terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

CPI da Previdência já tem assinaturas suficientes para ser instalada

Senador Paulo Paim (PT-RS) anunciou já ter coletado dois apoiadores mais do que o mínimo necessário. Na internet, petição se aproxima da meta, de 20 mil assinaturas
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 Senador Paulo Paim está otimista com possibilidade de abertura de CPI para apurar situação fiscal da Previdência



São Paulo – Um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar a real situação da Previdência Social no país já conta com 29 assinaturas – duas mais que o mínimo necessário –, coletadas pelo mandato do senador Paulo Paim (PT)-RS). "O governo diz que a Previdência é deficitária, mas nós dizemos que é superavitária. Queremos, então, tirar a prova e saber quem são os maiores devedores, além de entender como é a história das fraudes, sonegações e anistias", argumenta Paim.


O senador informou que fará o pedido formal de instalação da CPI da Previdência ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), nos próximos dias.O pedido recebeu assinaturas até mesmo de senadores do PMDB, partido do presidente Michel Temer, e de outros partidos governistas. Com a adesão de membros da base aliada, o debate em torno da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, que trata da Reforma da Previdência, deve se intensificar entre governo e oposição, logo após o Carnaval.


"Nós começamos no Senado colher assinaturas para uma CPI da Previdência Social com uma palavra de ordem: parem essa bomba de reforma e vamos ver quem está com a razão", disse Paim. Ele considera a CPI fundamental para ver quem está roubando a previdência de todos os brasileiros. Entidades ligadas à auditoria fiscal apontam R$ 400 bilhões em dívidas que precisam ser cobradas dos empresários. "Se pegarmos os grandes devedores, aí se comprovará, mais uma vez, que não há déficit na Previdência, mas superávit. Esse discurso falso do governo golpista não se sustenta", afirmou o senador, em reportagem da Agência PT no Senado.


Ao jornal Dia, Paim afirmou que tem sofrido pressão por parte do governo para que não dê seguimento à criação da CPI. "O governo está fazendo terrorismo, inclusive ameaçando senadores para que eles retirem o nome, mas quem não deve não teme. Quem tem medo de uma investigação?", questionou.




Se instalada, a comissão terá 120 dias para convocar pessoas para depor, ouvir testemunhas, requisitar documentos e determinar diligências, entre outras medidas que julgue necessárias para as investigações sobre a real situação da Previdência.


A PEC 287, que trata da reforma da Previdência, altera regras para que o trabalhador acesse benefícios previdenciários, como estabelecer idade mínima de 65 anos para homens e para mulheres darem entrada no pedido de aposentadoria junto ao INSS, além de impor mecanismos diferentes de cálculo e o fim da cumulatividade de pensão com aposentadoria, entre outros pontos.


A medida tem recebido fortes críticas de parlamentares da oposição e até membros da base aliada de Michel Temer, que se queixam do caráter austero da proposta.





Fonte: Rede Brasil Atual

Lula rebate Estadão: curandeirismo jurídico

Advogados do ex-presidente rebatem editorial publicado nesta terça-feira 28 pelo jornal O Estado de S. Paulo em que diz que a condenação do ex-presidente Lula "é certa"; para a defesa, trata-se de "curandeirismo jurídico", que não apresenta, apesar de dizer que "sobram provas" contra o petista, "qualquer argumento jurídico para sustentar sua posição e a tese que pretende reforçar junto aos leitores. A realidade é bem diversa daquela exposta pelo jornal"; a nota acusa ainda a mídia de "acumpliciamento" com o juiz Sergio Moro, pelo fato de o editorial "confundir a combatividade de nossa atuação" com "tentativas de irritar o magistrado"; jornal da família Mesquita pede a condenação de Lula por medo de que ele vença as próximas eleições presidenciais



A defesa do ex-presidente Lula divulgou uma nota em que rebate o editorial divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira 28. No texto, o jornal da família Mesquita diz que a condenação de Lula "é certa", uma vez que "sobram provas contra ele".

Para a defesa, trata-se de "curandeirismo jurídico" do jornal, que não apresenta "qualquer argumento jurídico para sustentar sua posição e a tese que pretende reforçar junto aos leitores. A realidade é bem diversa daquela exposta pelo jornal".

A nota acusa ainda a mídia de "acumpliciamento" com o juiz Sergio Moro, pelo fato de o editorial "confundir a combatividade de nossa atuação" com "tentativas de irritar o magistrado". O jornal pede a condenação de Lula por medo de que ele vença as próximas eleições presidenciais.


Leia a íntegra da nota dos advogados:
Nota


A pretexto de analisar a visão política de um dos membros do Partido dos Trabalhadores (PT) em entrevista concedida ao Valor, o jornal O Estado de S.Paulo volta a praticar curandeirismo jurídico em seu editorial de hoje (28/02) para sustentar que "se os processos contra Lula forem analisados somente no âmbito jurídico, a derrota do petista é certa". O próprio jornal, no entanto, não apresentou qualquer argumento jurídico para sustentar sua posição e a tese que pretende reforçar junto aos leitores. A realidade é bem diversa daquela exposta pelo jornal.


Em uma das ações penais que o Ministério Público Federal promoveu contra Lula, valendo-se do espalhafatoso e indigno uso de um Powerpoint que chocou a comunidade jurídica nacional e internacional, sustentou-se que o ex-Presidente teria organizado um esquema que possibilitou o desvio de valores de três contratos firmados entre a Petrobras e uma empreiteira, e o produto desse ilícito teria sido utilizado para a "compra de governabilidade" (daí o aumento da base parlamentar em seu governo) e resultado em benefícios pessoais (a propriedade de um apartamento "tríplex" no Guarujá, SP, e o pagamento da armazenagem de parte do acervo presidencial.


As 65 testemunhas ouvidas, até o momento, nessa ação - sendo 27 selecionadas pelo Ministério Público Federal - quebraram a espinha dorsal da acusação. Nenhuma, inclusive os notórios delatores da Lava Jato, fez qualquer afirmação que pudesse vincular Lula a qualquer desvio na Petrobras, à propriedade do triplex ou ainda a recursos utilizados para a armazenagem do acervo presidencial. Ao contrário, os depoimentos apontaram a colossal distância entre esses supostos ilícitos na petroleira – que não foram identificados, diga-se de passagem, por qualquer órgão de controle interno ou externo – e o ex-Presidente Lula.


Foi nessa mesma ação penal que o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, ao ser confrontado com a prática de ilícitos na Petrobras no período em que era o dirigente máximo do País, com o envolvimento de alguns dos mesmos atores que hoje figuram na Lava Jato, reconheceu que "o Presidente da República não tem como saber de tudo". FHC também esclareceu que mantém seu acervo presidencial através de doações, exatamente como fez Lula.


Tamanha é a segurança na inocência de nosso cliente que pedimos - também nessa ação - a realização de uma prova pericial que pudesse analisar, dentre outras coisas, se algum valor desviado da Petrobras foi utilizado em benefício do ex-Presidente Lula. Mas a prova foi negada pelo juiz sem maior fundamentação. E por quê? Simplesmente, porque iria demonstrar, de uma vez por todas, que nenhum valor proveniente da Petrobras foi usado para beneficiar Lula. Outras provas requeridas também foram negadas da mesma forma.


Quem acompanha o que acontece na 13ª Vara Federal de Curitiba - presencialmente ou pelas gravações realizadas - sabe a distância entre o que afirma O Estado de S.Paulo e a condução real das audiências pelo magistrado responsável pelos processos. São rotineiramente desrespeitadas expressas disposições legais, como aquelas que asseguram às partes o direito de gravar as audiências independente de autorização judicial. A OAB/PR já aderiu à nossa impugnação sobre o tema e deu prazo para o magistrado se explicar.
O jornal confunde a combatividade de nossa atuação – que deveria nortear a conduta de qualquer advogado - com tentativas de "irritar o magistrado", deixando evidente a falta de seriedade de sua análise e a conivência do diário com as ilegalidades praticadas naquele órgão judiciário.


Aliás, esse acumpliciamento entre o juízo e alguns setores da imprensa está longe de ser novidade. Quando o principal ramal do nosso escritório foi interceptado, gravando a conversa de 30 advogados, o jornal ficou absolutamente silente, a despeito de violação flagrante às nossas prerrogativas. Bem diferente foi a posição quando se buscou quebrar o sigilo de jornalistas, o que mostra o casuísmo presente nas análises.


Os abusos praticados contra Lula pelo juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba não são denunciados apenas por nós, seus advogados. No último dia 26.02, por exemplo, o próprio O Estado de S.Paulo veiculou entrevista com Nelson Jobim, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e com atuação nas mais diversas áreas do governo, afirmando que a condução coercitiva de Lula foi arbitrária. Ele também lembrou outros atentados jurídicos praticados contra o ex-Presidente pelo mesmo juiz.


Aliás, foi esse cenário de flagrantes arbitrariedades e ilegalidades, que afrontam claramente as garantias fundamentais de Lula, associado à ausência de um remédio eficaz para paralisá-las, que motivou o Comunicado de junho de 2016 ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, que assinamos juntamente Geoffrey Roberston, um dos maiores especialistas no mundo sobre o tema. Em momento algum deixamos de apresentar, com técnica jurídica, a defesa em favor de Lula.


A propósito, não só elaboramos consistentes trabalhos jurídicos de defesa, como tornamos publico esse material (site www.averdadedelula.com.br). Oportuno lembrar, ainda, que o Congresso Nacional reconheceu em 2009 a possibilidade de qualquer brasileiro levar um comunicado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, de forma que a providência tem expresso amparo na legislação nacional. Os erros já cometidos pelo jornal no acompanhamento da tramitação do comunicado em Genebra também são a prova cabal da clara e deliberada confusão entre a opinião do diário e a apuração jornalística. A segunda está a reboque da primeira.


Das demais ações penais propostas contra Lula nesse assédio de alguns membros do MPF, com o cristalino objetivo de prejudicar ou inviabilizar sua atividade política, existe uma em estágio mais avançado, que tramita perante a 10ª Vara Federal de Brasília. Essa ação penal trata da – absurda – "compra do silêncio de Nestor Cerveró" e está baseada exclusivamente em acusação feita pelo senador cassado Delcídio do Amaral em delação premiada negociada com o MPF, que permitiu que ele deixasse a prisão. A ação foi proposta sem que Cerveró sequer tivesse sido ouvido sobre essa acusação de Delcídio, mostrando que a apuração ou a verdade dos fatos não foram os nortes seguidos pelos acusadores. Também os depoimentos ali colhidos mostram o óbvio: Lula jamais participou de qualquer ato objetivando interferir, direta ou indiretamente, na delação de Nestor Cerveró. O próprio delator deixou claro esse fato quando foi ouvido em juízo, na mesma linha seguida pelas demais testemunhas.


Esse balanço é suficiente para mostrar as impropriedades cometidas pelo jornal, em seu editorial de hoje, sob o disfarce de uma análise jurídica para a qual sequer dispõe de expertise e isenção para realizar. Sintomática igualmente a afirmação ali contida de que "sobram provas" contra Lula, mas nenhuma foi apontada, exatamente porque não existem! São apenas fruto de construções grosseiras, que O Estado de S.Paulo insiste em reverberar, com a divulgação constante de erros factuais em sua pretensa cobertura jornalística "isenta".




Fonte: Brasil 247

Brasil não preserva uma boa imagem internacional depois de impeachement

 Lula Marques/ Agência PT: <p>Brasília- DF 01-07-2015- Vice-Presidente Michel Temer, Eduarado Cunha, Renan Calheiros, Presidente do PT, Rui Falcão durante posse da presidente do PCdoB, Luciana Santos. Foto: Lula Marques/ Agência PT</p>

O Brasil era um dois países mais admirados do mundo, hoje é um dos mais desprezados, depois do golpe parlamentar liderado por Eduardo Cunha, que colocou Michel Temer no poder.

No ano passado,nada menos que 81% das reportagens sobre o País publicadas em 14 veículos internacionais foram negativas.

Este levantamento, que começou a ser feito em 2009 pela empresa Imagem Corporativa em 2009, revela que o Brasil foi do céu ao inferno.

No primeiro ano da pesquisa, nada menos que 80% das reportagens eram positivas.

Esse processo de autodestruição nacional foi decisivo para a contaminação da imagem do País, assim como o assalto à democracia.

Na opinião do escritor português Miguel Sousa Tavares, o impeachment foi uma assembleia de bandidos presidida por um bandido.

Com Temer, o Brasil já teve oito ministros que deixaram o cargo por suspeitas de corrupção e o País ainda passou o vexame de ver seu ministro da Cultura, Roberto Freire, agredir Raduan Nassar, o maior escritor brasileiro vivo, durante a entrega de um prêmio literário binacional.



Fonte: Com informações do Brasil247.com

A fala do comandante do Exército e a indicação de Moraes para o STF


O general comentou a calamidade na área de segurança, em que "cerca de 60 mil pessoas são assassinadas por ano, cerca de 20 mil pessoas desaparecem no país por ano e 100 mulheres são estupradas por dia”.

 

No entanto, mesmo diante deste cenário, ele foi categórico ao afirmar que não cabe às Forças Armadas fazer o papel da polícia no combate à criminalidade, e que a sociedade brasileira não necessita ser “tutelada”, como ocorreu no passado. Outra resposta imediata aos setores que pedem intervenção militar.

 

Essa crise na segurança pública foi uma das tarefas entregues ao ex-ministro da Justiça Alexandre de Moraes, indicado pela Presidência da República para o Supremo Tribunal Federal (STF) em decorrência da morte do ministro Teori Zavaski.

 

Moraes que, à frente do Ministério da Justiça, apresentou-se mais como uma espécie de chefe da “segurança pública” no país, fracassou na sua missão institucional, uma vez que a Polícia Federal "estima que cerca de 80% da criminalidade seja ligada direta ou indiretamente à droga”, como destacou o general Villas Bôas.


 

Ou seja, ele não conseguiu se impor nem como ministro da pasta de Justiça nem como chefe da “segurança pública” capaz de enfrentar o tráfico de drogas, alinhado à imagem caricata, por ele construída, de "cortador de pés de maconha".

 

Ao ser indicado para o STF sem as credenciais necessárias, por ter fracassado no comandado da segurança pública, fica a sensação de que seu nome pode representar uma desestabilização para o prosseguimento das investigações contra os políticos com mandatos eletivos, que estão sob a responsabilidade do Supremo.

 

Em sua entrevista, o comandante do Exército manifestou, com total convicção, que “hoje somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser”. Vindo esta declaração de um auxiliar e importante autoridade da República, constata-se que não existe governo, neste momento, no Brasil.

 

Nessas bases, a aprovação pelo Senado do nome de Moraes para o STF representará a ratificação completa de que “somos um país que está à deriva”, diante de um desgoverno que trabalha sistematicamente contra os interesses do país (inclusive facilitando a aquisição de terras por estrangeiros, na faixa de fronteira, em risco à soberania nacional).

 

O Brasil está nas mãos de um grupo político que impõe sua sobrevivência à custa dos interesses do povo, num grande conluio contra a nação, sendo que muitos deles respondem a processos criminais no STF e têm seus nomes acobertados na “lista da Odebrechet”.

 

Com certeza, comandante, estamos no fundo do poço e da degradação política!




*Jorge Folena é cientista político

Fonte: Vermelho

Debate sobre foro privilegiado deve ganhar força após o carnaval; veja propostas

Críticos dizem que acúmulo de ações contra políticos no Supremo Tribunal Federal traz morosidade e risco de prescrição; para ministros, mudança mais radical deve ser feita pelo Congresso.

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discussão sobre o fim – ou a limitação – do chamado foro privilegiado de autoridades e políticos deve ganhar força na retomada das atividades do Congresso e do Judiciário após o carnaval.


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já disse que, antes de pautar qualquer iniciativa legislativa sobre o assunto, vai aguardar uma posição do Supremo. Mas , no Congresso, o tema sofre resistência, em razão da possibilidade de muitos parlamentares virem a ser denunciados pela Procuradoria Geral da República, depois do carnaval, com base nas delações de executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht motivadas pela Operação Lava Jato.

O foro privilegiado – ou foro por prerrogativa de função – permite que deputados, senadores, ministros de Estado e outras autoridades só possam ser investigados com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), única instância na qual são julgados por crimes comuns.

Embora os casos mais lembrados se relacionem a investigações das quais são alvos ministros e parlamentares no STF, o foro privilegiado abrange, conforme levantamento recente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), mais de 45 mil ocupantes de cargos públicos – prefeitos, secretários de governo, juízes, promotores e outras autoridades cujas ações tramitam em instâncias superiores ao primeiro grau da Justiça.



Balanço recente do ministro Luís Roberto Barroso, que defende o fim do foro privilegiado (veja no vídeo acima), mostra que só no STF tramitam atualmente cerca de 500 processos que envolvem parlamentares, dos quais 357 investigações e 103 ações penais.

O número deve crescer substancialmente quando a Procuradoria Geral da República (PGR) pedir novos inquéritos com base na delação premiada de 77 executivos da Odebrecht na Operação Lava Jato – na colaboração, estima-se que tenham sido citados 200 políticos.

Criada no regime militar e ampliada pela Constituição de 1988, a prerrogativa de foro teve como premissa evitar a pressão de políticos sobre juízes locais contra adversários.

Quase 30 anos depois, o instituto é criticado por prolongar processos as quais respondem deputados e senadores, levando muitos casos à prescrição (situações em que a demora para o julgamento obriga o Judiciário a arquivar a ação).

Segundo Barroso, desde 2001, quando o STF passou a julgar parlamentares sem necessidade de autorização do Congresso, mais de 60 prescrições ocorreram.

Enquanto um tribunal de primeira instância recebe uma denúncia com cerca de uma semana, na Corte o mesmo procedimento (que leva um acusado a se tornar réu) demora, em média 565 dias.

Como as decisões do STF não podem ser objeto de recursos a uma instância superior – já que é a mais alta Corte do país – as regras internas impõem uma análise mais rigorosa e prolongada para cada fase da tramitação de um processo.

Recentemente, numa proposta interna para reduzir o alcance do foro (leia mais abaixo), o ministro disse que o mecanismo se tornou um “mal” para o STF e para o país.

“Há três ordens de razões que justificam sua eliminação ou redução drástica. Em primeiro lugar, existem razões filosóficas: trata-se de uma reminiscência aristocrática, não republicana, que dá privilégio a alguns, sem um fundamento razoável. Em segundo lugar, devido a razões estruturais: Cortes Constitucionais, como o STF, não foram concebidas para funcionarem como juízos criminais de 1º grau, nem têm estrutura para isso. O julgamento da Ação Penal 470 (conhecida como Mensalão) ocupou o Tribunal por um ano e meio, em 69 sessões. Por fim, há razões de justiça: o foro por prerrogativa é causa frequente de impunidade porque dele resulta maior demora na tramitação dos processos e permite a manipulação da jurisdição do Tribunal”, escreveu Barroso.

A maior dúvida, como expressou recentemente o relator da Operação Lava Jato na Corte, ministro Edson Fachin – também crítico da extensão do foro –, é a quem cabe fazer a mudança: se ao próprio STF ou ao Congresso.

“Essa é uma discussão que se pode ter. Até aqui não houve essa restrição, mas é um debate que se pode colocar. Mas entendo que substancialmente deve ser o Congresso a discutir essa questão”, disse na semana passada o ministro Gilmar Mendes.

 

Propostas


Câmara

Na Câmara, existem menos 14 propostas – a mais antiga de 2005 – para retirar o foro de deputados e senadores, que passariam a ser processados por juiz de primeira instância.

A proposta, porém, está parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), à espera da designação de um relator (deputado que dá um parecer sobre a matéria e leva o texto à discussão). Outras quatro propostas semelhantes foram juntadas a essa e por isso têm tramitação conjunta.

Duas outras propostas, de 2007, mantêm o foro apenas para os chamados crimes de responsabilidade – aqueles estritamente ligados ao exercício do mandato. Uma dessas está pronta para votação no plenário da Casa.

Há ainda propostas em tramitação para mudanças menos drásticas: uma mantém no STF a análise de denúncia ou queixa-crime contra deputados e senadores. Recebida a denúncia, os autos seriam remetidos à Justiça Federal ou comum, a quem caberá processar e julgar a causa.

Outra prevê a criação de vara especializada da Justiça Federal para julgar as infrações penais de parlamentares, ministros do STF e ministros do Executivo, além dos crimes de responsabilidade cometidos por ministros do Executivo e de membros dos tribunais superiores.

Mas também há textos que ampliam o foro privilegiado no STF, estendendo-o para o defensor público-geral federal, membros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Senado

No Senado, estão em tramitação pelo menos quatro propostas de emenda à Constituição (PECs) com o objetivo de diminuir os casos em que se aplica o foro privilegiado.

A PEC em estágio mais avançado é a que extingue o foro especial por prerrogativa de função nos casos em que as autoridades – presidente, senadores e deputados, entre outras – cometem crimes comuns, como, por exemplo, roubo e corrupção.

“Hoje, o foro especial é visto pela população como privilégio odioso, utilizado apenas para proteção da classe política – que já não goza de boa reputação –, devido aos sucessivos escândalos de corrupção", disse o relator da proposta, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

De autoria de Álvaro Dias (PV-PR), o texto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e está pronto para ser analisado no plenário do Senado. Mas não há consenso entre os líderes partidários para que o texto seja colocado em votação.

Na semana passada, Randolfe Rodrigues anunciou que vai colher assinaturas de senadores para que o texto tenha um calendário especial de votação e que sejam agendadas datas para análises em 1º e 2º turno no Senado.

Supremo

A mais recente e importante proposta em discussão no STF foi lançada pelo ministro Luís Roberto Barroso.
Ele é relator de uma ação penal por suposta compra de votos à qual responde o prefeito de Cabo Frio (RJ), Marquinhos Mendes (PMDB), que, desde 2008, já tramitou por diversas instâncias cada vez que o político mudou de cargo.

A proposta restringe o foro para ministros de governo ou parlamentares no STF àqueles casos em que o fato investigado tem relação com o cargo ou o mandato e não com atos anteriores daquela autoridade.

“Essa interpretação se alinha com o caráter excepcional do foro privilegiado e melhor concilia o instituto com os princípios da igualdade e da República. Além disso, é solução atenta às capacidades institucionais dos diferentes graus de jurisdição para a realização da instrução processual, com maior aptidão para tornar o sistema de justiça criminal mais funcional e efetivo”, escreveu o ministro, ao submeter o caso de Marquinhos Mendes ao plenário da Corte.

Em 2012, numa entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, o ministro Celso de Mello disse ser possível ao STF fazer tal mudança, mas defendeu uma solução mais “radical”: “a supressão pura e simples de todas as hipóteses constitucionais de prerrogativa de foro em matéria criminal”.

“Poderia até concordar com a subsistência de foro em favor do presidente da República, nos casos em que ele pode ser responsabilizado penalmente, e dos presidentes do Senado, da Câmara e do Supremo. E a ninguém mais”, disse à época.

Assim como Mendes, Barroso e Celso de Mello concordam, porém, que uma mudança dessa envergadura depende de mudança na Constituição pelo Congresso, que necessita do voto favorável de 3/5 dos parlamentares.

 

 

Fonte: G1

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Governo Temer-PSDB faz com que empresas brasileiras transfiram suas produções para o Paraguai

O presidente interino Michel Temer ao lado de Aécio Neves em seu primeiro discurso

Quando a fabricante de brinquedos Estrela decidiu trocar a China pela América Latina, apostou 2 milhões de dólares em uma nova fábrica, não no Brasil mas no Paraguai.


A unidade, que abre neste mês na cidade fronteiriça de Hernandarias, fica próxima de um parque industrial de 4.500 hectares repleto de empresas brasileiras que fabricam de peças automotivas a roupas.


As scooters elétricas azul-escuras montados por 200 operários na fábrica da Estrela, uma das muitas conhecidas como “maquiladoras”, serão enviados pela fronteira mediante um sistema paraguaio que permite grande redução de impostos para exportadores.



Para Carlos Tilkian, executivo-chefe da Estrela, foi uma decisão fácil abrir a fábrica de montagem na nação de 6,8 milhões de habitantes espremida entre Brasil e Argentina.


“O Paraguai tem vantagens competitivas importantes: energia barata, flexibilidade laboral e encargos sociais baixos nos salários”, disse em entrevista antes da inauguração da fábrica. “No Brasil, isso seria muito mais caro”.


Cada vez mais empresas brasileiras estão indo ao Paraguai desde a eleição do presidente Horacio Cartes em 2013, quando o ex-empresário conduziu a nação à direita, na esteira do impeachment de seu antecessor de esquerda, Fernando Lugo.


Almejando criar empregos, Cartes expandiu uma reforma de 1997 que permitiu que exportadores estrangeiros paguem impostos na faixa de um dígito e os excluem do pagamento de tarifas alfandegárias com medidas adicionais pró-negócios.


Embora mais de 90 por cento dos produtos manufaturados paraguaios sigam para o Brasil, a filiação do Paraguai ao Mercosul também deu a seus exportadores um acesso fácil à Argentina e ao Uruguai.


Desde a posse de Cartes, o número de indústrias estrangeiras no Paraguai quase triplicou, segundo cifras do governo, também estimulado pela pior recessão brasileira da história. O declínio econômico tem obrigado fábricas a cortar gastos para se manterem à tona em meio às taxas onerosas e à burocracia.


Das 126 indústrias manufatureiras estrangeiras hoje em solo paraguaio, quatro quintos são brasileiras – mas a migração de companhias para o sul está revoltando sindicatos brasileiros.


Leia mais em Reuters 


Fonte: Debate Progressivo

"Fora, Temer!" ganha o carnaval e presidente é tema de marchinhas

Bordão gritado por foliões em várias cidades do país está também na letra de marchinhas que fazem sucesso na internet

Desde a sua abertura, na última sexta-feira (24), o bordão "Fora,Temer!" tornou-se a febre do carnaval 2017.  O cantor Russo Passapusso, da banda System, e Caetano Veloso provocaram os foliões de Salvador, que responderam à altura.

A banda baiana, aliás, está sendo ameaçada de ficar fora do carnaval do ano que vem. De acordo com o coletivo Jornalistas Livres, os puxadores do coro "Machistas, fascistas, não passarão", que foi seguido por um "Fora, Temer!", está na mira do Conselho Municipal do Carnaval (Comcar).

Seu presidente, Pedro Costa, declarou ao jornal Correio que a banda pode sofrer punição e até ficar fora do próximo carnaval. Isso porque, segundo o coletivo, o código de ética do carnaval não permite usar o trio elétrico para atacar alguém.

Pedro Costa afirmou ainda" que não se pode transformar o carnaval em palanque político, a despeito dos vários artistas que, ao longo de muitos anos, pararam e continuam parando em frente aos camarotes para tecer elogios aos governantes da linhagem de Antonio Carlos Magalhães".

Ontem foi a vez da multidão de Belo Horizonte, que seguia o Bloco Síndico, gritar "Fora, Temer".
 

O presidente Michel Temer (PMDB), que descansa na base naval de Aratu com forte aparato de segurança para evitar a aproximação de fotógrafos, é personagem de diversas marchinhas.
Confira:  




Fonte: Rede Brasil Atual
Adaptação: #TeamGHammer

 

Pra essa suruba, não tem camisinha!

Alexandre Padilha escreve, em sua coluna desta semana na Fórum, sobre o governo Temer.  “Jucá escancarou parte do sentimento no interior do bloco que construiu o golpe: ‘Se é suruba, todo mundo tem que participar'”. Segundo ele, o Brasil “passa por uma grave crise econômica, política, social e institucional para que uma reunião de atores tão consistente como uma ‘suruba’ seja capaz de conduzi-lo”. O ex-ministro dos governos Lula e Dilma acredita que a reconstrução do país só ocorrerá com um processo de debate que passe pelo voto popular e não escapa de Lula, “que deixa de ser visto como o ex-presidente e volta a ser visto como aposta de futuro”. 

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Uma vez, quando ministro da Coordenação Política do governo Lula, recebi uma ligação do então presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer. Ao contrário do seu tom pausado habitual, ao qual eu já me acostumara, começou tão esbaforido e rápido que nem pude dizer “alô”. Do outro lado da linha ele já dizia: “Padilha, aquilo sobre o qual conversamos esta semana…” Pela minha responsabilidade como ministro, me reunia no mínimo uma vez por semana com os presidentes das duas casas, então não estranhara. “Não vai dar Padilha, não podemos fazer desse jeito, talvez uma maneira seja…”, continuava. Quando o papo parecia que iria descambar para um terreno digamos, não institucional, ao qual eu me restringia nas relações com os parlamentares, resolvi interrompê-lo. “Presidente, acho que o senhor está falando com o Padilha errado.” Do outro lado, aquele susto: “Meu Deus, estou falando com o Padilha do Lula. Ministro Padilha, desculpe-me”.


Eliseu Padilha nunca fez parte e nem foi aceito na base do governo Lula, comportando-se sempre como opositor. Seria uma tremenda quebra de ritual, algo mortal para um ministro das Relações Institucionais, não alertar um então presidente de uma das casas do legislativo de que falava com a pessoa errada. Refeito do susto, o tom pausado e formal retornou: “Devo ter pedido para a minha secretária ligar para o Padilha, o meu, e ela já ligou direto para você. Desculpe-me. Tomarei o devido cuidado. Mas de resto, como vão as coisas?”. E aproveitamos para tratar de temas de votação da Câmara.


Muitos anos depois, com o governo Temer montado, conversando com um ex-ministro dos governos pré-Lula, profundo conhecedor das entranhas do PMDB, ouvi: “Mas Padilha, um governo que tem Geddel, Moreira e Eliseu dentro do Palácio, é inédito na República”. Pelos sinais da sua composição, entende-se uma figura como Fábio Ramalho, alçado à vice-presidência da Câmara, dizer pelo telefone e fazer questão de divulgar para a imprensa: “Estou saindo do seu governo”. Ele há anos é conhecido na Câmara como o “Fabinho liderança”, embora nunca tivesse liderado um partido de peso. Sua capacidade sempre se restringiu a realizar almoços e jantares semanais, regados a boa cozinha mineira, onde todos os parlamentares se sentem a vontade para ir e falar o que estão pensando em fazer.


Governo e lideranças, que não queiram ser surpreendidos, sempre estão presentes para ouvir e ter o mapa real de uma Câmara que ano a ano se desintegra. Não à toa, enfim, Jucá escancarou parte do sentimento no interior do bloco que construiu o golpe: “Se é suruba, todo mundo tem que participar”.


Quem entrou no quarto do golpe sente-se liberado das “amarras” presentes durante os governos Lula e Dilma: não há ritual político de construção de coalizão e seus projetos nos conselhos políticos da coalizão, não há Controladoria Geral da União (CGU) e Policia Federal autônomas e atuantes, não há uma imprensa livre, crítica, nunca censurada, mesmo com um lado claro antigoverno, etc.


Parte do grupo é aquele que hoje não entra no quarto, talvez já tenha entrado um dia, mas deixou disso ou talvez nunca se quer tenha tido pretensão de entrar, mas é quem aluga o quarto, garante a divulgação, a maior parte dos insumos e tem absoluta certeza de que investe porque já ganha e vai ganhar muito dinheiro com tudo isso. É a turma que administra o mercado, cria os produtos, estabelece os meios de divulgação, reúne e financia intelectuais para justificar tudo o que está sendo feito e mantém o taxímetro ligado, cobrando sempre os prazos para o retorno. Liderado pelo setor financeiro global, até porque ele perdeu qualquer base nacional, e seus ideólogos, no curto prazo tem aquela capacidade única de ganhar muito, seja no período de recessão ou de recuperação econômica, seja ela lenta ou não.


No curto prazo, ganham muito ao venderem uma possibilidade em recolocar o Brasil na condição de país que aceitará acriticamente a agenda dos mercados financeiros globais. No médio prazo, sonham e vendem a expectativa de ganharem muito com novos mercados potenciais que se abrem. Em dois segmentos econômicos que acompanhei muito de perto quando ministro de Lula e Dilma, tais movimentos são escancarados. O primeiro da energia, petróleo e gás, que acompanhei ao coordenar o processo político de aprovação do marco regulatório do pré-sal, quando ministro da Coordenação Política de Lula.


O Brasil, seguramente, reúne o maior potencial de energéticos em região livre de conflito bélico, quando se soma ao pré-sal o etanol/biodiesel e seu sistema hídrico. Aqui, é mais do que evidente o violento estupro ao potencial nacional de consolidar um setor de engenharia, planejamento e prospecção, de inovação tecnológica, de ocupação de mercados e território externo, de mecanismos de financiamento para o seu desenvolvimento, de controle e planejamento do uso da reserva mineral e de retorno financeiro a um projeto de saúde e educação públicas de qualidade.


O segundo na saúde, onde o Brasil resiste como o único país com mais de 100 milhões de habitantes que busca garantir saúde pública universal gratuita. A PEC que congela investimentos em 20 anos inviabiliza o projeto de um SUS de qualidade e o esforço de fim de controle sobre o mercado privado de planos de saúde buscam desmontar qualquer amarra e abrir esta plataforma para interesses privados variados. Este setor lidera economicamente e ideologicamente quem detém o capital.


A outra parte do grupo são os donos do aparato jurídico-policial, cuja conivência ou participação ativas são decisivas em qualquer ruptura da ordem democrática, prática não legalizada ou perseguida. Tem ali gente que cresceu e conviveu com o quarto e hoje se contém pela veste de toga. Outros se prostituíram intelectualmente para serem alçados aos atuais postos, o que deveria ser traumático para quem pretende estar nas altas cortes.


Tem a turma que está naquela encruzilhada, nunca entrou no quarto, mas em um primeiro momento se sentiu alçado a um poder quase sacrossanto absolutista, por ter se animado com o indescritível apoio recebido quando os alvos a serem pegos de calça na mão interessavam. Esta turma agora tem um tríplex de frustração: qual o desfecho ao não provar o que imaginava ter convicção e ser questionado por aqueles que antes se interessavam na criminalização de algumas figuras e instituições? O que fazer diante da perda de poder e holofotes? O que fazer com quem se aliou e descobriu que muitos dos seus amigos queridos e companheiros de fila se lambuzavam naquilo que tanto criticaram?


Somam-se aos atônitos, lideranças juvenis e artistas, que emprestaram ao golpe sua energia de mobilização, mas que já haviam revelado estarem dispostos a tudo para acabar com o PT quando deram aquele abraço em Eduardo Cunha. E tem a turma que cresce, se justifica e sobrevive do conflito, da instabilidade, da sensação de insegurança, do ódio e que adora como as pessoas sentem-se agredidas pela política. Neste quesito, Temer e seus ministros oferecem um prato cheio.


O Brasil é um país complexo demais. Apesar de um enorme potencial, passa por uma grave crise econômica, política, social e institucional para que uma reunião de atores tão consistente como uma “suruba“ seja capaz de conduzi-lo.


É importante ter demonstração de uma maioria no Congresso para aprovar o que quiser, como este governo tem demonstrado, claro que é, mas não basta. É bom demais ter a condescendência de uma imprensa que tem se revelado cumprir um dos papéis mais cínicos do pêndulo da crítica permanente ao governo Dilma à blindagem explícita do governo Temer, mas não basta.


Um governo em um país como o Brasil tem que ter capacidade de mobilizar diversos atores econômicos e sociais, em torno de pautas e políticas públicas a serem desenvolvidas. Para isso, precisa ter um time que atue em cada território e em cada tema, mas Temer optou por reunir um ajuntado de interesses menores. Precisa ter um núcleo político capaz de conduzir o governo e enfrentar crises em torno do presidente, mas Temer o constituiu como um clube dos seus parceiros previamente enrolados, operadores de interesses de uma parte do PMDB e não líderes de projetos políticos. Precisa ter um líder, mas Temer não lidera, acomoda interesses que lhe são apresentados à mesa. Precisa ter capacidade de interlocução com o povo, e os patamares de impopularidade pioraram a vida de um político que sempre viveu mais dos bastidores do que da disputa e interlocução permanente com a sociedade. Não à toa, sem propaganda de máscara, como nos anos anteriores, sem bonecos infláveis financiados, sem a força das câmeras e das páginas da grande imprensa para repercussão, o “Fora Temer” virou grito de carnaval.


Temer e a suruba PMDB/PSDB e aliados têm de tudo para continuar sendo um governo como o atual. Começa a semana com vitórias políticas importantes, como a presidência das duas casas e nomeação a jato de um ministro no Supremo Tribunal Federal (STF) e termina com o esfacelamento do seu núcleo político: perda de uma figura importante do seu principal partido aliado, o PSDB. Até quando um governo como esse aguenta, em um país com instabilidade política-institucional? Ninguém pode arriscar. Mas uma coisa é certa, quem financia e propaga a atual agenda de governo e do Congresso, e com isso busca dar de reformistas a turma da suruba, tentará de tudo para mantê-lo enquanto este mostrar-se capaz de entregar cada página rasgada da nossa Constituição.


E a turma do prato jurídico-policial tem dado todos os sinais de que está disposta a tudo. Foi assim nos episódios de Lula cassado de ser ministro da Casa Civil, no acompanhamento judicial do impeachment, na solução mantém Renan e garante pauta no senado, no foro privilegiado de Moreira, e outras virão.


Por isso, o tema da reforma da previdência e a luta para impedi-la é tão crucial neste momento. Nenhuma retirada de direitos é tão palpável para a população, uma preocupação em todas as faixas etárias. Não há tema tão sensível como esse no Congresso Nacional, por mobilizar a base dos parlamentares e um sem número de movimentos corporativos que o ocupam. Sempre foi no caso de presidentes populares, o que falar de um presidente ilegítimo, sem ter passado pelo crivo do voto e com baixa popularidade? Nada pode produzir uma derrota para este governo, até então inédita, no Congresso. Além de corroer a popularidade e a imagem deste governo, é a oportunidade para o campo democrático e popular reconstruir relações com bases sociais desconfiadas da agenda da austeridade do segundo governo Dilma.


A reconstrução da crença popular de que os caminhos para o Brasil superar a crise passam pela política só acontecerá com um processo de debate, que passe pelo voto popular. Sem ele, o hiato de representatividade e de autoridade política para por fim a suruba será permanente. Ninguém se sente representado por ninguém. O episódio recente das idas e vindas da bancada federal do PT na eleição do presidente da Câmara foi um exemplo disso. Por isso, a importância de uma eleição direta o mais rápido possível.


E aqui chega mais uma vez Lula, que deixa de ser visto como o ex-presidente e volta a ser uma aposta de futuro. Se seremos capazes de reconstruir essa crença da maioria da população com a política, hoje a oportunidade disso acontecer passa por Lula. Há uma mudança de vetor e de expectativas. Está aberta a oportunidade para que o campo democrático, que se consertou ao longo do governo Lula, saia da defensiva e retome um movimento propositivo que apresente esperança para o país. É Lula se reunindo com economistas, e só se fala nele. É Lula recebendo solidariedade de juristas, e só se fala dele. É Lula em um encontro da juventude, dos sem-teto, dos sem-terra, dos petroleiros e só se fala dele. É Doria perdendo as estribeiras diante do povo no carnaval, e só se fala de Lula. É Fora Temer descendo a ladeira e o bloco Saudades de Lula subindo outra.


Há um longo processo a ser reconstruído, com humildade, sem otimismo exagerado, nem arrogância, relembrando aqui os anos de 1993/94, quando Lula soava inicialmente imbatível e as elites foram capazes de construir, em poucos meses, um programa, uma aliança política, mudanças nas regras eleitorais e um nome, na época FHC, capaz de nos derrotar. Em 2017/2018 o que vai virar esse jogo: a capacidade do movimento de resistência ao golpe desequilibrar a seu favor a ocupação das ruas com a resistência à reforma da previdência, a retomada do cacoete de oposição para as bancadas no Congresso Nacional e Lula livre, leve e solto, discutindo o Brasil.

alexandre padilha

Alexandre Padilha é médico infectologista, foi ministro da Coordenação Política de Lula, da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde da gestão Fernando Haddad.




Fonte: Carta Capital

Temer na presidência é uma afronta à dignidade nacional

 

Ela era o estandarte, a bandeira tremulante, na qual estava estampada a cruz para liderar o expurgo dos corruptos que haviam se apossado do país. Sérgio Moro parecia ser uma espécie de São Bernardo de Clairvaux, cujos pareceres nos processos e nos mandatos eram verdadeiras chamadas à mobilização de cruzados. Ou, quem sabe, era o bispo Fulk um dos chefes da Cruzada Cátara para combater com violência os hereges porque, entre outras coisas, estes queriam uma maior igualdade.

 
Nas cruzadas do impeachment todos eram santos: os que foram às ruas, os integrantes do judiciário, os porta-vozes da grande mídia, os políticos contrários ao governo Dilma, os deputados do indescritível espetáculo do 17 de abril, os grupos que pregavam a volta dos militares etc. São Michel, com seu cortejo de anjos e arcanjos, haveria de purificar o Brasil com seu jeitinho manso, com sua habilidade de conversar, com sua capacidade de construir consensos. O Brasil, livre dos demônios vermelhos, seria unificado, num estalar de dedos a economia voltaria a crescer e o manto verde e amarelo da ordem e do progresso haveria de produzir paz, contentamento, empregos e opulência.

 
Esta grande mentira, que embebedou boa parte da sociedade, hoje não passa de um espelho estilhaçado em mil pedaços, todos eles refletindo a face da maior quadrilha de corruptos que se apossou do poder. Todos eles refletindo as faces de um grupo indigesto de políticos que se acotovelam para participar da suruba do Foro Privilegiado. Todos eles refletindo as faces de antigos comparsas que agora querem queimar o sagrado estandarte no fogo cruzado que objetiva bloquear a marcha da libertação da terra santa. Até os santos, os chefes dos cavaleiros templários, o São Bernardo, são diariamente chamuscados pelas chamas que vêm das barricadas que tentam bloquear a justiça purificadora.

 
O PMDB, principal beneficiário, se tornou também o principal inimigo da Lava Jato. Já tentou várias manobras no Congresso para detê-la. Agora vêm os ataques públicos. Junto com alguns colunistas e blogueiros de direita, que se valeram de todas as ilegalidades da Lava Jato e do juiz Moro para derrubar o governo Dilma, desferem petardos contra os vazamentos seletivos, contra a criminalização da política, contra as conduções coercitivas, contra a manutenção de acusados na cadeia para que eles façam delações premiadas, contra o "lado obscuro" da operação e assim por diante. Investigar corruptos do PMDB e do PSDB virou sinônimo de "criminalização da política". Contra o PT se tratava de "limpeza moral". Mas a partir do governo Temer, a fetidez do ar bloqueou até mesmo a chuva nos céus de Brasília.
 
O PMDB está na linha de frente no combate à Lava Jato. Age como se fosse uma infantaria, uma espécie de bucha de canhão. Já, o PSDB, age como se fosse um grupo de comando de forças especiais. Usa a inteligência, tem infiltrados poderosos nas trincheiras "inimigas" como Rodrigo Janot, o próprio Moro, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e o ministro plagiador. Entre os infiltrados, nem todos são amigos entre si. O único ponto de convergência consiste em proteger os caciques do tucanato. Uns torpedeiam a Lava Jato, citando, inclusive, ilegalidades contra petistas; outros, querem preservá-la no que lhes interessa.

 

As direitas que patrocinaram as mobilizações de rua agora estão divididas. De um lado estão aqueles que querem salvar Temer para salvar o PSDB em 2018. Além de atacarem a Lava Jato, acusam seus ex-colegas classificando-os de "direita xucra", de fazer o jogo da esquerda por querem continuar mobilizando contra a corrupção. Ocorre que as perspectivas de 2018 colocam as direitas em uma encruzilhada, em marchas para caminhos distintos. A "direita xucra" quer a continuidade das mobilizações por duas razões: 1) ficar com Temer poderá significar um naufrágio; 2) não quer uma alternativa tucana, pois está engajada na construção de um projeto mais à direita - talvez Bolsonaro, talvez um outro candidato a la Trump.

 


Temer deveria renunciar e Moro se afastar
 

Não é necessário muito esforço de lógica para perceber o que a "Operação Mula", que envolve José Yunes, Eliseu Padilha e Michel Temer quer esconder. O PMDB tinha três chefes que recebiam e distribuíam propinas: Michel Temer, Eduardo Cunha e Eliseu Padilha. Não se tratava atos fortuitos, ocasionais, mas de operações sistemáticas de corrupção tramadas, inclusive, em palácios da República.

 

A continuidade de Temer na presidência da República foi, é e será uma afronta à dignidade nacional, à moralidade social, aos conceitos fundantes da Constituição Federal. Se ainda restam alguns resquícios de comunidade política nacional, Temer precisa se afastar ou ser afastado. Aqui cabe uma cobrança às sumidas oposições: sem o afastamento de Temer, o futuro da dignidade da política, da sua moralidade, da responsabilidade, estará comprometido por anos seguidos. Sem a saída de Temer a herança que ficará serão os escombros da democracia e a percepção de que golpes valem a pena.

 

O juiz Moro, por seu turno, não tem mais condições morais de permanecer à frente da Lava Jato. Em recente palestra proferida nos Estados Unidos ele afirmou que não contribuiu para derrubar Dilma. Ele não só contribuiu de forma decisiva como, agora se sabe, agiu deliberadamente para proteger os mal-feitos de Temer ao cancelar perguntas dirigidas pela defesa de Cunha ao presidente-usurpador. Ao barrar as perguntas de Cunha, o juiz Moro cometeu duas ilegalidades: 1) barrou o direito de defesa, algo que não cabe a nenhum juiz praticar; 2) prevaricou, pois o certo era permitir que se pudesse conhecer aquilo que as perguntas pretendiam revelar.

 

Vejam-se apenas duas das perguntas barradas por Moro dirigidas a Temer: "Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes?" e "O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?". Moro classificou como "chantagem" e "provocações" as perguntas da defesa de Cunha. Está claro que ele agiu para proteger Temer, protegendo um esquema criminoso.

 

A cada dia que passa, as provas deixam mais evidente que quem destruiu a Petrobras pela corrupção foi o PMDB. A destruiu para agora entregar os seus ativos ao capital estrangeiro. Este governo foi instituído para liquidar as empresas brasileiras a preço de banana, para entregar os direitos dos trabalhadores ao capitalismo de predação, para vender as aposentadorias de pobres idosos ao capital financeiro, para destruir a educação e a saúde públicas.

 

Agora a mídia e setores de direita querem vender a seguinte equação: a política vai mal, mas a economia vai bem, pois os indicadores estariam melhorando. Proclamar a queda da inflação e dos juros como grande feito desse governo significa vender fumaça, pois os dois indicadores são consequência do efeito inercial da recessão. Na verdade, a política está podre e a economia vai mal. Uma economia que tem mais de 12% de desempregados não pode estar bem. Uma economia que produz novos pobres todos os dias não pode estar bem. Uma economia que destrói o pouco de seguridade social do seu povo vai muito mal.


 

Texto: Aldo Fornazieri é Professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo.




Fonte: GGN

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Eliseu Padilha não volta mais

 Eliseu Padilha não volta mais

De acordo com o Estadão, "Auxiliares próximos ao presidente Michel Temer avaliam que o depoimento de José Yunes confirmando o recebimento de um pacote do doleiro Lucio Funaro em nome de Eliseu Padilha pode ser o elemento que faltava para tirar o titular da Casa Civil de cena em definitivo".

Você percebe que o "tsunami" da delação da Odebrecht está se aproximando, quando ministros de Michel Temer começam a abandonar o barco que está encalhado na areia da praia.

Antes foi Serra e agora Padilha que alega problemas de saúde. Retrato de um governo doente a beira de um abismo infinito. 

O carnaval agora que começou mas as mascaram estão caindo em todos os porões sombrio do governo  Temeroso do Temer.

Por enquanto se diz que: "O BRASIL SAIU DA CRISE, MAS RETORNA DEPOIS DA QUARTA FEIRA DE CINZAS!".


Informações do Estadão/Papo de TV

No Nordeste, Alckmin tenta faturar com obra alheia e se cacifar para 2018

Além do governador paulista, políticos de toda a região se esforçam para capitalizar dividendos políticos da transposição do São Francisco, obra que criticavam quando eram da oposição a Lula e Dilma

 Alckmin-HelderBarbalho
Alckmin visitou obras em Pernambuco, na companhia do ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho


São Paulo – A visita do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ao Reservatório de Copiti, em Pernambuco, tem como objetivo ampliar o cacife político para disputar as eleições. A avaliação é do deputado federal Enio Verri (PT-PR). José Serra é suspeito de ter recebido R$ 23 milhões (que teria recebido da Odebrecht por meio de caixa 2 em 2010, segundo executivos da empreiteira), observa Verri, sobre o senador tucano que acaba de renunciar ao Ministério da Relações Exteriores. "O Aécio acabou. Temer não tem condições de disputar uma eleição. Nesse cenário, Alckmin quer preencher os requisitos da direita. E ele começa a atuar onde é mais fraco, que é no Nordeste", diz o deputado. 

Na companhia do ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, o governador de São Paulo sobrevoou ontem (22) trechos do Eixo Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco, obra mais conhecida como Transposição.

O pretexto da viagem de Alckmin foi o fato de as obras, no trecho visitado, contarem com equipamentos “emprestados pelo governo de São Paulo ao Ministério da Integração, que estão sendo utilizados para acelerar a transposição do Rio São Francisco”, segundo divulgou o governo paulista. “Alckmin visitou o reservatório para acompanhar a operação das moto-bombas da Sabesp”, afirmou a assessoria do Palácio dos Bandeirantes, em nota.

O release da assessoria do governador informa na chamada a cessão das bombas e logo em seguida, no subtítulo, tenta induzir o leitor a associar ao governador paulista o potencial hídrico da obra. O projeto foi iniciado e em grande parte executado no período dos governos petistas. 




Para Enio Verri, Alckmin “precisa ir muito” ao Nordeste, para reverter a percepção que a população local tem do governador paulista. “Ele não é respeitado pela população, porque o povo no nordeste o vê como representante da elite, pelo discurso, pelo comportamento e pelas práticas de gestão dele, que são práticas elitistas. Isso não cabe em um Nordeste que foi recuperado econômica e socialmente por políticas públicas desses 13 anos de um governo de caráter democrático popular.”

Para Verri, a abordagem de Alckmin e do governo paulista sobre as obras é contraditória. “A transposição do rio em si, que é revolucionária, só recebeu críticas durante os governos de Lula e Dilma.”  

O deputado paranaense acredita que a movimentação mostra que “Alckmin é uma aposta da direita para 2018, até por exclusão”. Segundo ele, apesar de São Paulo, aparentemente, ser hoje menos afetado pela crise dos estados, e Alckmin contar com isso como “um ponto a favor”, o discurso nesse sentido não é suficiente num embate eleitoral nacional. “Ele vai usar isso. É isso que a direita usa. O choque de gestão, a demissão de funcionários públicos para equilibrar as contas. Mas não é o suficiente para o debate da política”, diz. “Com a crise que a direita está impondo sobre a economia do país e sobre o povo, Alckmin não resiste.”

A imprensa nordestina repercutiu a visita do ministro da Integração Nacional às obras. Lá, o destaque dado a Alckmin foi inferior ao conferido ao próprio Helder Barbalho, que é do PMDB do Pará.

Políticos de toda a região estão tentando capitalizar os dividendos políticos e eleitorais da transposição do São Francisco. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), por exemplo, tem postado em suas páginas nas redes sociais vários comentários e imagens sobre as obras, com as hashtags #riosaofrancisco #transposição . “Em breve irei ao Eixo Norte mostrar para vocês o andamento daquele trecho que deve ficar pronto em dezembro”, avisou no Twitter. 





 Fonte: Rede Brasil Atual

Amém! Silas Malafaia é indiciado por lavagem de dinheiro na Operação Timóteo

silas-malafaia-com-pixuleco 

Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho – O pastor Silas Malafaia, da Associação Vitória em Cristo, ligada à Assembleia de Deus, foi indiciado pela Polícia Federal na Operação Timóteo por lavagem de dinheiro. A informação foi dada nesta sexta-feira, 24, pela Polícia Federal.


Em 16 de dezembro do ano passado, o pastor foi alvo de mandado de condução coercitiva – quando o investigado é levado a depor e liberado.


A Operação Timóteo investiga um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral (65% da chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – CFEM – tem como destino os municípios).


Malafaia é suspeito de apoiar na lavagem do dinheiro do esquema, que recebeu valores do principal escritório de advocacia investigado. A suspeita a ser esclarecida pelos policiais é que este líder religioso pode ter “emprestado” contas correntes de uma instituição religiosa sob sua influência com a intenção de ocultar a origem ilícita dos valores.


O mandado de condução coercitiva na Operação Timóteo provocou a ira do pastor Silas Malafaia. No dia da condução coercitiva, em seu Twitter, colérico, o pastor publicou mensagens, áudio e vídeo negando as suspeitas da investigação que mira em um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral.


“Eu sei o poder das trevas”, afirmou em áudio.


O nome da operação é referência a uma passagem do livro Timóteo, integrante da Bíblia Cristã: 9 Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição.





Leia mais no Estado de São Paulo.

Fonte: Debate Progressivo
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