe”.
Os rebeldes feridos, por sua vez, não sentiram nenhuma aversão por uma mulher cirurgiã. 
Alguns pareciam até preferir seu jeito carinhoso, sua disponibilidade emocional. Agora, no Hospital Al Jala, muitos maridos se dizem aliviados porque ela, e não um homem, examina suas mulheres. Maryam sente uma segurança relativa em seu lugar. Menciona outras mulheres de Benghazi, professoras, advogadas, juízas, engenheiras, políticas, e diz: “As mulheres líbias são muito fortes, muito inteligentes. Estamos nos virando sozinhas, sem nenhuma ajuda externa”.
Bem que ela gostaria de poder dizer o mesmo de seu país em geral. “Estou preocupada com tudo”, confessa. Prefere ver a Líbia unificada, mas outros em sua cidade, pensando na influência menor do leste na época de Kadafi – apesar de ser essa a região que gera o grosso das receitas do petróleo –, reivindicam, na nova Líbia, maior autonomia às áreas a sul e leste de Trípoli. A mídia e as ruas andam acesas com uma retórica inflamável: “É uma guerra; agora uma guerra de palavras”, diz Maryam. Ela não sabe no que ou em quem acreditar. Seu horror com a morte do embaixador americano Christopher Stevens em sua cidade só se equipara com sua indignação com as acusações de que a brigada Ansar al-Sharia, que guarda o hospital, teria sido a responsável. “São pessoas pacíficas e respeitáveis”, garante ela. “Isso não passa de boato, espalhado por forasteiros, tentando destruir as relações que acabamos de reatar com os Estados Unidos.”
Maryam continua a ser uma muçulmana devota, que apoia os casamentos arranjados e nunca saiu de Benghazi. No entanto, seu mundo engaiolado, mas previsível, mergulhou em um tumulto. “O quadro está distorcido para mim”, diz.
Ela acredita que há margem para a esperança. Sua experiência no hospital durante a revolução – todos trabalhando em equipe, 24 horas por dia, tratando de rebeldes e partidários de Kadafi, sem discriminação, enquanto seus concidadãos traziam comida e cobertores ao pessoal médico – ensinou-lhe algumas coisas a respeito dos líbios. “Na época de Kadafi, pensávamos que éramos um povo ruim, que ninguém poderia gostar de nós”, conta. “Hoje vemos a beleza de nosso país.”
Mas Maryam também percebe um dilacerante estresse pós-traumático em toda a cidade. Inclusive nela própria. Existem vídeos de atos heroicos de seu hospital. Ela não consegue assistir. “Nem pensar.” Nem o noticiário ela consegue ver. 
“É deprimente”, desabafa. “Às vezes, me pego pensando: por que tanta gente morreu? Tivemos de pagar com seu sangue por todo esse caos?”


Em uma sexta-feira de lazer, jovens refrescam-se na orla de Trípoli


Em uma sexta-feira de lazer, jovens refrescam-se na orla de Trípoli. Com a retomada da vida normal, os líbios anseiam para que hotéis, como o Marriott (o verde, à esquerda), reabram e deem impulso à incipiente economia do turismo - Foto: George Steinmetz
O pior é que há mais sangue. Muito. Antes da revolução, o hospital Al Jala atendia talvez 
a três ou quatro pessoas baleadas por ano. Agora, com armas de fogo espalhadas por toda a Líbia, Maryam atende também a três ou quatro por dia. Pelo menos há uma diferença. “Ganhamos tremenda experiência em casos assim”, suspira.
Sempre que penso no futuro da Líbia, um país nas agruras da adolescência, minha mente retorna ao homem de 61 anos que conheci em um dos velhos souks (mercados) de Benghazi. Chama-se Mustafá Gargoum, e vive da venda de fotos antigas da cidade. Desde 1996, seu ponto é em uma esquina a poucas centenas de metros da costa do Mediterrâneo, onde pescava quando menino. A improvisada exposição desse colecionador foi a primeira de sua espécie em Benghazi, talvez em toda a Líbia. Durante a ditadura, pequenas multidões sempre o rodeavam para avaliar as imagens de um passado proibido: mulas carregadas com jarros de óleo de oliva por becos, a luminosa praça Hadada da Era Otomana, hoje tomada por vendedores ambulantes de joias, o italianizado prédio do Parlamento, destruído por ordem de Kadafi e agora um estacionamento. Velhos acocoravam-se diante das fotografias de Gargoum e as fitavam por longo tempo. Seus olhos falavam o que a boca não podia dizer. 
Algumas incluíam imagens proibidas, como a antiga bandeira líbia, que é a bandeira da nova Líbia.
A galeria a céu aberto de Gargoum incluía ainda cartazes, onde ele escrevia frases provocativas como: “Quem sacrifica a liberdade pela segurança não merece nenhuma delas”, “Mentes livres da América e da Europa, vocês sempre nos decepcionam”, “O povo líbio é mais importante”. Como seria de esperar, essas reflexões dissidentes atraíram hostilidades contra Gargoum. Todo mês de setembro, coincidindo com o aniversário da ascensão ao poder do Líder Irmão, agentes do Ministério do Interior levavam Gargoum a uma delegacia de polícia e o forçavam a pernoitar ali. “Sabemos o que está tentando fazer”, diziam. Mas sempre o soltavam depois. Ele continuou a exibir suas imagens e mensagens. As fotos que colecionava de inimigos declarados de Kadafi, porém, ficavam escondidas na casa dele, onde escrevia nas paredes os sentimentos que não ousava expor nas ruas de Benghazi, lamentos como: “O teto do regime é baixo demais para eu ficar em pé!”
Quando os primeiros protestos pacíficos começaram, em meados de fevereiro, Gargoum fechou sua galeria e se juntou aos manifestantes, mas logo se recolheu em casa. Oito meses depois, no dia em que Kadafi foi morto, ele voltou ao souk com suas fotos. Não apenas as imagens de costume mas também as de artistas, intelectuais e soldados que, no passado, tinham desafiado o ditador e sido executados. Incluía-se nesse acervo ampliado uma pintura que Gargoum fizera em 1996, o primeiro ano em que ele oferecera suas fotos e frases astuciosas ao apreensivo público de Benghazi. A pintura consistia em uma figura monumental engolfada na escuridão – de costas, com uma tocha erguida na mão. Embora a intenção de Gargoum fosse a de fazer um 
autorretrato, sem perceber ele tinha reproduzido a estátua exilada do imperador Septímio Severo.
Naquele novo dia de liberdade, Gargoum instalou a pintura em um cavalete e pegou o pincel. Com pinceladas caprichosas, acrescentou uma multidão de figuras diáfanas ao fundo. Meneou a cabeça, satisfeito diante do produto final: um retrato de uma nação inacabada, seu povo reunido na noite após a revolução, momentaneamente cego pela luz da tocha, à espera de uma nova visão capaz de transpor as trevas. 

Fonte: National  Geografhic



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