quinta-feira, 30 de julho de 2015

'Mídia assumiu papel político mais conservador que oposição', diz ex-ministro

Celso Amorim 

“É um absurdo acusar o ex-presidente Lula de apoiar a inserção de empresas brasileiras no exterior. Isso mostra o grau perigoso que chegou a politização no Brasil. Mostra que a mídia assumiu um papel político até muito mais conservador que os partidos conservadores de oposição e a elite brasileira”. A avaliação é do embaixador Celso Amorim, ao referir-se às insinuações maldosas feitas pela mídia de que o ex-presidente teria feito lobby “suspeito” para empresas brasileiras em outros países.

Para ele, isso mostra a que ponto chegaram os ataques ao projeto iniciado por Lula há 12 anos.  O embaixador fez essa avaliação na manhã desta terça-feira (28), após palestra na Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), em São Bernardo do Campo (SP).

A palestra de Amorim – que foi ministro de Relações Exteriores do governo Lula e ministro da Defesa no primeiro mandato da presidenta Dilma Rousseff – foi direcionada aos coordenadores das redes sindicais de trabalhadores metalúrgicos em multinacionais, reunidos em encontro desde ontem.

O embaixador destacou que os presidentes de todas as nações têm esta postura de apoiar a inserção de empresas no mercado externo. “Seria surpresa se um presidente não fizesse isso. Ao defender empresas, o governante está defendendo os trabalhadores e a renda em seu país. Infelizmente, certos setores perderam a noção de como deve ser feita a política”, ressaltou ainda.

Para o ex-ministro, o aprofundamento da crise política não interessa à classe trabalhadora, porque, além de estimular um aumento da animosidade, pode interferir diretamente na economia e no desenvolvimento do país. Ele disse, no entanto: “Mas, apesar disso, o que importa é que o país continua a despertar interesse dos investidores estrangeiros".

Solidariedade e paz
 
Durante a sua palestra a uma plateia de mais de 50 pessoas, Celso Amorim assinalou que a solidariedade internacional tem sido o princípio brasileiro para a política externa e, principalmente, nas relações com países em desenvolvimento. “Acredito que podemos ajudá-los e, assim, crescermos juntos. No novo cenário internacional, o Brasil é um país grande e não podemos ficar nesta atitude negativista, que é muito comum vermos na mídia, de que o país não pode e não deve ajudar. A aliança com outros países é essencial para a democratização do desenvolvimento mundial e não há motivo para o Brasil não ser solidário com outros países”, disse.

De acordo com Amorim, a aliança entre Brasil e seus países vizinhos é fundamental para uma relação pacífica na América do Sul. “Nas relações internacionais dizem que os países não têm amigos, mas, sim, interesses. As nações precisam perseguir seus interesses, porém, é preciso matizar esta defesa pensando na solidariedade. É preciso pensar em seu próprio interesse no longo prazo. Por exemplo, nas negociações comerciais na América do Sul nem sempre a defesa do interesse brasileiro foi a ferro e fogo. Mas no conjunto é muito mais vantajoso para nós ter paz na nossa região. Não há no mundo nenhuma nação como a nossa que faça fronteira com dez países e não tenha uma guerra em sua região. Nós temos que manter essa relação pacífica e mutuamente proveitosa com nossos países vizinhos”, afirmou. 

Crédito: Roberto Parizotti
Sanches (esq.) e Lisboa abordam política internacional
Sanches (esq.) e Lisboa falam da política internacional das entidades sindicais


Antes da palestra do embaixador, o evento teve um painel sobre a política de relações internacionais da Central Única dos Trabalhadores e da CNM/CUT. O secretário de Relações Internacionais da CUT, Antônio Lisboa, ressaltou a presença sindical nos organismos internacionais, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio (OMS). “Com essa inserção, conseguimos colocar na pauta dessas organizações o debate sobre os direitos universais dos trabalhadores, como o direito de greve, por exemplo”, afirmou.

Já o secretário de Relações Internacionais da CNM/CUT, Valter Sanches, destacou o trabalho das redes sindicais para estreitar a solidariedade entre os trabalhadores no mundo. “Os trabalhadores precisam se organizar nacionalmente e internacionalmente para tentar barrar a precarização das condições de trabalho. E a rede é um espaço importante para o debate e elaboração de propostas para proteger e ampliar os direitos da classe trabalhadora”, enfatizou.  “Outro aspecto importante é que o cumprimento dos Acordos Marcos Globais, que asseguram direitos básicos aos trabalhadores nas multinacionais, depende de uma atuação firme das redes sindicais”, completou.




 
 Fonte:  Assessoria de Imprensa da CNM/CUT

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