terça-feira, 6 de junho de 2017

Jovens negros: A violência no Brasil tem alvo e faixa etária

 


"Infelizmente esses dados não nos surpreendem. Essa denúncia é que gerou a campanha contra o genocídio da juventude negra. Denúncia que o movimento negro faz há pelo menos 15 anos”, declarou ao Portal Vermelho Rosa Anacleto, presidenta da União de Negros pela Igualdade no Estado de São Paulo (Unegro-SP).

O estudo, que se debruçou sobre dados de 2005 a 2015, constatou que em 10 anos 318 mil jovens foram assassinados. O levantamento também revelou um aumento de 17,2% na taxa de homicídio na faixa etária de 15 a 29 anos. 

O crescimento é espantoso quando se compara a taxa de homicídios de jovens em 2015, que era de 60,9 para cada grupo de 100 mil jovens, e o mesmo indicador para os homens jovens, que chegou no mesmo ano à marca de 113,6 para grupo de 100 mil jovens.

Segundo Rosa, os jovens continuam sendo mortos “a cada minuto, em cada esquina” pela violência, pela mão do Estado e sem que o poder público tome nenhuma providência.  Ela avaliou que o quadro de violência contra os jovens negros pode se intensificar no atual cenário de golpe e retirada de direitos.

Trecho do Atlas da Violência complementa: “O cidadão negro possui chances 23,5% maiores de sofrer assassinato em relação a cidadãos de outras raças/cores, já descontado o efeito da idade, sexo, escolaridade, estado civil e bairro de residência”. 
A presidenta da Unegro também criticou projetos no Congresso que incentivam a violência contra a juventude negra. “A violência tende a ficar mais somatizada à medida em que tem lá (no Congresso) engavetada a redução da maioridade penal. Isso incentiva mais ainda os agentes do Estado a matar sem ter a preocupação de mitigar a questão da violência”.

A redução da maioridade penal é prevista em várias Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que estão no Congresso com o objetivo de punir maiores de 16 anos e menores de 18 que tenham cometido crimes graves. 

Para Rosa, o enfrentamento ao racismo precisa ser prioridade na elaboração de qualquer política pública para combater a desigualdade social.

“Todos sabemos que a questão racial é estruturante: ela determina o espaço que você vai ocupar quando se trata de educação, moradia, trabalho e onde vai morar. Enquanto não ataca a questão racial como central na desigualdade você faz políticas universais mas elas não resolvem”, enfatizou Rosa.

O movimento negro sido participante ativa nas ações de denúncia ao golpe que destituiu a presidenta eleita Dilma Rousseff, afirmou Rosa. “Temos intensificado a ocupação das ruas denunciando o golpe, o que acontece nas quebradas, a falta de oportunidades para as populações negras na universidade e no mercado de trabalho. O golpe também foi um golpe racista porque retrocede políticas públicas que pela primeira vez olharam para o povo negro”, finalizou
 

Fonte: Portal Vermelho

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