segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Governo Temer-PSDB faz com que empresas brasileiras transfiram suas produções para o Paraguai

O presidente interino Michel Temer ao lado de Aécio Neves em seu primeiro discurso

Quando a fabricante de brinquedos Estrela decidiu trocar a China pela América Latina, apostou 2 milhões de dólares em uma nova fábrica, não no Brasil mas no Paraguai.


A unidade, que abre neste mês na cidade fronteiriça de Hernandarias, fica próxima de um parque industrial de 4.500 hectares repleto de empresas brasileiras que fabricam de peças automotivas a roupas.


As scooters elétricas azul-escuras montados por 200 operários na fábrica da Estrela, uma das muitas conhecidas como “maquiladoras”, serão enviados pela fronteira mediante um sistema paraguaio que permite grande redução de impostos para exportadores.



Para Carlos Tilkian, executivo-chefe da Estrela, foi uma decisão fácil abrir a fábrica de montagem na nação de 6,8 milhões de habitantes espremida entre Brasil e Argentina.


“O Paraguai tem vantagens competitivas importantes: energia barata, flexibilidade laboral e encargos sociais baixos nos salários”, disse em entrevista antes da inauguração da fábrica. “No Brasil, isso seria muito mais caro”.


Cada vez mais empresas brasileiras estão indo ao Paraguai desde a eleição do presidente Horacio Cartes em 2013, quando o ex-empresário conduziu a nação à direita, na esteira do impeachment de seu antecessor de esquerda, Fernando Lugo.


Almejando criar empregos, Cartes expandiu uma reforma de 1997 que permitiu que exportadores estrangeiros paguem impostos na faixa de um dígito e os excluem do pagamento de tarifas alfandegárias com medidas adicionais pró-negócios.


Embora mais de 90 por cento dos produtos manufaturados paraguaios sigam para o Brasil, a filiação do Paraguai ao Mercosul também deu a seus exportadores um acesso fácil à Argentina e ao Uruguai.


Desde a posse de Cartes, o número de indústrias estrangeiras no Paraguai quase triplicou, segundo cifras do governo, também estimulado pela pior recessão brasileira da história. O declínio econômico tem obrigado fábricas a cortar gastos para se manterem à tona em meio às taxas onerosas e à burocracia.


Das 126 indústrias manufatureiras estrangeiras hoje em solo paraguaio, quatro quintos são brasileiras – mas a migração de companhias para o sul está revoltando sindicatos brasileiros.


Leia mais em Reuters 


Fonte: Debate Progressivo

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