segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Brigas entre tucanos podem deixar o PSDB fora da disputa pela presidência da República em 2018


 
Marcadas por confusão e pancadaria, as prévias do PSDB para a escolha do candidato do partido à prefeitura de São Paulo serviram para explicitar o racha do PSDB. Enquanto os apoiadores do vereador Andrea Matarazzo gritavam "Doria guerreiro, do povo com dinheiro", simpatizantes de João Doria Júnior diziam "vai pro PSD" e "456, Kassab outra vez", em referência à proximidade de Matarazzo com o presidente do PSD, Gilberto Kassab.
 
Mais do que a disputa pela vaga em São Paulo, a guerra interna diz respeito a dois projetos presidenciais. De um lado, o governador Geraldo Alckmin lançou o empresário João Doria, um aprendiz de Donald Trump brasileiro, para implodir qualquer pretensão do senador José Serra (PSDB-SP) de se viabilizar candidato à presidência da República em 2018.
 
Serra, por sua vez, precisa de um aliado na prefeitura, para começar a estruturar sua eventual campanha. Em comum, os dois apostam que o o senador Aécio Neves (PSDB-MG), acossado por diversas denúncias relacionadas à Furnas, não terá fôlego para ser o candidato em 2018.
 
Desse cenário de fragmentação tucana, que já gerou a saída do senador Alvaro Dias para o PV, podem nascer três candidaturas presidenciais, além da do próprio político paranaense. Se Aécio conseguir se manter à frente até 2018, ele sairia pelo PSDB, com Alckmin concorrendo pelo PSB, José Serra pelo PMDB e Alvaro Dias pelo PV.
 
Nesta hipótese, testada pela primeira vez pelo Datafolha, os tucanos poderiam ficar de fora do segundo turno em 2018. Sim, porque haveria um tríplice empate técnico entre Aécio, com 20%, Lula, com 19%, e Marina Silva, com 17%. Como a margem de erro é de dois pontos, Lula e Marina poderiam já estar à frente do senador mineiro.
 
Neste cenário, Alckmin e Serra pontuam mal. Enquanto o governador faz apenas 5%, o senador aparece com 7%. Quando os dois aparecem como candidatos do PSDB, excluindo Aécio do jogo, têm desempenho melhor, mas ainda insuficiente para chegar o segundo turno. Enquanto Alckmin faz 12%, Serra pontua com 15%. Mas os dois também ficariam atrás de Marina Silva e Lula.
 
Portanto, o que a pesquisa Datafolha indica é que, para os dois políticos paulistas, o melhor cenário é concorrer pelo PSDB. O que indica que ambos vão tratar, a partir de agora, de minar o projeto Aécio, além de tentar vencer as prévias em São Paulo.



Do 247 / Por Francisco Castro


Quem é Wellington César Lima e Silva

Indicação de Jaques Wagner, novo ministro da Justiça atuou como procurador de Justiça da Bahia 

Ascom / MP-BA
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Wellington César Lima e Silva assume a pasta no lugar de Cardozo, que vai para a AGU


Escolhido nesta segunda-feira 29 para ocupar o cargo de ministro da Justiça, no lugar de José Eduardo Cardozo, que deixou a pasta para assumir a Advocacia Geral da União, o baiano Wellington César Lima e Silva atuou como procurador de Justiça no Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).


A mudança no Ministério da Justiça foi anunciada, por meio de um comunicado oficial, pela presidenta Dilma Rousseff. A saída de Cardoso provocou uma dança das cadeiras: o ex-ministro da Justiça assumirá a Advocacia-Geral da União, substituindo Luiz Inácio Adams, que, de acordo com a nota oficial, saiu do cargo por razões pessoais. Assim, Luiz Navarro de Brito ocupará o cargo de ministro-chefe da Controladoria Geral da União.


Na função desde o primeiro mandato de Dilma Rousseff, Cardozo foi o mais longevo ministro da Justiça. Sua saída é creditada a pressões do PT, que criticava a atuação da Polícia Federal em casos como a Operação Lava Jato.  


O novo ministro foi indicado por Jaques Wagner, em mais uma demonstração de influência do ministro-chefe da Casa Civil no Planalto. Wellington comandou o MP-BA por dois mandatos consecutivos, em 2010 e 2014. durante o governo de Wagner na Bahia.

Wellington César Lima e Silva.png 

Mestre em Ciências Criminais e doutorando em Direito Penal e Criminologia, Wellington César Lima e Silva ingressou no Ministério Público em 1991, atuando nas comarcas de Itagimirim, Tucano e Feira de Santana.
Em 1995, foi para a capital Salvador, com cargo na Promotoria de Justiça e Assistência. Também ocupou a vaga de assessor especial do procurador-geral da Justiça em 1996, 1999 e 2000.


Em 2011, durante um evento sobre medidas socioeducativas promovido na Bahia, Wellington se manifestou contra a redução da maioridade penal, uma mudança da legislação defendida por diversos setores e classificada como um retrocesso pelo novo ministro da Justiça.


“A redução da maioridade penal é, em si, algo tão equivocado, que deveria causar constrangimento às pessoas. Ela é uma solução simplificada e insuficiente, que não pode trazer à sociedade qualquer tipo de avanço”, afirmou. 


Com informações do Carta Capital

Planalto anuncia que Cardozo deixa ministério e assume AGU

Do <b>Portal </b><b>Vermelho</b>, com agências

A presidenta Dilma Rousseff oficializou, nesta segunda-feira (29), a saída de José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça. Ele, contudo, permanecerá no governo e assumirá a chefia da Advocacia Geral da União (AGU). Confirmando as informações que já circulavam desde a manhã, o novo ministro da Justiça será o ex-procurador-geral da Justiça da Bahia, Wellington César Lima e Silva.

Na pasta desde janeiro de 2011, Cardozo substituirá o atual advogado geral da União, Luís Inácio Adams, que já havia comunicado o seu afastamento do cargo por motivos pessoais. Cardozo pediu para deixar o comando do ministério em meio a críticas sobre a falta de enfrentamento da pasta aos “abusos” da Polícia Federal em operações que miram exclusivamente o partido e seus aliados.

A decisão final sobre a sua saída da função foi tomada na manhã desta segunda, em reunião de Dilma e Cardozo com os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, e da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini. Com a intenção de manter Cardozo no governo, a presidenta convidou-o para a Advocacia Geral da União.

Wellington César de Lima e Silva, nome indicado por Wagner para substituí-lo, tem 50 anos de idade e 25 de carreira, atua como procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). É mestre em Ciências Criminais e doutorando em Direito Penal e Criminologia.

A presidenta também aproveitou as mudanças para nomear Luiz Navarro de Brito como novo ministro da Controladoria Geral da União (CGU), que até então estava sendo comandada interinamente por Carlos Higino, desde que Valdir Simão foi nomeado ministro do Planejamento.

Leia abaixo a nota do Planalto:

A presidenta da República Dilma Rousseff informa que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deixará a pasta e assumirá a chefia da Advocacia Geral da União, em substituição ao ministro Luiz Inácio Adams que solicitou o seu desligamento, por razões pessoais.

Assumirá o Ministério da Justiça o ex-procurador-geral da Justiça do Estado da Bahia, Dr. Wellington César Lima e Silva.

Assumirá o cargo de ministro-chefe da Controladoria Geral da União, o Sr. Luiz Navarro de Brito.

A presidenta da República agradece os valiosos serviços prestados ao longo de todos estes anos, com inestimável competência e brilho, pelo dr. Luís Inácio Adams, e deseja pleno êxito à sua atividade profissional futura.

Agradece ainda ao ministro interino da CGU Sr. Carlos Higino pela sua dedicação.
 



Fonte: Vermelho

Anderson Silva sofre nova derrota e põe a culpa na corrupção “que nem no Brasil”

 Anderson Silva sofre nova derrota e põe
culpa na corrupção "Que nem no Brasil"

 



Depois de Lobão ter um show cancelado em Fortaleza e colocar a culpa na perseguição do PT, é a vez de Anderson Silva dar uma desculpa imbecil para uma nova derrota:
“Brasil, a parada é a seguinte… Não tem como vencer de um jeito, eles fazem de outro. Vocês viram aí, não é? Corrupção total, às vezes é que nem no Brasil”.

Lobão e Anderson já confirmaram presença no protesto de 13 de março. Só faltam agora confirmar é o Frota, Roger e o Fabio Junior. Com esta equipe de coxinhas o Brasil terá motivo para mais risos. 

Só lembrando que Anderson Silva foi pego do antidoping recentemente. Será que tem credibilidade moral pra falar de corrupção?

O álcool e as drogas andam mexendo com o cérebro de muitos famosos que não suportam o peso da idade e decadência.  

Pelo menos ainda sobrou o Mick Jagger que mesmo maluco como sempre é e  ainda em bom português ensinado por seu filho disse na apresentação sábado  em São Paulo; que estava muito lento pois teria comido muitas coxinhas antes do show, tudo indica que em tom de ironia.



Informações DCM / Facebook

Oscar 2016: O Regresso consagra DiCaprio e Iñárritu, mas Spotlight ganha Melhor Filme

Oscar 2016 - Alejandro G. Iñárritu e Leonardo DiCaprio

Brasileiro O Menino e o Mundo perde para Divertida Mente na categoria Melhor Animação; Mad Max: Estrada da Fúria fatura mais com prêmios técnicos 
 
O Oscar 2016 não teve um vencedor unânime. Mad Max: Estrada da Fúria foi o que mais ganhou, com seis estatuetas, mas todas elas conquistadas em prêmios técnicos. O Regresso consagrou o diretor Alejandro G. Iñárritu e o ator Leonardo DiCaprio, mas perdeu na categoria mais importante, Melhor Filme, para Spotlight: Segredos Revelados. A maior controvérsia do ano, a falta de atores negros indicados, foi dura e ironicamente abordada pelo apresentador Chris Rock – denunciando, mas não compensando a falta de negros concorrendo às estatuetas.

Certamente o assunto mais comentado nas ruas e nas redes sociais antes da cerimônia foi o favoritismo de Leonardo DiCaprio, que finalmente ganhou um Oscar de Melhor Ator. O prêmio veio pelo trabalho em O Regresso, depois de cinco indicações – e de 22 anos da primeira –, em um resultado comemorado por boa parte dos atores, cineastas e produtores (especialmente a atriz Kate Winslet, focada pelas câmeras) presentes no Teatro Dolby, em Los Angeles (EUA), na noite do último domingo, 28.

Aplaudido de pé, ele lembrou diretores marcantes que teve na carreira, como Martin Scorsese, ressaltou o elenco com quem trabalhou em O Regresso (Tom Hardy e Iñárritu mais efusivamente) e discursou sobre os problemas climáticas no mundo. “Não nos deixemos encarar este planeta como algo garantido”, disse. “Mudanças climáticas são reais, estão acontecendo neste exato momento. São a ameaça mais urgente a toda nossa espécie e nós precisamos trabalhar juntos e parar de procrastinar.”

Com um discurso menos afiado, o companheiro de filme de DiCaprio, Alejandro G. Iñárritu, bateu Adam Mckay (A Grande Aposta), George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria), Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack) e Tom McCarthy (Spotlight: Segredos Revelados) e ganhou pela segunda vez consecutiva o Oscar de Melhor Diretor. “Obrigado a Academia. Não acredito que isso esteja acontecendo”, disse o terceiro diretor da história a atingir tal façanha (os outros foram John Ford e Joseph L. Mankiewicz). Iñárritu ganhou o prêmio em 2015 com Birdman.

Mas apesar de ter duas estatuetas de peso (foram três no total), O Regresso não foi páreo para o longa Spotlight: Segredos Revelados. De maneira pouco provável, o filme sobre uma investigação jornalística de crianças abusadas por padres da Igreja Católica faturou o Oscar mais disputado da noite: Melhor Filme. Os produtores do longa se reuniram ao microfone e valorizam o jornalismo investigativo no discurso: “Este filme deu voz a sobreviventes e este Oscar amplifica esta voz, a qual esperamos que se torne um coral e que ressoe diretamente até o Vaticano. Papa Francisco, é hora de proteger as crianças e restabelecer a fé.”

Um dos derrotados em Melhor Filme, O Quarto de Jack garantiu à estreante Brie Larson uma estatueta de Melhor Atriz. “Obrigada por irem ao cinema e assistirem ao filme”, agradeceu ela, sóbria na fala. Outra estreante em indicações, a sueca Alicia Vikander faturou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante dando vida à personagem Gerda, esposa da protagonista Lili (Eddie Redmayne) em A Garota Dinamarquesa. “Obrigada Tom [Hooper], meu diretor, por acreditar em mim”, disse Alicia.

Na vertente masculina do prêmio, o favorito Sylvester Stallone perdeu aos 69 anos a chance – para muitos, a última da carreira – de ganhar um Oscar. Em vez do ator de Creed: Nascido Para Lutar, a zebra Mark Rylance recebeu das mãos de Patricia Arquette a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante pelo trabalho em Ponte dos Espiões. “Sempre gostei de histórias e ter a oportunidade de trabalhar com um dos melhores contadores de histórias, [o diretor] Steven Spielberg, foi uma grande honra”, comentou. “Diferente de outros líderes, ele lidera com amor.”

Se a vitória de Spotlight: Segredos Revelados foi considerada uma surpresa ao fim da cerimônia, isso se deve aos poucos prêmios ganhados pelo filme na noite. Além de Melhor Filme, o longa dirigido por Tom McCarthy só ganhou o Melhor Roteiro Original, tendo perdido outros quatro prêmios. Em Melhor Roteiro Adaptado, Adam McKay – que perdeu como Melhor Diretor – subiu ao palco para receber a única estatueta de A Grande Aposta. “Não votem em candidatos que pegam dinheiro de grandes empresas”, clamou o cineasta nos agradecimentos.

#OscarSoWhite

A maior polêmica da premiação deste ano foi abordada veemente ao longo da cerimônia. Chris Rock, em seu monólogo inicial, foi ácido e impetuoso – ainda que sarcástico e, por isso, cômico – ao falar do racismo na Academia e em Hollywood, em um ano que atores negros não foram indicados ao prêmio. “Boa noite, contei 15 negros lá fora”, começou ele. “Estou aqui no Oscar 2016, conhecida como a premiação para pessoas brancas. Se eu não fosse indicado, eu não teria nem esse trabalho, vocês estariam vendo [o apresentador da cerimônia em 2015,] Neil Patrick Harris.”

Ele seguiu explicando porque não boicotou a premiação, como era esperado, e frisando – sempre ironicamente – que o Oscar é um evento racista durante toda sua história. “Pensei em boicotar, mas refleti: ‘Eles não vão cancelar o Oscar porque eu não vim’”, disse. “Acho que não havia indicados negros em 1962 e 1963, por que ninguém protestou? Porque naquela época tínhamos coisas reais para protestar: estávamos muito mais preocupados em ser linchados do que com cinema.”

“Será que Hollywood é racista?”, continuou Rock. “É aquele racismo com o qual você já está acostumado. É um ‘racismo fraternal’. É assim que Hollywood funciona. Mas as coisas estão mudando: temos um Rocky negro este ano. Isto é algo importantíssimo, porque Rocky acontece em um universo no qual os negros são tão bons quanto os brancos. Então Rocky é quase um filme de ficção científica. Tem coisas em Star Wars que são mais reais que [as dos longas da franquia] Rocky.”

O protagonista do mais recente Rocky (intitulado Creed: Nascido Para Lutar), Michael B. Jordan, a propósito, foi apresentado por Rock como “aquele que deveria ter sido indicado”. E as críticas ao racismo da Academia não ficaram restritas às falas do apresentador: diversas esquetes levantando a questão foram exibidas durante a cerimônia. Entre elas, houve a recriação das cenas de filmes indicados – Perdido em Marte, O Regresso, A Garota Dinamarquesa – com atores negros onde originalmente brancos atuaram.

O domínio técnico (e tímido) de Mad Max: Estrada da Fúria

Os prêmios técnicos – e tidos como “periféricos” pelo público – foram praticamente dominados pela experiência visual do universo desértico e apocalíptico criada em Mad Max: Estrada da Fúria. O longa dirigido por George Miller levou, no mesmo bloco, Melhor Figurino, Melhor Design de Produção e Melhor Maquiagem e Cabelo. Posteriormente, Mad Max ainda faturou Melhor Montagem, Melhor Edição de Som e Mixagem de Som. Foram seis estatuetas no total, fazendo do filme um “vencedor” tímido da premiação.
Só bateram Mad Max nos prêmios técnicos O Regresso e Ex-Machina: Instinto Artificial. O primeiro ganhou Melhor Fotografia e o diretor premiado, Emmanuel Lubezki, fez história: foi o primeiro a faturar a categoria três anos seguidos (antes, ele ganhou com Gravidade e Birdman). Já Ex-Machina – um filme que não chegou aos cinemas brasileiros – levou, de forma até inesperada, o Oscar de Efeitos Especiais.

Amy e A Girl in the River: The Price of Forgiveness levam prêmios de documentários
 
Não foi nenhuma surpresa, mas o vastamente aclamado Amy ganhou o Oscar de Melhor Documentário este ano. O diretor Asif Kapadia – responsável por Senna e que fará Maradonna –, que foi criticado pela família da retratada no longa, Amy Winehouse, disse: “É sobre quem ela era realmente, alguém especial e que precisava de cuidados”. Ele ainda citou a cantora como uma “garota brilhante, interessante, inteligente, especial”, agradeceu à Academia e aos fãs de Amy, concluindo: “Queríamos fazer esse filme para mostrar quem ela era de verdade.”

Já a estatueta de Melhor Documentário (Curta-Metragem) foi dada a Sharmeen Obaid-Chinoy – que ganhou um Oscar pela segunda vez – por A Girl in the River: The Price of Forgiveness. “Que bom que eu tenho dois agora”, comemorou ela. “É isso que acontece quando mulheres determinadas se reúnem”. A cineasta também dedicou a vitória “aos homens que amparam e dão apoio às mulheres”, citando o marido, o pai e “todos os homens que querem uma sociedade mais justa para as mulheres.”

Performance de Lady Gaga é “frustrada” e Ennio Morricone é reconhecido
 
Primeiro a se apresentar, Sam Smith cantou o tema do mais recente 007 (Contra Spectre), “Writing’s On The Wall”, em uma performance aparentemente insegura, que pouco chamou atenção – para o bem ou para o mal. Minutos depois, ele ganhou o Oscar de Melhor Canção Original, dedicando o prêmio às lésbicas e gays. “Estou aqui esta noite como homem gay orgulhoso, e espero que todos possamos nos unir um dia”, disse ele ao lado do cocompositor Jimmy Napes, recebendo a estatueta dos vencedores da categoria no Oscar 2015, Common e John Legend.

Também dona do último Globo de Ouro, “Writing’s On The Wall” frustrou a cantora Lady Gaga, que concorria com a música “Til It Happens To You”, de The Hunting Ground. Pouco antes da entrega, ela havia feito uma apresentação arrasadora, introduzida pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Aplaudido de pé pelos espectadores, o político assumiu o microfone pedindo para o público se sentar e discursou contra o abuso de mulheres e homens. “Nós podemos mudar essa cultura”, disse.

Ele chamou Lady Gaga que, em uma espécie de redenção do minguado tributo a David Bowie no Grammy deste ano, fez uma performance recheada de sentimento e tecnicamente impecável de “Til It Happens To You”. Rodeada por vítimas de abuso sexual – todos de mãos dadas –, ela cantou e tocou (ao piano) com intensidade peculiar o poderoso refrão: “Till it happens to you, you don't know/ How it feels”. Não apenas por sua urgência a apresentação foi a mais emocionante do Oscar 2016 – levando a atriz Rachel McAdams, que abordou o tema com a atuação em Spotlight: Segredos Revelados, entre outros, às lágrimas.

O líder do Foo Fighters, Dave Grohl, aparentemente deslocado na cerimônia (ele não teve relação com nenhum filme indicado ao Oscar deste ano nem com a música cantada), tomou o palco para tocar durante a sessão de homenagens a atores e cineastas que morreram no último ano. Grohl apresentou, ao violão, uma cover de “Blackbird”, dos Beatles, sendo acompanhado por uma orquestra no decorrer da performance. David Bowie, que além de músico teve um vasto trabalho como ator, foi lembrado pela Academia, assim como Wes Craven, Alan Rickman, Leonard Nimoy, Holly Woodlawn e Omar Sharif.

No outro prêmio musical da noite, o arranjador e maestro italiano Ennio Morricone, aos 87 anos, teve a prolífica carreira reconhecida pelo trabalho em Os Oito Odiados – filme de Quentin Tarantino quase completamente ignorado pela Academia. Um dos mais aplaudidos e visivelmente emocionado, Morricone discursou em italiano (com um tradutor ao lado): “Meu tributo vai aos outros indicados, especialmente John Williams [de Star Wars: O Despertar da Força]”. Ele também lembrou de Tarantino, agradecendo: “Não podemos ter uma trilha boa sem um bom filme para inspirá-la.”

Animações: Chile ganha o primeiro Oscar; Brasil sai de mãos vazias
 
Como era esperado, um dos filmes recentes mais bem criticados da Pixar, Divertida Mente, ganhou a categoria Melhor Animação. O brasileiro O Menino e o Mundo, dirigido por Alê Abreu e com trilha sonora de Emicida – o representante do país na premiação –, apesar de bem cotado, saiu do Teatro Dolby sem a sonhada estatueta.

Se o Brasil não conseguiu levar um Oscar em 2016, o Chile, por sua vez, faturou o primeiro prêmio da Academia em todos os tempos. A honraria foi dada a Gabriel Osorio e Pato Escala em outra categoria de animação – Melhor Curta-Metragem de Animação – por A História de um Urso. No discurso, Osorio saudou o Chile – “um pequeno país”, segundo ele – e lembrou do avô, cuja doença inspirou o curta.

Veja abaixo a lista completa de indicados ao Oscar 2016 e, em negrito, os vencedores.

Melhor Filme
A Grande Aposta
Brooklyn
Ponte dos Espiões
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Perdido em Marte
O Quarto de Jack
Spotlight: Segredos Revelados

Melhor Ator
Bryan Cranston, Trumbo: Lista Negra
Matt Damon, Perdido em Marte
Leonardo DiCaprio, O Regresso
Michael Fassbender - Steve Jobs
Eddie Redmayne, A Garota Dinamarquesa

Melhor Atriz
Cate Blanchett, Carol
Brie Larson, O Quarto de Jack
Jennifer Lawrence, Joy: O Nome do Sucesso
Charlotte Rampling, 45 Anos
Saoirse Ronan, Brooklyn

Melhor Diretor
Adam Mckay, A Grande Aposta
George Miller, Mad Max: Estrada da Fúria
Alejandro G. Iñárritu, O Regresso
Lenny Abrahamson, O Quarto de Jack
Tom McCarthy, Spotlight: Segredos Revelados

Melhor Filme Estrangeiro
O Abraço da Serpente
Cinco Graças
Filho de Saul
Theeb
Krigen

Melhor Trilha Sonora Original
Thomas Newman, Ponte dos Espiões
Carter Burwell, Carol
Ennio Morricone, Os Oito Odiados
Jóhann Jóhannsson, Sicario: Terra de Ninguém
John Williams, Star Wars: O Despertar da Força

Melhor Roteiro Original
Ponte dos Espiões
Ex-Machina: Instinto Artificial
Divertida Mente
Spotlight: Segredos Revelados
Straight Outta Compton: A História do N.W.A.

Melhor Roteiro Adaptado
A Grande Aposta
Brooklyn
Carol
Perdido em Marte
O Quarto de Jack

Melhor Design de Produção
Ponte dos Espiões
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso

Melhor Montagem
A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força
Spotlight: Segredos Revelados

Efeitos Especiais
Ex-Machina: Instinto Artificial
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

Melhor Atriz Coadjuvante
Jennifer Jason Leigh, Os Oito Odiados
Rooney Mara, Carol
Rachel McAdams, Spotlight: Segredos Revelados
Alicia Vikander, A Garota Dinamarquesa
Kate Winslet, Steve Jobs

Melhor Ator Coadjuvante
Christian Bale, A Grande Aposta
Tom Hardy, O Regresso
Mark Ruffalo, Spotlight: Segredos Revelados
Mark Rylance, Ponte dos Espiões
Sylvester Stallone, Creed: Nascido Para Lutar

Melhor Animação
Anomalisa
Divertida Mente
Shaun, o Carneiro
O Menino e o Mundo
As Memórias de Marnie

Melhor Documentário
Amy
Cartel Land
The Look of Silence
What Happened, Miss Simone?
Winter on Fire

Melhor Documentário (Curta-Metragem)
Body Team 12, David Darg e Bryn Mooser
Chau, Beyond the Lines, Courtney Marsh e Jerry Franck
Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah, Adam Benzine
A Girl in the River: The Price of Forgiveness, Sharmeen Obaid-Chinoy
Last Day of Freedom, Dee Hibbert-Jones and Nomi Talisman

Melhor Fotografia
Carol, Ed Lachman
Os Oito Odiados, Robert Richardson
Mad Max: Estrada da Fúria, John Seale
O Regresso, Emmanuel Lubezki
Sicario, Roger Deakins

Melhor Canção Original
“Earned It” (The Weeknd), Cinquenta Tons de Cinza (música e letra por The Weeknd, Ahmad Balshe, Jason Daheala Quenneville e Stephan Moccio)
“Manta Ray”, Racing Extinction (música por J. Ralph e letra de Antony Hegarty)
“Simple Song #3”, Youth (música e letra por David Lang)
“Til It Happens To You” (Lady Gaga), The Hunting Ground (música e letra por Diane Warren e Lady Gaga)
“Writing’s On The Wall” (Sam Smith), 007 Contra Spectre (música e letra por Jimmy Napes e Sam Smith)

Melhor Edição de Som
Mad Max: Estrada da Fúria, Mark Mangini e David White
Perdido em Marte, Oliver Tarney
O Regresso, Martin Hernandez e Lon Bender
Sicario, Alan Robert Murray
Star Wars: O Despertar da Força, Matthew Wood e David Acord

Melhor Mixagem de Som
Ponte de espiões, Andy Nelson, Gary Rydstrom e Drew Kunin
Mad Max: Estrada da Fúria, Chris Jenkins, Gregg Rudloff e Ben Osmo
Perdido em Marte, Paul Massey, Mark Taylor e Mac Ruth
O Regresso, Jon Taylor, Frank A. Montaño, Randy Thom e Chris Duesterdiek
Star Wars: O Despertar da Força, Andy Nelson, Christopher Scarabosio e Stuart Wilson

Melhor Curta-Metragem
Ave Maria, Basil Khalil e Eric Dupont
Day One, Henry Hughes
Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut), Patrick Vollrath
Shok, Jamie Donoughue
Stutterer, Benjamin Cleary e Serena Armitage

Melhor Curta-Metragem de Animação
A História de um Urso Gabriel Osorio e Pato Escala
Prologue, Richard Williams e Imogen Sutton
Os Heróis de Sanjay, Sanjay Patel e Nicole Grindle
We Can’t Live without Cosmos, Konstantin Bronzit
World of Tomorrow, Don Hertzfeldt
Melhor Figurino
Carol, Sandy Powell
Cinderella, Sandy Powell
A Garota Dinamarquesa, Paco Delgado
Mad Max: Estrada da Fúria, Jenny Beavan
O Regresso, Jacqueline West

Melhor Maquiagem e Cabelo
Mad Max: Estrada da Fúria, Lesley Vanderwalt, Elka Wardega e Damian Martin
The 100-Year-Old Man Who Climbed out the Window and Disappeared, Love Larson e Eva von Bahr
O Regresso, Siân Grigg, Duncan Jarman e Robert Pandini
 
 
 
Fonte: Rolling Stone Brasil 

Sociedade defende veto presidencial a projeto de lei antiterrorismo

 


 Encaminhado ao Congresso Nacional pelo Executivo, o projeto foi aprovado na última quarta-feira (24) pela Câmara e agora aguarda sanção presidencial.

 

Após a aprovação, nesta semana, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei 2016/15, que tipifica o crime de terrorismo, organizações da sociedade civil pedem que a presidenta Dilma Rousseff vete o texto. As organizações argumentam que o projeto de lei antiterrorismo, como ficou conhecido, poderá criminalizar movimentos sociais e manifestações populares.



A organização não governamental (ONG) de direitos humanos Conectas vai elaborar um parecer para pedir que a presidenta vete artigos do projeto, já que o texto é de autoria do Executivo e assim seria mais improvável conseguir a rejeição de toda a proposta. O advogado e coordenador do Programa de Justiça da Conectas, Rafael Custódio, diz que o texto foi muito ampliado no Legislativo e por isso há a expectativa de conseguir sensibilizar a presidência para os vetos.

 

“Quando o projeto saiu do Planalto já o considerávamos inconstitucional e desnecessário, mas ele tinha um escopo mais definido e o Congresso ampliou bastante. Nossa ideia e tentar sensibilizar a presidência e mostra que o que ela está sancionando não é aquele inicial que foi idealizado. Ele é muito pior e mais perigoso”, disse o advogado e coordenador da Conectas.

 

Rafael Custódio explica que entre os artigos que a organização vai pedir que sejam vetados está o que trata da apologia ao terrorismo e o que diz respeito ao terrorismo contra bens públicos e privados.

 

O texto final do projeto, um substitutivo apresentado pelo relator Arthur Maia (SD-BA), exclui os movimentos sociais do crime de terrorismo, criando uma espécie de salvaguarda. No dia da aprovação do projeto, o deputado disse que sua proposta deixa claro que os movimentos sociais e as manifestações políticas não serão enquadrados na Lei Antiterrorismo. Esse artigo que trata dos movimentos sociais havia sido retirado do texto aprovado pelo Senado e foi retomado pela Câmara.

 

Movimentos sociais e parlamentares que são contra o projeto, no entanto, argumentam que, mesmo com a cláusula de exclusão, o projeto tem uma tipificação ampla para o crime de terrorismo que poderá ser usada para reprimir movimentos sociais e manifestações populares. Argumentam também que o texto deixa margem para interpretações subjetivas da Justiça.


 

Rafael Custódio avalia que, mesmo com as salvaguardas, o texto do projeto de lei continua sendo impreciso e ameaçador de liberdades. “A lei aprovada é subjetiva de modo desproporcional, é muito aberta e, por isso, pode ser usada para criminalizar movimentos reivindicatórios e de protesto de qualquer natureza”. E completa “Não basta o texto da lei prometer uma exclusão de responsabilidade porque o aplicador da lei não vai ter necessariamente esse juízo de valor, esses critérios preestabelecidos. A salvaguarda não é suficiente para proteger o direito de protesto.”
 

Anistia pede rejeição total

 

A Anistia Internacional divulgou nota pedindo que a presidenta rejeite integralmente o projeto. Para a Anistia, o texto dá margem à maior criminalização de manifestantes e movimentos sociais e a diferentes interpretações na Justiça.

 

“A ressalva de que [a normal] visa proteger movimentos sociais, sindicatos e manifestações não é garantia de que a Lei Antiterrorismo não será usada contra esses grupos”, diz a ONG. E acrescenta “O projeto de lei aprovado é demasiadamente amplo, vago e não cumpre o requisito básico de qualquer lei penal de ser específica em sua tipificação, estando sujeito a uma interpretação subjetiva por parte do sistema de Justiça”.

 

O Greenpeace informou ter encaminhado nota para e-mails da Presidência da República pedindo que a presidenta Dilma vete o projeto. Na nota, o Greenpeace afirma que o projeto de lei representa um atentado à democracia no país.

 

“Uma variedade enorme de condutas criminosas já previstas em lei pode passar ao mesmo tempo a ser enquadrada como terrorismo, ao sabor da interpretação dos agentes de poder. Por mais que o governo tente negar, na prática, a lei significa que qualquer pessoa, lutando publicamente por seus direitos, pode vir a ser enquadrado como terrorista”, diz o texto.

 

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também divulgou nota de repúdio à tipificação do terrorismo e pede que a presidenta Dilma vete integralmente o projeto. “A proposta é desnecessária, porque já existem leis mais que suficientes para enquadrar qualquer eventual ação de grupos terroristas no Brasil.”

 

O Escritório para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos também manifestou preocupação com a Lei Antiterrorismo. Em nota à imprensa, o escritório divulgou seu posicionamento sobre o texto aprovado no Congresso. A nota do órgão da ONU diz que a lei inclui definições vagas e imprecisas e que as disposições nela expressas, por si só, não garantem que não seja usada contra manifestantes e defensores dos direitos humanos.

 

Durante a votação do projeto na Câmara, na tarde de quarta-feira (24), diversas organizações participaram de um tuitaço com a hashtag #eunãosouterrorista.






Fonte: Agência Brasil

Justiça seletiva indica o ‘lado certo’ à corrupção

Função das penas judiciais nas sociedades civilizadas não é apenas punir quem comete crimes. A função mais importante é passar a mensagem para toda a sociedade de que "o crime não compensa", dissuadindo todos de cometerem delitos. Tal assertiva, utilizada à exaustão pelo Judiciário brasileiro nos dias atuais, começando por Joaquim Barbosa no julgamento do Mensalão e coroada com a Operação Lava Jato de Sérgio Moro, porém, não tem surtido o efeito desejado.


A razão é simples, descreve Helena Sthephanowitz em texto inspiradíssimo publicado na Rede Brasil Atual: o seletivismo moral da Justiça. A prática moderna de nosso sistema punitivo, denunciado pela presidente Dilma Rousseff (PT) na carta endereçada ao PT por ocasião de seus 36anos, é que os agentes públicos não gozam da mesma prerrogativa, dependendo de sua matiz partidária.


“Essa mensagem não funciona quando o próprio poder Judiciário deixa impune quem fica ao abrigo de alguns intocáveis grupos de poder. A mensagem passa a ser outra: ‘O crime pode compensar se não ficar do lado errado’. Por aqui, o ‘lado certo’ para corruptos ficarem impunes tem sido o da oposição comandada por tucanos, democratas e afins, juntamente com os milionários grupos de mídia.”


Helena cita como exemplo a opção do ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, de priorizar o julgamento do mensalão petista e deixar o mensalão tucano, anterior ao primeiro, para segundo plano – e apesar de acumular inúmeras denúncias, evidências e provas.


Ela explica que, com uma arbitrariedade como essa, “em vez de diminuir a corrupção na política, Barbosa criou o caldo de cultura que levou à eleição de um Parlamento, em 2014, que colocou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara, com apoio velado das mesmas grandes empresas de mídia que amplificaram o ‘mensalão’ petista.” Para Helena, até hoje essas forças políticas se sentem confortáveis em manter Cunha lá, pois os representam e representam seus interesses econômicos e de poder – apesar de, igualmente, acumular contra si denúncias, evidências e provas de envolvimento em corrupção e recebimento de propinas.


Na Lava Jato, relata, as investigações sobre petistas são “priorizadas a jato”. Sobre tucanos, ou não vem ao caso, ou são “engavetadas a jato ou jogadas para segundo plano”.


“Investigações que lincham a imagem da Petrobras, inclusive alimentando processos movidos no exterior contra a empresa, andam a jato. Sobre empresas estrangeiras que pagaram propinas a diretores corruptos da estatal, se é que está havendo alguma investigação profunda de fato, são cercadas de sigilo e há todo um cuidado especial de não expor à execração pública.”


A artiulista faz um sério alerta: “Na Itália, a operação Mãos Limpas levou ao poder Berlusconi. No Brasil, o seletivismo do ‘mensalão’ levou Eduardo Cunha à presidência da Câmara. Nesse ritmo de seletivismo judiciário na Lava Jato, a entrega do pré-sal a estrangeiros fará o ‘petrolão’ parecer ‘petrolinho’ diante do ‘petrolón’ transnacional que já está dando sinais de vida.



Fonte:  Brasil 247

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A caça aos direitos fundamentais

 

As violações aos direitos do criminoso de colarinho branco homologam as violências maiores diariamente praticadas contra os pobres.
 


O combate à corrupção, em todos os níveis nos quais se manifeste, deve ser levado a cabo com a exemplar punição de seus agentes, onde quer que se acastelem, independentemente da cor do colarinho. Esta obviedade não é objeto de questionamento nem mesmo pelos defensores dos acusados mais notórios.

 
A ação apuradora-punitiva, porém, salta dos trilhos de seus objetivos éticos e constitucionais quando instrumentaliza perversa e impatriótica campanha midiática voltada para a desmoralização da política, sem a qual – é preciso dizer mil vezes e mil vezes repetir para quem não sofreu os idos da última ditadura – a democracia não sobrevive.

 
Como não sobreviveu a liberdade de imprensa (requisito da democracia) quando se instalou em 1964 a ditadura militar, pleiteada e aclamada e sustentada e defendida pela grande mídia, a de então, que é a mesma de hoje, em sua essência.

As ações de combate à corrupção, são, presentemente, instrumentalizadas pela imprensa e pelos setores partidários derrotados em 2014 com vistas a desestabilizar o governo constitucional e fragilizar a economia brasileira, de si abalada, e mais abalada pela crise internacional (em crescendo desde 2008), que nos acena com uma crise similar ou superior à de 1929.

 
Com o agravamento da crise econômica interna objetiva-se agravar a crise política (a crise permanente, a crise alimentada, a crise política que alimenta a crise econômica, a crise econômica potencializando a crise política) e, assim, levado às cordas, o governo, condenado à paralisia mortal, passa a carecer de meios para enfrentar como deveria a desaceleração da economia que sugere a crise social para um amanhã cuja data de chegada ninguém pode precisar.

 
Conspira-se contra o País, no curto prazo planta-se o caos, como se esse não fosse o fiador dos anos futuros.

 
Uma vez mais é necessário recorrer ao óbvio, desta feita lembrando que o combate à corrupção, que a sociedade reclama, deveria, necessariamente, concentrar-se na apuração das irregularidades e suas respectivas responsabilidades, no ressarcimento do erário e na punição exemplaríssima dos agentes.

 
No entanto, manipulado como vem sendo, transforma-se em aríete com o qual a direita brasileira – em silêncio até 2014 – tenta revogar, ao arrepio dos instrumentos da República, as conquistas sociais e civis de muitas e muitas décadas e solapar o sentimento de brasilidade, fazendo com que nosso povo, descrendo de si, termine descrendo de seu País, renuncie à construção de seu futuro, transforme a esperança em desânimo e se deixe dominar pelo trágico complexo de vira-lata.

 
Cria-se, assim, o ambiente favorável às concessões cívicas que compreendem desde a desestruturação do Estado social ao punitivismo, com aceitação da brutalidade como resposta, num regressivismo penal que revoga as conquistas do direito moderno.

 
Qual o preço que uma sociedade razoavelmente sadia e na plenitude de seu discernimento se dispõe a pagar para livrar-se da ação criminosa de agentes da corrupção capitalista?

 
Aqui entra em debate uma questão delicada, a sempre difícil relação entre fins e meios.

 
O combate à impunidade justifica a violação do princípio constitucional (art. 5º, LVII) da presunção da inocência? Justifica a derrogação do direito de ampla defesa, ou a imputação de pena de restrição da liberdade sem prévio julgamento, ou a prisão para a apuração de responsabilidade, substituindo a prisão que só se decreta após a apuração do crime e seu julgamento passado em julgado?
A simples suposição do fato delituoso justifica a prisão e a exposição midiática difamante?

 
Quando a investigação serve de disfarce à disputa política, o réu escolhido passa a ser culpado até prova em contrário, e dessa forma o ônus da prova (invertendo a lógica jurídica) passa a recair sobre ele.

 
Nesse esquema, o indício passa a ser tratado como evidência, e a suposição assume ares de certeza cabal. Se fulano recebeu dinheiro, a remessa haverá de ter sido ilegal. Se um acusado cita "L", ele é forçosamente "Luiz", e Luiz há de ser Luiz Inácio Lula da Silva. Transporta-se para nossos dias a lógica da raposa em seu diabólico diálogo com o cordeiro, imortalizado na fábula clássica e sempre atual de La Fontaine.

 
Assim era na última ditadura brasileira e assim é em toda ditadura e em todos os momentos de exceção jurídica: prende-se, a partir de suposições ou ilações, para apurar a acusação. Todo inquisidor tem sua lista de suspeitos prévios. Não é assim nas democracias. Nelas, só a apuração do delito leva à condenação e esta, à prisão.

 
O Estado de direito democrático, ou isso que logramos construir no Brasil (na realidade, isso que a duras penas está em construção entre nós desde a Constituição de 1988), está nitidamente em xeque.

 
Insatisfeitos com as respostas da política, setores da população, sobretudo uma boa parte da classe média – vítima de um processo ao mesmo tempo de lavagem cerebral e intoxicação ideológica, levado a cabo de maneira permanente e sistemática pelos meios de comunicação de massa –, parece encantada com a espetacularização e midiatização do processo judicial, e os abusos correspondentes. Não se dão conta de que quando um direito é violado para punir um acusado a vítima é toda a ordem constitucional, e nela os direitos e garantias individuais que visam não à proteção do poderoso – que não precisa do direito para defender-se –, mas do homem comum, o homem do povo que mais desprotegido se encontra quando não pode contar, em sua defesa e proteção, com o aparelho estatal.

 
Nessa reação, o sentimento de justiça é contaminado pelo de vingança, a vingança de um povo cansado da impunidade dos poderosos, e esse sentimento é mobilizado pelos meios de comunicação de massa, espetacularizando as prisões e legitimando as violações de direito.

 
Como explicar às pobres vítimas dos meios de comunicação que uma agressão ao direito do outro é uma agressão, também, a elas, ao direito delas?

 
Como explicar que as violações aos direitos do criminoso de colarinho branco, ainda que aplaquem nossa raiva interior, terminam homologando as violências maiores diariamente praticadas contra pobres pelo sistema policial e pelo sistema judiciário, cego quando se trata de vê-los?

 
Ora, o policial ou o juiz que viola o direito do rico, que pode ameaçá-lo, terá limites quando em suas mãos estiver a incolumidade física ou a liberdade do infrator pobre e sem proteção política?

 
A normalização da violência é a maior ameaça aos pobres, ainda quando possa atingir momentaneamente a uma meia dúzia de empresários.

 
O direito precisa sempre ser respeitado e só quando a estrita obediências às suas normas e princípios se observa como regra vigente sobre todos os cidadãos, e apenas quando é observado por todas as autoridades, é que se torna uma norma também para os pobres. Não pense o homem do povo que, na sociedade de classes, a ordem autoritária ou o arbítrio de um policial, de um promotor ou de um juiz poderão assegurar-lhe qualquer sorte de proteção.

 
A pregação ideológica dos meios de comunicação oligopolizados (em si uma inconstitucionalidade que os põe à margem do direito e da legalidade) contribui para uma onda de reacionarismo e primitivismo político que investe contra avanços sociais.

 
Os grandes meios apostam na ignorância (que reproduzem), na intolerância (que incentivam), no individualismo (que estimulam). Insaciáveis, agindo em uníssono, uniformizados ideologicamente, coerentes no mesmo projeto político, assumem o papel de construtores da história; para além de narrar, criam o fato e interferem em seu andamento, constroem a realidade, comandam a política, dirigem o discurso da oposição, pautam os partidos e o debate social ditando o que se deve ouvir e principalmente excluindo o que não querem que seja discutido, e assim não se discute que país queremos e que país estamos construindo.

 
Elegem adversários (que precisam ser eliminados) e amigos que precisam ser protegidos. Olímpicos, assumem o papel de supremos julgadores, e esgrimam o monopólio da verdade. Julgador e justiceiro, o monopólio elege suas vítimas (poupando desassombradamente seus aliados políticos) e as condena à execração pública, a pior das penas, pois não admite recurso, apelação ou sursis.

 
O homem público previamente condenado pelos meios de comunicação jamais conhecerá absolvição. A esta pena, a propósito, já foi condenado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vítima da vendeta dos meios de comunicação purgando não seus erros, mas os acertos de seus oito anos de governo popular.


Este massacre mediático, impiedoso, injusto, é caso exemplar de unidade de ação e propósitos de policiais, procuradores e juízes, sob o comando político-ideológico dos meios de comunicação, unificadas todas essas forças na caça ao ex-presidente, o réu previamente condenado e punido, independentemente de culpa. A pena foi decretada, e está em execução. 




Fonte: Vermelho

O governo chegou à conclusão de que o objetivo do juiz Sérgio Moro é derrubar a presidente Dilma Rousseff

 
Foram necessários pouco mais de dois anos de Operação Lava Jato para que o governo federal se convencesse de que o juiz Sergio Moro, que conduz força-tarefa curitibana, possui uma agenda política, que contempla objetivos como a destruição do Partido dos Trabalhadores, a derrubada da presidente Dilma Rousseff e a inviabilização da eventual volta do ex-presidente Lula ao poder.
 
Essa conclusão foi tomada pelo núcleo político do governo federal após a mais recente etapa da Lava Jato, batizada como Acarajé, que levou à prisão o marqueteiro João Santana, responsável pela campanha da presidente Dilma Rousseff. Isso fará com que, a partir de agora, ministros do governo federal passem a confrontar explicitamente as posições do juiz paranaense e de integrantes da força-tarefa.
 
O primeiro a agir dessa maneira foi Ricardo Berzoini, ministro da Articulação Política. Ele afirmou, em entrevista à agência Reuters, que há uma tentativa de se fazer um "impeachment cautelar" para evitar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018. Depois de afirmar que "algumas coisas no Brasil estão sendo tratadas de maneira muito precipitada", Berzoini foi questionado se essa era uma crítica direta ao juiz Moro. "Claro que é uma crítica. Eu acho que a lógica desse processo (operação Lava Jato) está comandada por uma visão midiática e uma tentativa de criar um clima de constrangimento no país", disse o ministro.
 
Integrantes do núcleo político do governo federal se convenceram de que o objetivo da etapa Acarajé é justamente alimentar as quatro ações movidas no Tribunal Superior Eleitoral pelo PSDB que pedem a cassação da chapa Dilma-Temer e a diplomação do senador Aécio Neves (PSDB-MG) como novo presidente da República.
 
Há também indignação no governo federal com o fato de nada ter sido feito em relação ao senador Aécio, no âmbito da Lava Jato. Embora tenha sido citado por vários delatores, seus casos têm sido arquivados nos tribunais superiores por falta de provas. O que se diz, no Palácio do Planalto, é que não há provas porque não houve empenho, por parte da força-tarefa curitibana, em buscá-las. Aécio já foi citado como responsável por um mensalão em Furnas, durante o governo FHC, e como o "mais chato" cobrador de propinas da UTC.
 
A mudança do governo federal em relação a Moro e sua equipe representa uma inflexão importante. Até agora, nenhum ministro, em especial José Eduardo Cardozo, da Justiça, ousava fazer qualquer crítica à Lava Jato. Ao contrário, o que se dizia era que a Lava Jato era mérito do governo federal, que permitia toda e qualquer investigação, doa a quem doer.
 
A partir de agora, no entanto, Moro passará a ser confrontado por diversos ministros. Talvez, porque a água tenha batido no pescoço.
 
 
Por Francisco Castro
Do 247
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