segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Projeto chinês propõe ônibus que anda por cima dos carros

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Um ônibus suspenso que anda por cima dos carros. Já imaginou? Uma equipe de pesquisadores chineses colocou a ideia no papel e defende que o projeto pode ser parte da solução para o trânsito terrível das grandes cidades.
Quando parado, o Land Airbus, como é chamado, não interrompe o trânsito, pois a parte inferior funciona como um túnel, “vazada”, em formato de arco – o que os inventores chamaram de design oco. O veículo ocupa duas pistas e permite que carros de até dois metros de altura passem por baixo.

Cada “vagão” comporta até 300 pessoas. Os passageiros entram no ônibus via elevador lateral e também são previstas estações fixas de parada. Movido por painéis solares e eletricidade, o veículo chega a 60 km/h. Há ainda um sistema que freia o veículo automaticamente em caso de emergência (se houver um acidente à frente, por exemplo).

Os criadores dizem que o ônibus suspenso pode diminuir em 30% o trânsito nas ruas e avenidas. Outra vantagem destacada é que a construção da estrutura para suportar esse tipo de transporte levaria três vezes menos tempo que a construção de metrôs, com custo 10% menor.
O projeto é apresentado como “o futuro das cidades”. Você acha que a solução parece viável? Veja o vídeo do projeto e entenda melhor o funcionamento do ônibus:

Fonte: Abril

domingo, 29 de setembro de 2013

Forte ventania provoca desabamento de muro no centro de Teresina

Um forte vento fez o muro de um depósito desabar na tarde deste domingo (29). De acordo com o garçom Allan Lewis Gomes da Rocha, 21 anos, ninguém estava no local.


O garçom passava pela Rua Quintino Bocaiúva, nas proximidades da avenida Campos Sales, centro de Teresina, quando presenciou o desabamento. O muro do depósito veio abaixo.


Segundo a testemunha, trata-se de um depósito desativado de uma empresa de equipamentos e serviços de informática. 


Fonte: Cidade Verde

Cabral critica ocupação da Câmara Municipal do Rio por profissionais da educação

 
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), criticou neste domingo (29) a ocupação da Câmara Municipal por profissionais da educação. Os professores foram retirados à força, no fim da noite de sábado (28).
"Uma coisa é ter a participação da população, algo muito importante. Outra é a ocupação do plenário de um prédio público de uma maneira que não é aquela que deve ser feita por quem quer participar dos debates. A democracia estabelece ritos que devem ser respeitados. Eu, como ex-parlamentar, acho que a participação da população deve se dar sempre, mas dentro daquilo que se chama direitos e deveres. Acho que ocupar o plenário de uma casa legislativa não é a melhor maneira de acompanhar o debate", disse, durante inauguração da Cidade da Polícia, na zona norte do Rio.
Cabral disse que não poderia avaliar a ação da Polícia Militar na desocupação por não ter visto as imagens. Já o comandante-geral da PM do Rio, coronel Luís Castro Menezes, disse que não houve truculência por parte dos agentes.

Protesto em frente à Câmara do Rio

 
Ativista faz reparo em barraca montada na frente da escadaria do Palácio Pedro Ernesto, que abriga a Câmara do Rio
"A desocupação do plenário foi feita sem uso de gás de pimenta e balas de borracha. Usamos apenas gás do lado de fora, porque um grupo tentou dificultar a ação. Nós apenas atendemos uma solicitação da presidência da Casa", disse.
Os policiais foram ao local após a mesa diretora da Câmara enviar ofício ao comandante-geral da PM pedindo ajuda para desocupar o plenário.
De acordo com a assessoria da Câmara, a ordem judicial não seria necessária, pois a casa possui "auto-executoriedade e poder de polícia para assegurar, como determina a Constituição Federal, seu livre funcionamento".
Na ação de desocupação, quatro pessoas foram atendidas com ferimentos sem gravidade no hospital municipal Souza Aguiar, no centro do Rio. PM informou que três pessoas foram detidas, mas depois liberadas. 

Fonte: Folha de S. Paulo

Lei da Dengue entra em vigor em Teresina a partir deste domingo (29)

Imobiliárias terão que manter os imóveis fechados livres de criadouros. Havendo resistência, empresa administrativa poderá ser multada em R$ 500.

Cerca de 30 agêntes percorão a cidade (Foto: Assessoria Prefeitura/Divulgação)

A Fundação Municipal de Saúde será responsável pela fiscalização da Lei 4.432, batizada pela população de 'Lei da Dengue' que entra em vigor em Teresina a partir deste domingo(29). O texto da lei dispõe sobre responsabilidade das empresas administrativas de imóveis na prevenção e combate ao mosquito.
De acordo com a lei, os agentes de endemias e médicos veterinários, em suas ações de rotina, ao se depararem com um imóvel fechado com sinais de risco ou suspeita para focos de dengue farão a notificação às imobiliárias. Dessa forma a visita ao imóvel será realizada pela equipe da Zoonozes, que estabelecerá as medidas a serem tomadas.
Havendo resistência em abrir o imóvel ou fazer a limpeza recomendada em um prazo de 24h, até cinco dias utéis da notificação, a imobiliária será multada pela Vigilância Sanitária de Teresina em R$ 500 e o imóvel será lacrado até que as providências sejam sanadas. Além disso, o alvará de funcionamento será suspenso por tempo indeterminado. A multa poderá dobrar em caso de reincidência.
"Em casos em que a imobiliária ou vizinhos constatarem o foco do mosquito Aedes aegypti, os proprietários, locatários ou administradores de imóveis são obrigados a comunicar às autoridades competentes, a fim de que sejam adotadas as providências legais", explica a médica veterinária Oriana Bezerra, gerente de Zoonozes da FMS.
Por ser considerado um dos principais problemas de saúde pública no mundo, o presidente da Fundação Municipal de Saúde, Luiz Lobão, entende que a dengue merece ações de intervenção e de responsabilidade imediata da saúde e outras que transcendem o setor. "A lei é oportuna porque estamos intensificando nossas ações no tocante aos componentes do programa da dengue com o objetivo de reduzir o índice de infestação predial do Aedes aegypti, porque nossas maiores preocupações são a  incidência e letalidade provocada pelo mosquito", completa.

Fonte: G1/PI

Veneno da cascavel pode ser usado para combater câncer

Uma cascavel-de-quatro-ventas (C. durissus terrificus) em Nova Alvorada do Sul, Mato Grosso do Sul.

Crotoxina, substância responsável pela ação neurotóxica do veneno, é considerada uma potencial aliada na luta contra tumores e inflamações

Pisar em terreno pedregoso sem prestar atenção ao soar dos guizos é arriscar um encontro fatal com a famosa cascavel (Crotalus durissus). Se pegar de jeito, o bote da dita cuja começa por causar sensação de formigamento e dificuldade em manter os olhos abertos. Depois o quadro evolui para visão turva ou dupla, dores musculares generalizadas e escurecimento da urina, podendo chegar à morte por insuficiência respiratória, devido à paralisação dos músculos do tórax, e/ou insuficiência renal aguda. Assim nos informa o Hospital Vital Brazil, de São Paulo, referência no atendimento a acidentes com animais peçonhentos.
Mas bem ali vizinho ao hospital, o veneno da cascavel é considerado um potencial aliado na luta contra a progressão de tumores cancerígenos e contra inflamações agudas e crônicas. Quer dizer, o veneno todo não, mas uma substância equivalente a 60% do total, que é responsável por sua ação neurotóxica. O nome da substância é crotoxina, ou CTX para os íntimos, como os pesquisadores do Laboratório de Fisiopatologia do Instituto Butantan.

Em linhas gerais, a crotoxina age direto sobre o câncer e ainda estimula algumas células de defesa do organismo (macrófagos) a produzir uma quantidade maior de substâncias importantes no controle do crescimento de tumores (peróxido de hidrogênio e óxido nítrico). Ou, nas palavras da doutora em Farmacologia, Sandra Coccuzzo Sampaio Vessoni: “temos uma toxina com um potencial antitumoral, não apenas por agir diretamente sobre as células tumorais, mas também por induzir a resposta do sistema imune”.

Sandra coordena a pesquisa com o veneno da cascavel contra o câncer no Laboratório de Fisiopatologia. Outra pesquisa investiga a atividade da mesma crotoxina contra inflamações agudas, sob a batuta da pesquisadora especialistas em Hematologia, Coagulação e Inflamação, Maria Cristina Cirillo. E uma terceira pesquisa, sob responsabilidade do especialista em Toxinologia e Biologia Estrutural e Funcional, Luís Roberto de Camargo Gonçalves, avalia a ação inibitória da CTX em casos de inflamações crônicas, como as relacionadas a doenças igualmente crônicas (caso da tuberculose).
Os resultados ainda são preliminares. Ainda faltam diversos testes e várias etapas até chegar aos medicamentos de verdade. Porém, a boa promessa dos experimentos realizados com células (in vitro) já se repetiu nos primeiros estudos com ratos (in vivo). O que é um bom sinal, motivo para comemorações. “A CTX também é um modelo, uma ferramenta científica importante para entender como podemos interferir com processos fisiopatológicos e de que maneira modulá-los”, continua Sandra, ressalvando que a crotoxina é utilizada em concentrações extremamente baixas.

De acordo com a pesquisadora, “a CTX é uma molécula grande, portanto não é uma estrutura viável para síntese. Estamos verificando se existem partes menores nesta molécula que seriam responsáveis pelas ações caracterizadas”. Ou, em outras palavras, paralelamente aos estudos com as células e os modelos animais, avalia-se a possibilidade de quebrar a molécula e ainda assim obter a mesma ação. Isso poderia reduzir eventuais efeitos colaterais ou tóxicos (por ora não testados) e também viabilizar a fabricação da substância ativa em laboratório, sem depender da “ordenha” (digamos assim) de cascaveis vivas.
Essa equipe de referência do Butantan ainda inclui as pesquisadoras Yara Cury e Patricia Brigatte e envolve 5 alunos, além de colaboradores valiosos de outras instituições, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Os recursos são da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), relacionados ao programa Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Toxinologia (INCTTOX).

A união de tão bons esforços em torno dessa tal crotoxina pode demonstrar mais uma utilidade para o veneno das cascaveis, a par de seu efeito analgésico (Veja o post Cascavel na veia ou em cápsulas?). Não seria motivo, evidentemente, para os frequentadores dos caminhos das pedras deixarem de prestar atenção ao soar dos guizos. Mas talvez ajude a garantir um lugarzinho ao sol também para as mal-amadas serpentes peçonhentas. E sem pauladas na cabeça!

Fonte:  National Geografic

 

Reprodução 
Depois que um cinegrafista amador postou imagens de uma confusão entre os lutadores Wanderlei Silva e Chael Sonnen durante um evento de fisiculturismo em Las Vegas, nos EUA, foi a vez do brasileiro publicar um vídeo, produzido por sua equipe, com mais detalhes do bate-boca.
O novo vídeo mostra que foi Wanderlei quem provocou o bate-boca ao caminhar em direção a Sonnen, em uma tentativa de constranger e intimidar o rival. O brasileiro aparece no início das imagens mandando um recado ao americano.
"A sua hora vai chegar, eu vou te pegar", "você vai ter medo de mim", "homem que é homem fala na cara", foram algumas das frases ditas por Wanderlei.

No encontro mostrado no vídeo de Wanderlei, o brasileiro já chega gritando com Sonnen. "Presta atenção! Sua hora está chegando, filho da p...". O americano responde com um "desliga sua câmera" , os dois passam a discutir e são separados pelos membros das equipes.

Não é a primeira vez que o "Cachorro Louco" causa polêmica tendo sua equipe ao lado registrando o momento. Em 2010, Wanderlei Silva deu uma bronca em Sonnen enquanto os dois eram filmados dentro de um carro por causa de declarações dadas pelo americano na promoção da luta contra Anderson Silva. Sonnen é um conhecido falastrão e criticou muito o lutadores brasileiros, além do próprio Brasil. "Você tem que respeitar o que não conhece", disse Wanderlei no vídeo. Em agosto, o brasileiro ameaçou Sonnen em outro vídeo produzido pela equipe. "Eu vou meter porrada" foi apenas uma das frases ditas por Wanderlei.

Belfort elogia Jon Jones: 'já provou tudo'

  • Maurício Deho/UOL Esporte
    Apesar de ser um concorrente ao cinturão dos médios do UFC, Vitor Belfort tem muito a falar sobre o campeão da categoria meio-pesado, o norte-americano Jon Jones. Além de também ter detido o cinturão desta categoria no passado, ele encarou Jones em 2012 e soube o que é ter o astro frente a frente no octógono. O carioca analisou para o UOL Esporte o combate contra Alexander Gustafsson e deu seu veredito quanto ao resultado que causou polêmica após o UFC 165.

A rivalidade entre Wanderlei e Sonnen cresceu recentemente depois que o americano passou a provocar o brasileiro, chamando inclusive de inválido ao dizer que poderia derrota-lo no UFC. Wanderlei concordou com uma luta entre os dois, mas o combate ainda não tem previsão para acontecer. Sonnen já tem luta marcada contra Rashad Evans no UFC 167, evento que marcará os 20 anos da organização, no dia 16 de novembro, nos EUA.

Wanderlei Silva

Fonte: Uol

Novas fotos de Ísis Gomes nua para a 'Sexy' são divulgadas. Vai abalar!

Ex-peoa falou em entrevista sobre sexo dentro do reality e que já namorou um famoso

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Novas fotos da ex-peoa Ísis Gomes, 27, na revista "Sexy" foram divulgadas nesta segunda-feira (25/03).
Ísis fotografou na casa de shows Estância Alto da Serra, na cidade paulista de São Bernardo do Campo (SP). Para o ensaio, ela posou nua em cima de um boi da raça Nelore.
Em uma entrevista para a revista, Ísis contou que apesar das carícias no reality "A Fazenda", ela não chegou a transar com seu affair Thyago Gesta.
"A gente ficava na cama, mas não rolava nada, até por consideração aos outros participantes. Rolava um carinho, mas nada de mais. Outro problema é que você percebe as câmeras dando zoom em você. E, além disso, tem o microfone, que capta qualquer som, e não podemos tirar", afirmou.
Ela ainda disse que já se relacionou com um cantor famoso, mas não quis revelar o nome.
Nascida em Porto Alegre, a loira tem declarados 61 quilos distribuídos em 1,63 m.
Ela também foi candidata a Miss Bumbum 2012, representando o Estado do Rio Grande do Sul.

VEJA NOVAS FOTOS


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Fonte: Com informações da Folha de São Paulo

 

sábado, 28 de setembro de 2013

4 produtos que parecem armas químicas, mas não são

A notícia de que o governo da Síria teria utilizado armas químicas em ataques internos, causando a morte de mais de 1400 pessoas, dominou o noticiário no último mês. Como você deve ter visto, as acusações contra o regime do presidente Bashar al-Assad serviram, entre outras coisas, para reacender a discussão sobre o uso desse tipo de arma. Por isso, na edição de outubro da SUPER, você encontra um infográfico especial sobre as polêmicas da guerra química. Mas você vai notar que alguns produtos “famosos” ficaram de fora da matéria , como o napalm e o agente laranja. Por que isso aconteceu? Porque, apesar de conhecidos, eles não são considerados armas químicas. Na lista abaixo, você conhece 4 casos de agentes que parecem armas químicas, mas não são:
1. Napalm
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A fórmula mais usada leva benzeno e poliestireno e pode queimar por 10 minutos a quase 1200 °C, suficiente para derreter uma barra de ouro. Mas não é arma química porque é usado com gasolina para aumentar os efeitos de uma bomba ou lança-chamas. Ou seja, napalm é um turbo de arma de fogo. Na foto, uma cena emblemática: bombas de napalm americanas explodem nos campos do sul de Saigon durante a Guerra do Vietnã.
2. Toxinas
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Toxinas são materiais venenosos produzidos por plantas, animais ou microrganismos. A ricina, famosa na série Breaking Bad, é extraída da mamona e pode interromper a síntese de proteínas no corpo, o que causa a morte das células.
3. Agente Laranja
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Combinação de dois herbicidas que destrói matas fechadas. Também foi usada na Guerra do Vietnã, quando os EUA derramaram 80 milhões de litros em florestas para revelar guerrilheiros vietcongues escondidos. Isso causou doenças de pele, câncer e outros problemas em veteranos dos dois lados da guerra. O governo vietnamita aponta 4 milhões de vítimas não fatais infectadas pelo agente laranja na época do conflito e nas décadas seguintes.
4. Gás lacrimogêneo
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É um agente antimotim, usado para dispersar multidões. Feito com base em substâncias como o gás CS misturado com solventes. Em contato com os olhos, causa lacrimejamento e queimação. O produto que combate os sintomas virou símbolo das manifestações de junho: vinagre. A imagem acima mostra, porém, que o gás lacrimogêneo não é exclusividade da polícia brasileira: durante um protesto contra medidas econômicas do governo da Grécia, em 2011, um policial direcionou um jato de gás diretamente no rosto de um manifestante.
Imagens: GettyImages, Wikimedia Commons e Divulgação

Fonte: Revista Superinteressante

Piauí pode se tornar uma potência em produção de energia solar em leilão

Estado vai participar do 1º leilão de energia solar realizado no Brasil 

O Piauí, onde calor e sol é o que não falta, quase que o ano inteiro - pode se tornar a terceira potência mundial em energia solar. O estado vai participar do primeiro leilão de energia solar realizado no Brasil, marcado para o dia 18 de novembro, na sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em São Paulo, quando vai a leilão a proposta da empresa Vensolbras, que há três anos pesquisa a viabilidade da produção de energia solar em São João do Piauí.

O valor do investimento é da ordem de R$1 bilhão para a produção de 200 Megawatts de energia, conforme explicou o secretário de Mineração, Edson Ferreira, que esteve na Assembleia Legislativa nessa quinta-feira (26), para uma conversa preliminar com os deputados, antes da explanação que vai fazer em plenário sobre o andamento dos projetos do Piauí sobre a exploração de gás natural e a produção de energias alternativas.
”Estamos aqui para uma visita de cortesia aos deputados e para dar algumas informações sobre como vãos os projetos do Piauí para a exploração de gás, a produção de energia solar, enfim, são vários projetos que estão em andamento que podem mudar a realidade do Piauí", finaliza Edson Ferreira.

Fonte: Com informações da CCOM

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

STF decide por não criminalizar rádio comunitária de baixa potência


O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pelo não cabimento de processo criminal no caso de Josué da Silva Justino, autuado por operar sem autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) uma rádio de baixa potência (20 w) na comunidade de Santo Antônio do Matupi, no município de Manicoré, distante 332 km de Manaus(AM). O prazo para recursos terminou no dia 6 de setembro, sendo acatada a sentença. A decisão se deu por unanimidade e pode apontar no sentido da consolidação de uma jurisprudência favorável à discriminalização das rádios comunitárias.

O Ministério Público denunciou o caso com base no artigo 183 da lei 9.472/97, que trata dos serviços de telecomunicações. O texto prevê  pena de detenção de dois a quatro anos e multa de R$ 10 mil reais para quem “desenvolver clandestinamente atividades de telecomunicação”. Valeu, porém, no julgamento do caso o apelo ao princípio da insignificância, segundo o qual a Justiça não pode ser acionada em casos de menor gravidade, onde não há grande risco para a sociedade.

A decisão do tribunal considerou que “o transmissor utilizado pela emissora operava com potência de 20 watts e o funcionamento de tal transmissor não tinha aptidão para causar problemas ou interferências prejudiciais em serviços de emergência”. Entendeu-se também como “remota a possibilidade de que pudesse causar algum prejuízo para outros meios de comunicação”.

Em pelo menos outros dois casos, que também tiveram como relator o ministro Ricardo Lewandowsky, o STF decidiu pela improcedência do processo criminal devido ao princípio da insignificância. Em fevereiro deste ano, foi publicada a decisão de cassar a ação penal contra um diretor de rádio comunitária em Camaçari (BA), que operava com um transmissor de 32,5 watts. Em dezembro de 2010, aconteceu o mesmo com dois diretores de uma rádio gaúcha de 25 watts de potência que operava em Inhacorá (RS).

As decisões se aplicam a casos específicos e não há nenhuma declaração de inconstitucionalidade do artigo que prevê a instauração de processo criminal contra os comunicadores populares. Ainda assim, Arthur William, membro do conselho do Intervozes, considera que “na prática estamos vendo acontecer a discriminalização da rádio comunitária de baixa potência”. Segundo ele, espera-se que haja uma diminuição da perseguição às emissoras comunitárias.

Pedro Martins, da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc- Brasil), é otimista com a decisão em relação ao caso da rádio amazonense. Para ele, “abre-se um campo de discussão que pode fazer com que novas iniciativas surjam” e que vai “se criando uma jurisprudência que pode ser importante para outras rádios livres e comunitárias”. Segundo ele, o Brasil e a Guatemala são os únicos países que tratam como crime a radiodifusão de baixíssima potência e essa situação precisa ser modificada.

O defensor público Esdras Santos Carvalho, que tratou do caso da rádio amazonense, afirma que tipificar como crime a instalação de emissoras de baixa potência com finalidade comunitária  “seria desnecessário para atender o objetivo de controle” das telecomunicações que o Estado deve cumprir. A repressão excessiva, que leva ao acionamento da esfera criminal, acontece “por pressão do interesse de rádios regularmente constituídas e de interesse comercial”, acredita.

Embora no caso da rádio comunitária amazonense se tenha recusado a ação criminal, a rádio segue impedida de operar. A proibição, porém, é da competência específica da justiça administrativa e civil, não implicando nesse caso os desdobramentos de um processo que considera crime o descumprimento da norma. Propostas como a do deputado Assis Carvalho (PT/PI) de conceder anistia a quem opera em potência abaixo de 100 watts, têm sido rejeitadas no Congresso, sob a pressão do lobby da radiodifusão comercial. 

Fonte: direito a comunicação.

O livro de papel parece ter mais futuro hoje do que ontem

Com o surgimento dos livros digitais, as edições impressas pareciam condenadas à morte. Mas, após a explosão inicial, a venda de e-books começa a desacelerar 

Livraria El Ateneo

São Paulo - Em tese, a pequena livraria da americana Keebe Fitch, a McIntyre’s Books, em Pittsboro, na Carolina do Norte, já deveria ter fechado as portas. Keebe viu o avanço das grandes redes, como Barnes & Noble, nos anos 90. Testemunhou também a explosão das vendas pela internet, sobretudo o fenômeno varejista Amazon, nos anos 2000.

E, mais recentemente, foi a vez de os e-books mudarem novamente o mercado livreiro nos Estados Unidos. Mas a loja de Keebe, herdada de seus pais e há 25 anos no mercado, vai muito bem: a expectativa é faturar 10% mais em 2013. E a McIntyre’s Books é tudo, menos um caso isolado. 
As vendas das chamadas livrarias alternativas nos Estados Unidos aumentaram 8% em 2012. O número de lojas também voltou a crescer. “Oferecemos uma série de serviços que enriquecem a experiência do cliente na livraria. Caso contrário, ele compraria online”, diz Keebe.

Em seu cardápio estão encontros com escritores e discussões entre leitores com interesses comuns. O curioso é que, até há pouco tempo, a morte do livro em papel era dada como certa — e, consequentemente, das livrarias. Sim, vendem-se menos livros em papel hoje do que em 2007 nos Estados Unidos, ano do lançamento do Kindle, o leitor eletrônico da Amazon. O futuro, porém, não parece ser de uma onipresença eletrônica. 

Depois de um início espetacular, o crescimento da venda de e-books nos Estados Unidos, mercado considerado um laboratório das experiências digitais, perdeu fôlego. De acordo com a consultoria PricewaterhouseCoopers, as vendas de e-books devem crescer 36% em 2013, mas apenas 9% em 2017 — embora sobre uma base obviamente maior. “Não há mais fôlego para o e-book crescer como antes”, diz o consultor Mike Shatzkin, um dos maiores especialistas em mercado editorial digital. Não é que o consumidor vá perder o interesse, pelo contrário. 

No mundo, a venda de e-books deverá movimentar 23 bilhões de dólares em quatro anos. Ainda assim, de cada dez livros vendidos em 2017, apenas dois serão eletrônicos, segundo as previsões mais respeitadas.

Não faz muito tempo, acreditava-se que a indústria do livro sofreria o mesmo destino da indústria fonográfica. O surgimento do MP3 abalou o mercado de CDs e, consequentemente, as grandes lojas de discos. O mercado de livros, no entanto, tem se comportado de maneira diferente.

Quase metade dos livros é comercializada pela internet nos Estados Unidos. Mas apenas 23% dos americanos leem livros eletrônicos. Ou seja, a experiência da leitura digital não acompanhou na mesma velocidade o hábito de comprar livros pela internet. 

Um levantamento do instituto de pesquisas Pew Research com 3 000 leitores mostra que o livro digital leva vantagem frente ao papel em algumas situações. No caso de viagens, a maioria prefere os e-books. Quando se trata de leitura para crianças, 80% preferem as edições físicas.

Essas evidências frustraram quem contava com um futuro 100% digital. A rede de livrarias americana Barnes & Noble apostou suas fichas no Nook, leitor eletrônico lançado em 2011. A venda do aparelho e de títulos digitais, porém, tem sido uma decepção. As sucessivas quedas de venda custaram o emprego de William Lynch, que até julho presidia a empresa. Especula-se que a Microsoft esteja negociando a compra do Nook.

A previsão mais aceita atualmente é de que haverá uma convivência entre e-books e papel. “A participação do livro digital deve alcançar no máximo 40% do total de vendas”, diz Wayne White, vice-presidente da canadense Kobo, fabricante de leitores eletrônicos, com 14 milhões de usuários no mundo.
Hoje, nos Estados Unidos, a fatia dos e-books na receita do setor é de 22% — no Brasil, é de 1,6%. “O livro digital será parte do negócio, não todo ele”, diz Sergio Herz, dono da Livraria Cultura, na qual os e-books representam 3,7% das vendas. É provável que não tenhamos de explicar a nossos netos o que são livros de papel — nem o prazer que temos ao lê-los.

Fonte: Exame

Mostra retrata arte urbana e protestos em Porto Alegre

Exposição fica em cartaz até 24 de dezembro na Galeria Tina Zappoli 

Trabalho de Lorena Hollander está no mostra que acontece na Galeria Tina Zappoli<br /><b>Crédito: </b> Lorena Hollander / Divulgação / CP

Promover uma reflexão sobre a vida urbana, o cotidiano caótico, o espaço e as sensações efêmeras é a proposta da coletiva “Um Novo Horizonte”, com abertura nesta quinta-feira, às 19h, na Galeria Tina Zappoli (Paulino Teixeira, 35), em Porto Alegre. A seleção dos 15 artistas, realizada pelos galeristas Tina Zapolli e Marinho Neto, foi feita não por tema ou linguagem, mas, sim, pelo olhar contemporâneo sobre o fazer artístico. Cada um dos convidados expressa em suas diversas técnicas - que passam pela pintura, desenho e sobreposição de imagens - seu talento e visão singular do mundo.

As obras apresentam elementos nostálgicos, contemporâneos, perpassando por temas que refletem sobre a vida urbana e suas relações. São fotografias, pinturas e esculturas assinadas pelos paulistas Felipe Cretella, Antonio Hélio Cabral, Bettina Vaz Guimarães, Lorena Hollander; o carioca Marcus André; os catarinenses Juliana Hoffmann, Dirce Körbes e Rodrigo Cunha; o mineiro Valdelice Neves; e os gaúchos Marinho Neto, Roger Monteiro, Fernanda Chemalle, Fernanda Valadares, Itelvino Jahn e Jorge Leite.

Em uma Sala Especial, Roger Monteiro exibe a individual “Junho: Fragmentos de uma Revolução”, com 11 imagens em uma investigação sobre as manifestações sociais do mês de junho sob o olhar da Internet. O artista busca mostrar uma investigação visual, errática e telegráfica acerca de como a Internet exerceu um papel fundamental para a existência do levante e mobilização que chegou às ruas de Porto Alegre. Não apenas a aglutinação de pessoas, mas como elementos capaz de “hackear” as estruturas mentais viciadas, normalmente vinculadas aos movimentos sociais.

“Em seu auge, as manifestações corriam paralelas a qualquer tentativa de entendimento dos analistas, mas me parecia que essa dificuldade em rotular, em compartimentar, em encaixotar ideologicamente, política e socialmente toda aquela comoção não era compartilhada pelas pessoas que a estavam registrando”, argumenta Monteiro. Em seus registros, ele destaca a aproximação mais humana dos acontecimentos, em vez das tradicionais coberturas midiáticas, seja na imprensa tradicional e mesmo de algumas denominadas alternativas. Monteiro estudou Literatura e Filosofia, além de investigar o potencial da imagem, primeiramente no mundo da propaganda, como diretor de arte e, depois, como designer gráfico. Ele também atual como roteirista, sendo seu último filme “Kassandra”, indicado e premiado na mostra gaúcha do 41º Festival de Cinema de Gramado. Visitação até 24 de dezembro, de segundas a sextas, das 10h30min às 12h, e das 14h às 19h.


Fonte: Correio do Povo

Pernambuco leva 10 prêmios no Festival de Cinema de Brasília

Os longas Amor, plástico e barulho, O mestre e o divino e o curta Au revoir estão entre os vitoriosos
Cerimônia de premiação aconteceu na noite desta terça-feira. Créditos: Correio Braziliense 
Duas cantoras de brega do Recife deram um verdadeiro show no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. As personagens Jaqueline e Shelly, vocalistas da banda Amor com Veneno, emocionaram a plateia e o júri e renderam às atrizes Maeve Jinkings e Nash Laila, respectivamente, os Candangos de Melhor atriz e Melhor atriz coadjuvante em longa-metragem de ficção, pelo filme pernambucano Amor, plástico e barulho (de Renata Pinheiro), que ainda levou o prêmio de Melhor direção de arte, para Dani Vilela.

Confira a cobertura completa do Festival de Brasília
Ao subir ao palco para receber o troféu, na noite de ontem, Maeve Jinkings - paraense radicada em Pernambuco - comentou a importância do laboratório que fez com cantoras de brega do Recife, como Michelle Melo: “Personagens de filmes são um pretexto para criar pontes entre as pessoas”, comentou Maeve, que também está no elenco de O som ao redor, o indicado brasileiro para o Oscar 2014. "Renata Pinheiro, na sua boca, eu viro fruta", brincou Maeve, homenageando a diretora de Amor, plástico e barulho.

Maeve Jinkings levou o Candango de Melhor atriz por longa-metragem de ficção, ao viver uma cantora de brega no filme
Maeve Jinkings levou o Candango de Melhor atriz por longa-metragem de ficção, ao viver uma cantora de brega no filme "Amor, plástico e barulho". Crédito: Daniel Ferreira/CB

Uma curiosidade é que Maeve e Nash Laila trabalharam em Amor, plástico e barulho com a preparadora de elenco Amanda Gabriel, que também “treinou” Amanda Gabriel, que levou o Candango de Melhor atriz no Festival de Brasília do ano passado, pelo longa Eles voltam.

O também pernambucano O mestre e o divino, de Thiago Campos, levou três Candangos na categoria longa-metragem documentário: Melhor filme, montagem e trilha sonora. Já o curta pernambucano Au revoir levou Melhor atriz (Rita Carelli) e Melhor direção de arte na categoria ficção. Pernambuco ganhou ainda prêmios de melhor ator  em curta de ficção (Miguel Arraes, do curta carioca Todos os dias em que sou estrangeiro, de Eduardo Morotó) e o Troféu Câmara Legislativa, conquistado por Plano B, de Getsemane Silva, que é radicado em Brasília.

O principal prêmio da noite, o Candango de melhor longa-metragem de ficção foi para Exilados do vulcão, co-produção de Minas Gerais e Rio de Janeiro, dirigido por Paula Gaitán, viúva do cineasta Gláuber Rocha. “Eu concorri com pessoas que eu admiro muito. Todas mereciam esse prêmio. Também devo agradecer à minha equipe formada apenas por pessoas maravilhosas”, disse, em meio a lágrimas.
Paula Gaitán levou o prêmio de melhor longa-metragem de ficção, por
Paula Gaitán levou o prêmio de melhor longa-metragem de ficção, por "Exilados de vulcão"


PRÊMIOS DO JÚRI OFICIAL: TROFÉU CANDANGO E PRÊMIOS EM DINHEIRO

FILME DE LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO
Melhor filme - R$ 250 mil Exilados do Vulcão, de Paula Gaitán
Melhor direção - R$ 20 mil Michael Wahrmann por Avanti Popolo
Melhor ator - R$ 10 mil Pedro Maia por Depois da Chuva
Melhor atriz - R$ 10 mil Maeve Jinkings por Amor, Plástico e Barulho
Melhor ator coadjuvante - R$ 5 mil Carlos Reichenbach por Avanti Popolo
Melhor atriz coadjuvante - R$ 5 mil Nash Laila por Amor, Plástico e Barulho
Melhor roteiro - R$ 10 mil Cláudio Marques por Depois da Chuva
Melhor fotografia - R$ 10 mil Aloysio Raulino por Riocorrente
Melhor direção de arte - R$ 10 mil Dani Vilela por Amor, Plástico e Barulho
Melhor trilha sonora - R$ 10 mil Mateus Dantas, Nancy Viegas, Bandas Crac! e Dever de Classe por Depois da Chuva
Melhor som - R$ 10 mil Fabio Andrade, Edson Secco e Roberto Leite por Exilados do Vulcão
Melhor montagem - R$ 10 mil Idê Lacerda e Paulo Sacramento por Riocorrente

FILME DE LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO
Melhor filme - R$ 100 mil
O Mestre e o Divino, de Thiago Campos
Melhor direção - R$ 20 mil Maria Augusta Ramos por Morro dos Prazeres
Melhor fotografia - R$ 10 mil Léo Bittencourt e Gui Gonçalves por Morro dos Prazeres
Melhor trilha sonora - R$ 10 mil O Mestre e o Divino
Melhor som - R$ 10 mil Felipe Mussel por Morro dos Prazeres
Melhor montagem - R$ 10 mil Amandine Goisbault por O Mestre e o Divino
Prêmio Especial do Júri: Outro Sertão, pelo trabalho de pesquisa

FILME DE CURTA-METRAGEM DE FICÇÃO
Melhor filme - R$ 20 mil
Lição de Esqui, de Leonardo Mouramateus e Samuel Brasileiro
Melhor direção - R$ 5 mil Ricardo Alves Jr. por Tremor
Melhor ator - R$ 5 mil Miguel Arraes por Todos Esses Dias em que sou Estrangeiro
Melhor atriz - R$ 5 mil Rita Carelli por Au Revoir
Melhor roteiro - R$ 5 mil Leonardo Moura Mateus por Lição de Esqui
Melhor fotografia - R$ 5 mil Mateus Rocha por Tremor
Melhor direção de arte - R$ 5 mil Thales Junqueira por Au Revoir
Melhor trilha sonora - R$ 5 mil Gustavo Fioravante e o Grivo por Fernando que Ganhou um Pássaro do Mar
Melhor som - R$ 5 mil Bruno Bergamo por Sylvia
Melhor montagem - R$ 5 mil Frederico Benevides por Tremor

FILME DE CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO
Melhor filme - R$ 20 mil
Contos da Maré, de Douglas Soares
Melhor direção - R$ 5 mil  Rafael Urban e Terence Keller por A que Deve a Honra este Simples Marquês
Melhor fotografia - R$ 5 mil André Moncaio por O Canto da Lona
Melhor trilha sonora - R$ 5 mil Fábio Baldo por Contos da Maré
Melhor som - R$ 5 mil Samuel Gambini por O Canto da Lona
Melhor montagem - R$ 5 mil Ivan Costa e Dácia Ibiapina por O Gigante Nunca Dorme

FILME DE CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Melhor filme - R$ 20 mil  Faroeste, um Autêntico Western

PRÊMIO DO JÚRI POPULAR: TROFÉU CANDANGO E PRÊMIOS EM DINHEIRO
Melhor filme de longa metragem - R$ 30 mil
Melhor longa-metragem de ficção do júri popular: Os Pobres Diabos, de Rosemberg Cariry
Melhor filme de curta metragem - R$ 20 mil Faroeste - Um Autêntico Western, de Wesley Rodrigues

OUTROS PRÊMIOS
Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal - Júri Oficial
Melhor longa-metragem: R$ 80 mil
Plano B, de Getsemane Silva
Melhor curta-metragem: R$ 30 mil O Balãozinho Azul, de Fauston da Silva
Melhor direção: R$ 6 mil Renata Diniz por Requília
Melhor ator: R$ 6 mil  Dimer Monteiro e Henrique Bernardes por Requília
Melhor atriz: R$ 6 mil Patrícia del Rey por Fragmentos
Melhor roteiro: R$ 6 mil Requília
Melhor fotografia: R$ 6 mil  Fragmentos
Melhor montagem: R$ 6 mil Plano B
Melhor direção de arte: R$ 6 mil  Palhaços Tristes
Melhor edição de som: R$ 6 mil  Palhaços Tristes
Melhor captação de som direto: R$ 6 mil Requília
Melhor trilha sonora: R$ 6 mil Por uma Dose Violenta de Qualquer Coisa

TROFÉU CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL - JÚRI POPULAR
Melhor longa-metragem: R$ 20 mil
Cidadão Brazza, de Peterson Paim
Melhor curta-metragem: R$ 10 mil O Balãozinho Azul, de Fauston da Silva

PRÊMIO CANAL BRASIL DE INCENTIVO AO CURTA-METRAGEM
Cessão de um Prêmio de Aquisição no valor de R$ 15 mil e o troféu Canal Brasil ao melhor curta selecionado pelo júri Canal Brasil. A que Deve a Honra Dessa Ilustre Visita esse Simples Marquês

PRÊMIO EXIBIÇÃO TV BRASILOs títulos premiados integrarão a programação da emissora
Melhor longa-metragem - R$ 50 mil Os Pobres Diabos

PRÊMIO ABRACCINEO Prêmio da Crítica será atribuído e organizado, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, pela Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).
Melhor longa-metragem Avanti Popolo
Melhor curta-metragem A que Deve a Honra Dessa Ilustre Visita esse Simples Marquês

PRÊMIO ABCV - ASSOCIAÇÃO BRASILIENSE DE CINEMA E VÍDEOConferido pela ABCV – Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo a profissionais do audiovisual do Distrito Federal - Cidadão Brazza

PRÊMIO SARUÊConferido pela equipe de cultura do jornal Correio Braziliense - Avanti Popolo, de Michael Wahrmann


Fonte: Diário de Pernambuco

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Por que o Bolsa Família é importante

O programa social exerceu um papel civilizador, ao permitir às mães planejar, e impedindo as crianças de morrer 
bolsa família
 Selma Ferreira, primeira beneficiária de programa modelo para Bolsa Família

á tinha alguns anos de jornalismo, o País começava a lutar pela redemocratização, fui entrevistar Abraham Lowenthal, um dos pensadores do Partido Democrata norte-americano e estudioso da América Latina.
Na época, nós, jornalistas econômicos, estávamos empenhadíssimos em convencer o meio empresarial de que a democracia era um "bom negócio". Fiz uma série de perguntas sobre a importância da democracia para a economia.
A resposta de Lowenthall me derrubou. "A democracia é importante porque é importante. Não precisa de justificativas econômicas".
***
Saindo de Macapá, depois de uma palestra para coordenadores do Sebrae de todo o País, me vali do ensinamento de Lowenthal.
Um dos temas debatidos foi o Bolsa Família.
Um dos coordenadores apontou os benefícios que o BF trouxe a inúmeras regiões estagnadas do seu estado.
Primeiro veio o novo consumo, por meio do BF e da Previdência Social. Em seguida, vieram os novos empreendimentos. Com eles, novos empregos. E a região ganhou vida própria. No País todo, a melhoria de renda gerou um mercado de consumo fantástico.
Outro coordenador tinha visão diferente. Sua percepção era a de que as mães pobres passaram a ter mais filhos, para aumentar a Bolsa; as famílias fugiram para as cidades, sobrecarregando os serviços públicos; e diminuiu a propensão de todos para o trabalho.
***
Com o BF houve redução da natalidade e da mortalidade infantil. Mesmo reduzindo a mortalidade infantil, houve redução dos filhos. Ou seja, o BF exerceu um papel civilizador, ao permitir às mães planejar, e impedindo as crianças de morrer.
As estatísticas mostram, também, número crescente de beneficiários do BF pedindo desligamento, depois de conseguir renda suficiente. Mas é óbvio que, com o BF e a Previdência, os jovens passaram a entrar mais tarde no mercado de trabalho e houve uma queda na oferta de mão de obra para empregos de baixíssima remuneração.
Os dois fatos se refletiram em toda estrutura de emprego, provocando um efeito cascata de aumento do salário real.
Já as cidades mais pobres, especialmente no Nordeste, receberam mais famílias pela relevante razão de que os caraminguás do BF deram condições a elas de permanecer na sua região, mesmo enfrentando uma das maiores secas da história. Obviamente, com a seca, procuraram as cidades.
***
Aí se entram em desdobramentos que nada têm a ver com o BF.
Um deles é o aumento do salário real, bom para o consumo, ruim para a estrutura de custos das empresas. O caminho são reformas e melhorias de gestão que signifiquem um choque de produtividade.
O segundo problema é que, nas regiões mais pobres, aumentou a renda das pessoas mas não a receita dos municípios - contribuiu para isso a imprudente política de desoneração do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Mais uma vez, nada tem a ver com o BF.
No final do encontro, sugeri aos ouvintes que criticassem a Fazenda, o Tesouro, a Receita, o Ministério das Cidades, mas não o Bolsa Família. Se houver um céu no serviço público, seus criadores ganharam o assento eterno.
Lembrando Lowenthall: o Bolsa Família é importante porque acabou com a fome de milhões de brasileiros. E basta.

Fonte: Carta Capital

Deus - Uma biografia

A trajetória do dono do mundo

Pesquisadores revelam que Javé, o grande personagem da Bíblia, não foi visto sempre como Deus único. Antes do Livro Sagrado, ele era só mais um entre muitas divindades. Saiba como Deus conquistou seu espaço no céu. E na Terra 

Deus criou o Universo.
Deus está em todos os lugares.
Deus é a força que nos une.

Cada sociedade vê a figura do Criador à sua maneira. Cada indivíduo, até. Para Einstein, Ele era as leis que governam o tempo e o espaço - a natureza em sua acepção mais profunda. Para os ateus, Deus é uma ilusão. Para o papa Bento 16, é o amor, a caridade. "Quem ama habita Deus; ao mesmo tempo, Deus habita quem ama", escreveu em sua primeira encíclica.

Pontos de vista à parte, toda cultura humana já teve seu Deus. Seus deuses, na maioria dos casos: seres divinos que interagiam entre si em mitologias de enredo farto, recheadas de brigas, lágrimas, reconciliações. Os deuses eram humanos.

Mas isso mudou. A imagem divina que se consolidou é bem diferente. Deus ganhou letra maiúscula na cultura ocidental. Os panteões divinos acabaram. Deus tornou-se único. É o Deus da Bíblia, Javé, o criador da luz e da humanidade. O pai de Jesus. Essa concepção, que hoje parece eterna, de tanto que a conhecemos, não nasceu pronta. Ela é fruto de fatos históricos que aconteceram antes de a Bíblia ter sido escrita. O próprio Javé já foi uma divindade entre muitas. Fez parte de um panteão do qual não era nem o chefe. O fato de ele ter se tornado o Deus supremo, então, é marcante: se fosse entre os deuses gregos, seria como se uma divindade de baixo escalão, como o Cupido, tivesse ascendido a uma posição maior que a de Zeus É essa história que vamos contar aqui. A história de Javé, a figura que começou como um pequeno deus do deserto e depois moldaria a forma como cada um de nós entende a ideia de Deus, não importando quem ou o que Deus seja para você.

Criança No princípio, Ele não sabia falar. Só chorava, grunhia e balbuciava. Deus era uma criança. Uma não, muitas: um deus era a chuva, outro deus, o Sol, mais outro, o trovão... Os deuses eram as forças por trás de uma natureza inexplicável para os primeiros humanos da Terra. Facetas de divindades borbulhavam em cachoeiras, galopavam com os cavalos selvagens, voavam com o vento, escondiam-se em cada rochedo, bosque ou duna do deserto. E do deserto veio a que daria origem ao Deus para valer.
Deuses nasceram do pôquer. A crença em divindades provavelmente vem da capacidade humana de detectar as intenções das outras pessoas. Somos muito bons nisso desde que surgimos, há 200 mil anos, e precisamos ser mesmo, porque o Homo sapiens sempre levou a vida social mais complicada do reino animal, sempre em comunidades cheias de intrigas, fingimentos, traições. Saber o que se passa na cabeça do outro era questão de sobrevivência - e até certo ponto ainda é.

E a melhor maneira de tentar se antecipar a um adversário nos jogos mentais do dia a dia é imaginar as intenções dele: "O que será que ele pensa que eu estou pensando?" Nosso cérebro é uma máquina de pôquer.

Pesquisadores como o antropólogo francês Pascal Boyer defendem que esse sistema de detecção de intenções pode acabar aplicado a coisas que não têm intenções de nenhum tipo - como a chuva, ou o Sol. A ideia de que há espíritos de toda sorte da natureza seria, assim, um efeito colateral do nosso sistema de detecção de mentes, tão hiperativo.

Por esse ponto de vista, a espiritualidade faz parte dos nossos instintos. É quase tão natural acreditar em divindades quanto comer ou dormir.

Cada fenômeno da natureza, então, representava as intenções de alguma divindade. É como ainda acontece nas tribos de caçadores-coletores de hoje. Entre os índios tupis, os trovões são a raiva do deus Tupã. E fim de papo.

Obras de arte de mais de 30 mil anos atrás dão outra pista sobre essa espiri-tualidade primitiva - que podemos chamar de "infância de Deus" (no caso, dos deuses). Elas mostram seres que misturam características humanas e animais - sujeitos com cabeça de leão ou de rena e corpo de gente, por exemplo.

Acredita-se que essas criaturas híbridas representem um tipo de crença que ainda é comum nas tribos indígenas: a de que não haveria separação rígida entre o mundo dos humanos, o dos animais e o dos espíritos. Seria possível transitar entre essas esferas se você possuísse o conhecimento correto, e, em tese, qualquer falecido, seja pessoa, seja bicho, pode ter um papel parecido com o que associamos normalmente a um deus.

Os deuses abandonam de vez as feições animais quando os bichos se tornam menos importantes no nosso cotidiano. Foi precisamente o que aconteceu quando a agricultura foi criada, há 10 mil anos, no Oriente Médio. Graças a ela, montamos as primeiras cidades. E a nossa espiritualidade progrediria junto: acabaria bem mais centrada nas pessoas que na natureza selvagem.

Há sinais de que ancestrais mortos eram as grandes entidades com status divino nessas primeiras cidades. Um exemplo arqueológico vem de escavações em Jericó, uma das mais antigas aglomerações humanas, que hoje fica no território palestino da Cisjordânia. Os habitantes de Jericó enterravam o corpo de seus mortos, mas guardavam o crânio, que era recoberto com camadas de gesso e tinta, simulando o rosto humano. Assim preparada, a caveira talvez servisse de oráculo doméstico - uma espécie de deus particular para cada família.

Os artesãos de crânios de Jericó não tinham escrita - aliás, passariam mais de 5 mil anos até que essa tecnologia fosse inventada. Quando isso finalmente aconteceu, em torno do ano 2000 a.C., os deus ficaram bem mais sofisticados.

Entraram em cena criaturas ao estilo dos habitantes do Olimpo na mitologia grega. Em parte, alguns deles até eram mesmo personificações das forças da natureza, mas agora eles ganhavam personalidades e biografias complexas.

É aí que está a origem do grande personagem desta história: Javé, uma divindade que provavelmente começou como um deus menor, cultuado por nômades. Bem antes de a Bíblia ser escrita.

Cabeça de leão
Estátuas e pinturas de povos caçadores, que viviam nas cavernas da Europa há 30 mil anos, mostram figuras que misturam formas de homens e de animais. Tudo indica que esses foram os primeiros deuses a habitar a mente humana.

Jovem O rapaz era uma divindade dos desertos do sul. Junto com seus poucos súditos, chegaria à pulsante Canãa, domínio do deus El, o altíssimo. Ao lado do soberano, a mãe de divindades e homens, Asherah, senhora de tudo o que é fértil, e seu sucessor, Baal, o deus que dava chuvas àquelas paisagens àridas. Tudo na santa paz. Eles só não imaginavam que Javé tramava a destruição deles.
Ele começou de baixo. Era só mais um deus entre vários outros de sua região. Só que na Bíblia Javé é identificado como o Deus único. Hoje, cogitar a existência de outras divindades que teriam convivido com o Senhor da Bíblia é um absurdo do ponto de vista religioso. Mas não do ponto de vista científico. Pesquisadores de várias áreas - arqueólogos, linguistas, teólogos - estão encontrando pistas sobre uma provável "vida pregressa" de Javé. Uma vida mitológica que ele teve antes de seu nome ir parar na Bíblia como o da entidade que criou tudo.

Onde pesquisar isso? A própria Bíblia é uma fonte. O Livro Sagrado não foi feito de uma vez. Trata-se de uma coleção de textos escritos ao longo de séculos. O Pentateuco, os 5 primeiros livros da Bíblia, foi finalizado por volta de 550 a.C. Mas há textos ali de 1000 a.C., ou de antes. E nada disso foi editado em ordem cronológica - em grande parte, a Bíblia é uma junção de textos independentes, cada um escrito em tempos e realidades diferentes.

Como saber a que tempo e a que realidade cada um pertence? Pela linguagem. Pesquisadores analisam as expressões do texto original, em hebraico, e vão comparando com a de documentos encontrados em escavações arqueológicas, cuja datação é fácil de determinar. Com esse método, chegaram a uma descoberta reveladora. Alguns poemas da Bíblia dão a entender que Javé era uma divindade de lugares chamados Teiman ou Paran - dizendo literalmente que o deus veio dessas regiões. E esses textos estão justamente entre os mais antigos - se a língua do livro fosse o português moderno, eles estariam mais para Camões.

Teiman e Paran eram lugares desérticos fora das fronteiras onde viviam os homens que escreveram a Bíblia. Não se sabe exatamente que regiões eram essas, já que os nomes dos territórios vão mudando ao longo dos séculos. "Mas arqueólogos supõem que essa região seja no noroeste da atual Arábia Saudita", diz Mark Smith, professor de estudos bíblicos da Universidade de Nova York. E isso diz muito.

Os autores dos primeiros textos da Bíblia viviam na antiga Canaã - uma região do Oriente Médio onde hoje estão Israel, os territórios palestinos e partes da Síria e do Líbano. Ali se formaram algumas das primeiras civilizações da história, há 10 mil anos. E por volta de 1000 a.C. já era um território disputado (como nunca deixou de ser, por sinal). Estava dividido numa miríade de tribos, as dos israelitas, a dos hititas, a dos jebedeus...

Apesar das rivalidades, todas tinham culturas parecidas. Reverenciavam o mesmo panteão de deuses, por exemplo. Mas Javé, pelo jeito, não era um deles. Teria sido importado das áreas mais desérticas do sul.

Outra evidência disso é a associação de seu nome com os chamados shasu. Shasu é um termo egípcio que significa "nômade" ou "beduíno". Algumas inscrições egípcias mencionam um "Javé dos Shasu".

Uma possibilidade, então, é que nômades do deserto teriam se incorporado às tribos israelitas, trazendo o novo deus com eles. Essa divindade se embrenharia no meio da grande mitologia desse povo: o panteão de deuses cananeus. Mas quem eram essas divindades? As melhores pistas a esse respeito vêm de Ugarit, uma antiga cidade encontrada durante escavações arqueológicas na atual Síria. Ela foi destruída por invasores em 1200 a.C., quando os israelitas ainda eram um povo em formação. As inscrições encontradas ali, então, servem como uma cápsula do tempo. Revelam o contexto cultural em que nasceu a mitologia israelita, mostra como era a mitologia dos antepassados dos escritores da Bíblia. E os deuses em que eles acreditavam seriam fundamentais para a biografia de Javé. O panteão de Ugarit é bem grandinho, mas algumas figuras se destacam. Há o pai dos deuses e dos homens, o idoso, bondoso e barbudo El; sua esposa, Asherah, deusa da vegetação e da fertilidade; a filha dos dois, Anat, feroz deusa do amor; e o filho adotivo do casal, Baal, deus da guerra e da tempestade que morre, ressuscita e derrota as divindades malignas Yamm (o Mar) e Mot (a Morte).

Muitos estudiosos especulam que as tribos is-raelitas originalmente tinham El como seu deus supremo. Afinal, o nome do povo bíblico também termina com o elemento -el. "Esse tipo de nome próprio, conhecido como teofórico (‘portador de um deus’, em grego), costuma dar pistas sobre o ente divino que o dono do nome venera", diz Airton José da Silva, professor de Antigo Testamento da Arquidiocese de Ribeirão Preto.

Mas os indícios a respeito de El vão além da nomenclatura. O deus cananeu também tem uma relação especial com os chefes de clãs, prometendo-lhes uma vasta descendência - exatamente o que Deus faria depois na Bíblia ao selar uma aliança com os ancestrais dos israelitas, Abraão, Isaac e Jacó. "El é o deus desses patriarcas", diz Christine Hayes, professora de estudos judaicos de Yale.

Deus do deserto
Javé pode ter sido uma divindade trazida do deserto por nômades que se embrenharam nas tribos is-raelitas, quando elas ainda estavam em formação na região de Canaã. Aí ele se junta aos deuses cananeus, como Baal e El, o altíssimo.

Adulto "Israel é a minha herança", brada o impetuoso deus do deserto. Diante dele, a assembleia dos deuses de Canaã se sente cada vez mais intimidada. E, numa escalada de poder sem precedentes, o guerreiro chega a ser considerado idêntico ao próprio El como criador e governador do mundo. A própria esposa do antigo senhor dos deuses passa às mãos do novato.
Uma ameaça pairava sobre os deuses de Canaã. Era a ambição de Javé. O novo deus começou a buscar seu lugar entre as antigas divindades cananeias. E teve sucesso. Com sua personalidade forte, foi ganhando espaço dentro da mitologia israelita, tomando o terreno dos deuses criados pelos povos cananeus.

A maior prova disso está em outro texto poético dos mais antigos da Bíblia, o Salmo 82. Ele nos apresenta o chamado "conselho divino": uma espécie de Câmara dos Deputados dos deuses, na qual eles se reúnem para discutir assuntos importantes - um indício de que o Salmo foi escrito antes do próprio início da Bíblia, que já começa apresentando Javé como Deus único. A ideia, ali, é que El preside o conselho e seus filhos ou subordinados discursam. Lá, Javé aparentemente perde a paciência: "Deus se levanta no conselho divino,/em meio aos deuses ele julga:/"Até quando vocês julgarão injustamente,/sustentando a causa dos injustos? (...) "Eu declaro: embora vocês sejam deuses,/e todos filhos do Altíssimo,/morrerão como qualquer homem". Trocando em miúdos menos rebuscados: "Quem manda aqui sou eu".

É difícil dizer a que período da história israelita corresponde esse momento em que, na imaginação religiosa das pessoas, Javé começou a impor sua vontade perante os deuses cananeus. Talvez o fenômeno tenha a ver com a consolidação de Israel como povo distinto dos demais cananeus: a adoração a uma divindade unicamente israelita pode ter emergido como um elemento-chave nessa consciência "nacionalista" dos ancestrais dos judeus.

Para completar essa nova fase na vida do Senhor, que poderíamos chamar de começo da vida adulta, falta ainda um elemento crucial. Lembre-se do impe-tuoso deus guerreiro Baal. O que parece ocorrer, segundo Mark Smith e outros especialistas, é que Javé se "baaliza", virando uma mistura de El e Baal, com ligeira predominância do segundo.

As evidências: Javé e Baal estão associados a tempestades, vulcões, fogo e terremoto; ambos são guerreiros invencíveis que habitam o alto de montanhas (Baal vive no lendário monte Zafon, Javé, no Sinai). E a semelhança fica ainda mais detalhada.

Na tradição mitológica de Canaã, quem tinha triunfado contra Yamm, o deus caótico do mar, era Baal, mas os textos da Bíblia atribuem essa vitória - adivinhe só - a Javé. Mais sugestivo ainda: alguns Salmos parecem ter sido originalmente hinos a Baal que acabaram adaptados para o culto ao Senhor dos israelitas. Só que Javé vai muito além das intervenções típicas de Baal no mundo. Na mitologia israelita, sua grande vitória não é contra o mar, mas, sim, usando o mar como arma contra o faraó que tinha escravizado o povo hebreu no Egito. Escolhendo o profeta Moisés como seu emissário, conforme conta o livro bíblico do Êxodo, o novo deus guerreiro puniu os egípcios com uma sucessão de pragas e, como grand finale, destruiu "carros de guerra e cavaleiros" do faraó afundando-os no mar.

A diferença em relação a Baal é que o Senhor seria capaz de agir não só num passado mítico mas na própria história dos israelitas. Ele é literalmente "o Senhor dos Exércitos de Israel", aquele que promete a vitória em batalha em troca da fidelidade religiosa do povo. Daí em diante, Deus nunca deixa de ser, em grande medida, um guerreiro.

Além de herdar o trono de El na mitologia israelita, Javé também pode ter levado Asherah, a mulher do velho deus. Eis aí uma possibilidade para a qual a Bíblia não prepara seus leitores. Os profetas bíblicos vivem chiando contra o fato de que os israelitas estariam se "prostituindo" (metaforicamente, e talvez literalmente também, via orgias rituais) nos altares de Asherah. Mas inscrições achadas ao longo do século 20, como as de Kuntillet Ajrud, um pit stop de caravanas no deserto do Sinai, poderiam indicar que o deus e a deusa não eram inimigos, e sim um casal.

As inscrições, datadas em torno do ano 800 a.C., dizem coisas como "a bênção para ti por Javé de Teiman e sua Asherah". Seja como for, mesmo se o casamento ainda existisse, Javé logo optaria por um divórcio - daqueles litigiosos, barra-pesada, nos quais o pai joga os filhos contra a mãe.


Casal maior
Inscrições do do século 9 a.C. dão a entender que Javé tinha se casado com Asherah, a maior divindade feminina de Canaã. Era uma interpretação israelita da mitologia da região: o deus daquele povo tomava para si a esposa de El.

Homem feito
A última resistência da antiga assembleia divina parte de Baal. Sem pestanejar, Javé o elimina. Asherah tem o mesmo destino trágico. Daqui por diante ele estará sozinho nos céus. E alcança a serenidade. Hora de fazer as pazes com a humanidade. E um sacrifício.

Seu grande momento estava chegando. Era a hora da virada para Javé. Ele deixaria de ser mais um deus. E viraria o Único. No mundo real, esse momento teve data: foi a reforma religiosa introduzida por Josias (649 - 609 a.C.), rei de Judá. Antes, porém, um interlúdio político.

Àquela altura, a nação das tribos israelitas de Canaã tinha sido dividida em dois reinos. Um ao norte, o de Israel, e um ao sul, o de Judá. E o de cima havia sido derrotado e conquistado pelo Império Assírio.

Josias não queria o mesmo destino. E parte de seus esforços para fortalecer a unidade interna de Judá e resistir aos invasores foi uma maior centralização da vida religiosa do reino. Para isso, ele começou a transformar Javé no único deus adorado por seus súditos. Por decreto: destruindo altares a outras divindades, como El, Baal... E Asherah. Esse foi o divórcio.

Também é possível que date do reinado de Josias o ataque final dos fiéis de Javé ao culto a Baal, muito criticado pelos profetas dessa época. Para a maior parte dos israelitas, não era problema adorar a Javé e a Baal ao mesmo tempo. É que outra especialidade do antigo deus cananeu era a agricultura - ele mandava chuva para regar as colheitas. Até então, embora Javé tivesse tomado conta das funções guerreiras de Baal, nada indicava que ele também pudesse bancar o regador de plantas. Mas os profetas israelitas passam, então, a afirmar que o mandachuva era ele.

Essa expulsão definitiva de Baal do panteão explica o episódio do bezerro de ouro durante a passagem dos israelitas pelo deserto. Para quem não se lembra: o povo de Deus, cansado de esperar que Moisés volte do monte Sinai, constrói uma estátua de ouro de um bezerro (emblema de Baal). Tanto Moisés quanto Javé ficam enfurecidos, e milhares de israelitas morrem como punição pela infidelidade do povo.

As ideias de Josias marcariam para sempre a visão que temos de Deus. E mais ainda depois que esse rei acabou morto. Na geração dos filhos do monarca reformista, o reino de Judá seria riscado do mapa e Jerusalém, a capital, acabaria conquistada pela Babilônia. Mas a adversidade do povo teve o efeito oposto em sua fé. No mundo mitológico, Javé se fortalecia como nunca. Com a nação agora indefesa militarmente, era a hora de reafirmar que o deus da nação, ao menos, era todo-poderoso. Nisso os profetas israelistas diziam que só Javé tinha existência, vida e poder; os outros deuses eram meras imagens de pedra, metal ou madeira. Era nada menos que a inauguração do monoteísmo: um momento tão importante na história da espiritualidade quanto a adoção do cristianismo como religião oficial do Império Romano seria bem mais tarde. E era esse Javé único que iria para a Bíblia. E se tornaria a imagem de Deus no mundo ocidental.

Um Deus, agora, não só dos israelitas. Mas da humanidade inteira. O Deus que criou o mundo, que fez o homem à sua imagem e semelhança. E que, de certa forma, era a imagem e semelhança do Javé pré-Bíblia: o Deus guerreiro, militar, que pune com rigidez os erros de seus adoradores. O Velho Testamento está recheado de castigos divinos: dos mais leves, como transformar o fiel Jó, um milionário, em um mendigo, como um teste para sua fé, até o dilúvio universal - praticamente um restart no mundo depois de ter concluído que a humanidade não tinha mais jeito. A justificativa para tal comportamento está na própria história de Israel. A ideia era acreditar que os maus bocados pelos quais a nação passou nas mãos de assírios e babilônios eram provações divinas, que, se o povo mantivesse sua fé, tudo acabaria bem.

Mas Deus surge na Bíblia como algo mais complexo que um mero feitor. Usando os paralelos deste texto, seria como se Ele tivesse amadurecido depois que Josias e os profetas o aclamam Deus único. Javé fica menos humano, menos falível. Passa a ser uma entidade transcendental de fato. Começa a afirmar aos seres humanos que "os meus caminhos não são os seus caminhos" - a ideia hoje familiar de que Deus escreve certo por linhas tortas.

Mas o caráter divino só se completaria mesmo no século 1. O primeiro século depois de seu filho, quando o Novo Testamento foi escrito. É a metamorfose mais radical do guerreiro Javé. Encarnado na figura de Jesus, Deus apresenta uma nova solução para a humanidade. Em vez de castigar ou destruir os homens mais uma vez, decide purgar os pecados dos mortais com outro sacrifício: o Dele próprio. Morre o corpo do Deus encarnado, não o espírito divino. Este, agora mais sereno, continuou zelando por nós. E assim será. Até o fim dos tempos. E acaba assim a nossa história, certo?

Claro que não. A saga de Javé é só um dos reflexos de uma epopeia maior: a da humanidade buscando um sentido para a existência. Nesse aspecto, continuamos tão perdidos quanto os antigos que não sabiam por que o trovão trovejava ou o que as estrelas faziam pregadas no céu. Ainda não sabemos por que estamos aqui. E a única certeza é que vamos continuar buscando respostas. Seja o que Deus quiser.

Fonte: Abril

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