quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Bancada ruralista tem poderes para derrubar ou manter presidentes

Comitê Brasileiro de Defensores dos Direitos Humanos analisa atuação da bancada em defesa de interesse particulares, e públicos. "O Congresso tem suas mesas manchadas de sangue"

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 Temer frequenta reuniões da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que o sustenta no governo
 
“A bancada ruralista não está lá pelo interesse público. O que vivemos não é bem uma democracia. O Congresso tem suas mesas, suas pautas e suas gravatas manchadas de sangue.” As palavras foram ditas pelo geógrafo e jornalista do portal De Olho nos Ruralistas Alceu Castilho, que participou ontem (26), como testemunha de acusação contra práticas espúrias do Congresso Nacional, do Tribunal Tiradentes.

O jornalista apresentou um conjunto de dados coletados pelo Comitê Brasileiro de Defensores dos Direitos Humanos, divulgados ontem, que revelam aspectos que orientam a ação da bancada ruralista em âmbito nacional. O primeiro ponto levantado por Castilho o aumento da violência política. “Em 2017 foram 63 assassinatos de defensores dos direitos humanos. Segundo o Comitê, é a maior ofensiva desde os anos 1980. Em 2016 foram 61 assassinatos por motivos políticos. No primeiro semestre deste ano, já foram 51 mortes.”

“O Comitê atribui a parlamentares parte da responsabilidade, cita a CPI da Funai e do Incra, criada pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Cita projetos que contribuem para esse caldeirão de violência. Isso, diante de um governo que extinguiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário e paralisou a reforma agrária”, disse. “Resumo: temos um banho de sangue no Brasil que passa por Brasília.”

De acordo com levantamento do jornal Folha de S.Paulo, o governo de Michel Temer (PMDB) já aprovou 13 das 17 pautas dos ruralistas. Entre elas: nenhuma homologação de terras indígenas, paralisação de demarcação de terras quilombolas, redução e parcelamento da dívida de deputados ruralistas, liberação de agrotóxicos, venda de terras para estrangeiros e lei da grilagem. “Temer costuma frequentar a mansão onde esses parlamentares se reúnem em Brasília”, afirma Castilho.

 

Democracia em xeque


O apoio de Temer aos ruralistas se reflete em sua base de sustentação, o que para o jornalista é sintoma de que a democracia brasileira não possui efetividade nem representatividade no Congresso. “Não à toa, 80% dos membros da FPA votaram contra a Dilma na votação do impeachment em 2016 e a favor de Temer em agosto deste ano, réu por corrupção passiva.”

“A bancada ruralista derruba e mantém presidente. Cruzei todos os dados possíveis das votações do impeachment de Dilma e do processo contra Temer. Conclusão um: 50% dos votos que derrubaram Dilma por pedaladas fiscais saíram da FPA. E tem ruralista que nem está nesta frente. Conclusão dois: 51% dos votos que mantiveram Temer, réu, saíram da FPA (…) A FPA tem o poder de tirar e manter presidente. Não por nenhuma outra coisa que conste dos autos, mas sim por seus interesses”, disse.

 

Conflito de interesses


De acordo com o estudo do "De Olho nos Ruralistas", Temer frequenta a mansão mantida pela bancada. “A bancada ruralista se move por interesses privados, isso está na sua matriz, na sua origem. Começa com o financiamento da mansão onde eles se reúnem todas as terças-feiras. Essa mansão é financiada por um instituto chamado Pensar Agro, entidade privada financiada por associações da soja, do milho, entre outras”, disse.

“Ali, fazem um almoço, onde discutem o que chamam de ‘cardápio da semana’. Pode ser uma nova lei de destruição ambiental, ou de liberação de agrotóxicos, de transgênicos ou uma CPI como a da Funai. Ou mesmo um projeto que regulariza a grilagem, ou a destruição do cerrado e da Amazônia (…) Eles chegam a expulsar jornalistas nessas reuniões, aqueles que não fazem perguntas simpáticas ao agronegócio. Isso aconteceu comigo em novembro”, completa.

 
 
 
 
Fonte: Rede Brasil Atual
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