segunda-feira, 19 de junho de 2017

“O que está em jogo é a luta contra a direita”, diz dirigente estudantil

Jessy Daiane, do Levante Popular da Juventude, analisa resultados do Congresso da UNE

 

O 55º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune), realizado em Belo Horizonte entre os dias 14 e 18 de junho, foi marcado por uma unidade inédita no período recente entre as correntes políticas que participam do movimento estudantil nacional. Cerca de 15 mil universitários estiveram presentes no encontro.

Jessy Daiane, secretária-geral da União Nacional dos Estudantes (UNE) na gestão que se encerra e integrante da coordenação nacional do Levante Popular da Juventude – organização que integrou a chapa vitoriosa -, explicou também as razões que levaram à convergência. 

“O que está em jogo é a luta contra a direita (…). Basta ver a repressão às manifestações recentes”, diz. “A direita quer aniquilar as forças populares e a sua capacidade de organização e luta para enfrentar os retrocessos e o projeto neoliberal. A contradição central está aí. A UNE precisava passar uma mensagem ao conjunto dos estudantes brasileiros. É isso que está em jogo, não a disputa dentro da própria esquerda”, completa.

A chapa “Frente Brasil Popular: A Unidade é a Bandeira da Esperança” obteve os votos de 3.788 (79%) dos delegados presentes no evento, que celebrou os 80 anos da UNE. Compuseram o grupo, além do Levante, os coletivos União da Juventude Socialista (UJS), Kizomba, Quilombo, ParaTodos e Juventude Socialista Brasileira (JSB). 

A próxima presidente da UNE será Marianna Dias, estudante de pedagogia da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). 

“Só será possível transformar o Brasil que a gente vive se tivermos muita unidade. Eu tenho convicção que, com a força de sete milhões de universitários desse Brasil, nós seremos vitoriosos. O momento que o Brasil vive exige que as forças democráticas e populares se unifiquem”, defendeu Dias. 

Outras quatro chapas foram inscritas. A chapa “Fora Temer, Rumo à Greve Geral Contra as Reformas” ficou em segundo lugar com 690 votos (14,3%). 

 

Cerco e unidade



Durante sua fala em defesa da chapa “Frente Brasil Popular”, Jessy apresentou um cenário difícil para a esquerda brasileira: “Esse é o primeiro congresso da Une depois do golpe que vivemos em nosso país. Nós não estamos sendo torturados nem vendo canhões passando nas ruas, mas há um cerco político à esquerda brasileira”.


Na conversa com a reportagem, Daiane explicou a posição à qual pertence. “Nos governos do PT, naquilo que chamávamos de frente neodesenvolvimentista, havia uma disputa em torno do governo, que é uma parte do poder. A direita tinha uma parte e disputava mais. Hoje, a direita tem todo o poder na mão - Executivo, Parlamento, Judiciário, mídia. Nesse contexto, a direita atua para impedir que as forças populares consigam retomar algum espaço”, aponta. 


Foi esse contexto adverso que levou à unidade. Daiane avalia que o Conune expressou no movimento estudantil as articulações existentes para além dele próprio.


“O Congresso conseguiu refletir a conjuntura política da sociedade em geral. O golpe fez com que as organizações olhassem para dentro, construíssem releituras. Os próprios efeitos e consequências da ruptura com a democracia resultaram em uma grande unidade, através da constituição de duas grandes frentes - a Brasil Popular e a Povo Sem Medo”, analisa. “Se a gente observar o resultado do Congresso, expressa exatamente isso, representa fielmente a conjuntura. Uma chapa que representa as forças que estão na Frente Brasil Popular e outra que representa as que estão na Povo Sem Medo. Das três forças que saíram sozinhas, duas não compõe nenhuma das frentes”, completa. 


As tensões do cenário político brasileiro já apresentam à nova diretoria da UNE uma série de questões a serem enfrentadas no curto prazo. Jessy afirma que, a partir de agora, “ações conjuntas” serão definidas.


“Depois desse grande passo, a gente precisa construir uma agenda unitária de lutas. As bandeiras políticas já estão postas: contra as reformas, contra os ataques da direita à soberania. O próprio programa político também [já existe], que é Programa Emergencial da Frente Brasil Popular”, indica. 
A primeira dessas atividades é a greve geral convocada pela centrais sindicais no dia 30 de junho, na qual o movimento estudantil “dará sua contribuição com a paralisação das universidades no país”.





Fonte: Brasil de Fato

 

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