segunda-feira, 22 de maio de 2017

Juiz que transformou Lula em réu foi citado por suposto favorecimento à JBS

Joesley "voltou atrás" após o depoimento e disse que não houve sucesso na aproximação entre seu advogado e o magistrado

 

O juiz Ricardo Soares Leite, que transformou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em réu por obstrução à Justiça em julho do ano passado, foi citado nas delações da JBS. Segundo informações fornecidas à Justiça pelo empresário Joesley Batista, o advogado de defesa Willer Tomaz lhe havia oferecido, entre outros “serviços”, livre acesso ao magistrado, que atua como substituto na 10ª Vara Criminal de Brasília.

Durante o depoimento, Joesley informou que não havia negociação de propina, apenas “amizade" e "proximidade” entre o advogado e o juiz. Na última sexta-feira (19), o empresário da JBS “voltou atrás” e disse que não houve sucesso nas tentativas de aproximação entre Willer Tomaz e o magistrado.

A assessoria da 10ª Vara Criminal de Brasília informou em nota à imprensa que as informações fornecidas no depoimento da JBS são infundadas e que mais de uma vez foram decretadas naquela Vara medidas contra os interesses da empresa.


Mais polêmicas


Ricardo Soares Leite é o mesmo juiz que determinou a suspensão das atividades do Instituto Lula no último dia 9 de maio, supostamente a pedido do Ministério Público (MP). Uma semana semana depois, foi divulgada a informação de que não havia nenhum pedido do MP, e a decisão foi derrubada.

Sobre o Instituto Lula, o magistrado descreveu em seu despacho que "delitos criminais" poderiam ter sido iniciados ou instigados na sede da instituição, em São Paulo, o que justificaria a interdição.

Segundo o desembargador Néviton Guedes, do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), que derrubou o despacho de Leite, a suspensão foi "totalmente inadequada para atingir o fim pretendido".


Operação Zelotes



Antes de transformar Lula em réu, o juiz Ricardo Soares Leite era alvo de dois processos na Corregedoria Nacional de Justiça. A procuradora regional da República na 1ª Região (PRR1), Valquíria Nunes, foi quem denunciou o magistrado, em 2015, após suspeitas de que a atuação dele era “pouco célere” nos pedidos feitos pela Polícia Federal e pela Procuradoria sobre as fraudes cometidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Devido a essa suspeita, Leite foi afastado das atividades relacionadas à operação Zelotes – na qual são investigadas empresas como Gerdau, Ford, Mitsubishi, Bradesco, Banco Safra e RBS, afiliada da Rede Globo no Sul do país.





Fonte: Brasil de Fato

 

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