terça-feira, 21 de março de 2017

O estranho silêncio de Aécio Neves

Pedro França 

Imagino como têm sido difíceis os dias do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Por pouco não se elegeu, em 2014, presidente da República na disputa contra Dilma Rousseff.


Mesmo derrotado, tornou-se a voz mais poderosa da oposição e candidato natural e forte para 2018. Foi o mais importante estrategista para a derrubada do PT do governo. Mas agora...


Agora o silêncio é quase sepulcral. E tem motivos para isso. Não é fácil pra ninguém passar de acusador para suspeito dos mesmos crimes e ainda ser o campeão de pedidos de investigação.


O pior de tudo é quando as investigações atingem membros da família, como é o caso agora.


Acusado pela Odebrecht de ter acertado propina de R$ 50 milhões e mais um bocado pela construção da nova sede do governo de Minas, parentes agora aparecem no olho do furacão da Lava Jato, embora esteja havendo o famoso 'abafa o caso' por parte da grande imprensa.


Os parentes foram detectados em planilhas encontradas na residência do ex-governador Sérgio Cabral, que está preso. Entre os destinatários de recebimento de recursos estão a ex-sogra de Cabral, Ângela Neves Cunha, irmã de Aécio, e a ex-cunhada, Nina Neves, sobrinha do senador.


Cada uma recebeu, entre 2014 e 2015, R$ 37,5 mil mensais. Tem mais: A ex-mulher de Cabral, Susana Neves Cabral, neta de Tancredo Neves, prima do vice-governador do Rio, Francisco Dornelles (PP), e do senador Aécio, está sendo acusada de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Nas planilhas obtidas pelo MPF sobre os gastos de Cabral, há registros de que entre 2014 e 2016 ela teria recebido R$ 883 mil em propina.


Portanto, o silêncio do senador Aécio Neves é muito mais do que apenas política. É uma questão familiar.


O fato é que o tucano foi abatido na corrida pelo Palácio do Planalto.
De todo jeito, vai aqui uma solicitação:
Fala, Aécio!




Fonte: Brasil 247

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