terça-feira, 9 de maio de 2017

Gilmar vê presos da Lava Jato como reféns em seu terror midiático

Alvo de ataques da Lava Jato, e até de um pedido de impeachment feito por Rodrigo Janot, por ter votado a favor de decisões que contrariam a cúpula da operação — como a liberação de José Dirceu— , o ministro do do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes não poupou críticas ao grupo; em entrevista à colunista Mônica Bergamo, Mendes afirmou que na Lava Jato "há uma luta pela opinião pública" e que, para garantir esse apoio, a operação faz de seus presos "reféns"; Gilmar criticou ainda o relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, que, diande das sucessivas derrotas na 2ª Turma, encaminhou o julgamento do pedido de habeas corpus de Antonio Palocci para o plenário da casa; "Se esse debate continuar, daqui a pouco vai ter gente dizendo em que turma quer ser julgado"; Gilmar disse ainda que não se abala com as críticas e que "não há salvação para o juiz covarde"

Jos� Cruz/Ag�ncia Brasil

Na mira da cúpula da Lava Jato por ter votado contrariamente à manutenção das alongadas prisões preventivas que se tornaram corriqueiras na operação, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes ressaltou a importância da força-tarefa, mas não poupou críticas ao que considera arbitrariedades. 


Em entrevista à colunista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, Gilmar afirmou que, para ter apoio da opinião pública, a Lava Jato faz de seus presos "reféns". 


"Como tem sido divulgado [por integrantes da Lava Jato], o sucesso da operação dependeria de um grande apoio da opinião pública. Tanto é assim que a toda hora seus agentes estão na mídia, especialmente nas redes sociais, pedindo apoio ao povo e coisas do tipo.


É uma tentativa de manter um apoio permanente [à Lava Jato]. E isso obviamente é reforçado com a existência, vamos chamar assim, entre aspas, de reféns.


[Os reféns seriam] os presos. Para que [os agentes] possam dizer: 'Olha, as medidas que tomamos estão sendo efetivas'. Não teria charme nenhum, nesse contexto, esperar pela condenação em segundo grau para o sujeito cumprir a pena.


Tudo isso faz parte também de um jogo retórico midiático", afirmou.


Fachin



Na entrevista, Gilmar criticou ainda o relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, que, diante das sucessivas derrotas na 2ª Turma, encaminhou o julgamento do pedido de habeas corpus de Antonio Palocci para o plenário da casa.


"Se eu fosse fazer um reparo, é de forma: a questão teria que ser conversada na turma. E evidentemente isso não pode virar uma prática, de toda vez que [um ministro] entender que possa ficar em desvantagem na turma, leve o tema ao plenário.


Se esse debate continuar, daqui a pouco vai ter gente dizendo em que turma quer ser julgado. Assim como se diz 'ah, a 2ª Turma é liberal', alguém poderá dizer 'a 1ª Turma é uma câmara de gás', disse.
Covardes


Gilmar Mendes disse que entende as polêmicas em que está envolvido e que não se abala por elas. 
"A tentativa de jogar a opinião pública contra juízes parece legítima no jogo democrático. Mas ela não é legítima quando é feita por agentes públicos. O que se quer no final? Cometer toda a sorte de abusos e não sofrer reparos.
 
 
Há uma frase de Rui Barbosa que ilustra tudo isso: o bom ladrão salvou-se mas não há salvação para o juiz covarde", completou. 




Fonte: Brasil 247

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