quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Ao tentar barrar denúncia, Temer agrava crise no ninho tucano

 


Ao todo, foram mais de 12 horas de agenda oficial para receber 42 parlamentares no Palácio do Planalto, fora os deputados que não constavam na agenda e apareceram “de última hora”, como Beto Mansur (PRB-SP).

A última audiência começou às 22h20, e Temer deixou o palácio às 23h45. Mas para cada encontro, Temer não dedicou mais de 20 minutos de prosa, ou melhor, de promessas.

A estratégia do governo é tentar garantir pelo menos o mesmo quórum e votação da primeira denúncia, que foi de 263 a favor de Temer e 227 contra, com 19 faltas e 2 abstenções. Até mesmo o deputado da tatuagem falsa no ombro com o nome de Temer, Wladimir Costa (SD-PA), foi convocado para uma audiência no Palácio nesta quarta (4). 

Assim como foi na primeira, o governo enfrenta dificuldades em garantir a rejeição da denúncia. O seu principal aliado, o PSDB, é a maior dor de cabeça. Na primeira votação, dos 47 deputados tucanos, 22 votaram pelo arquivamento da denúncia, 21 pela investigação de Temer e quatro se ausentaram.

Agora, para tentar reverter a situação, Temer decidiu intervir pessoalmente contra os tucanos descontentes e bancou o nome do deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG) na relatoria da denúncia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), contrariando a orientação da bancada. 

Ao partir para o tudo ou nada, o governo agravou a crise entre PMDB e PSDB, e expôs ainda mais os tucanos que o apoiavam, aumentando o constrangimento desses parlamentares que não querem sair em defesa do governo tão abertamente. A fama de bom negociador e hábil articulador de Temer parece não fazer efeito.

A retirada ou não do deputado Bonifácio Andrada da relatoria deve ser decidida ainda nesta quarta (4) pela bancada. Há tucanos que esperam que ele entregue o cargo e evite a decisão da liderança, mas o parlamentar tem reafirmado que não sai.

O deputado mineiro foi indicado como relator da denúncia pelo presidente da CCJ, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), mesmo após apelos de Ricardo Trípoli (PSDB-SP), líder da bancada, para que o cargo não fosse atribuído a parlamentar do PSDB.

“Espero que ele faça uma reflexão daquilo que havia se comprometido comigo e com o PSDB, no sentido de não aceitar essa indicação. Ainda torço para que isso ocorra e que a gente possa dar andamento à votação em plenário”, disse Trípoli.

Durante mais de três horas, nesta terça-feira (3), os deputados que compõem a bancada se reuniram com advogados da legenda para discutir ponto a ponto a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

Trípoli informou ainda que não pretende trocar membros do partido na CCJ. Andrada é suplente da comissão e, apesar de poder conduzir os trabalhos como relator, não estaria apto a proferir voto. “Ao líder cabe indicar [os membros do partido na CCJ], cabe isso. Se ao líder cabe indicar, cabe também solicitar retirada. Eu disse que não modificaria nenhum titular e pretendo não trocar nenhum titular. O deputado Bonifácio é suplente, nós vamos aguardar até amanhã [esta quarta-feira]”, ressaltou.

Apesar da insistência de Trípoli em retirar o nome de Andrada da relatoria da denúncia, o presidente da CCJ reafirmou nesta terça-feira que não pretende trocar o relator. Questionado se teria um nome alternativo, caso o PSDB tire Bonifácio da comissão, Pacheco se limitou a dizer que “não tem outro nome e não há plano B”.

“Eu tenho uma crença, a de que o deputado Bonifácio de Andrada, pelo que ele representa na política, pelo ativo político que ele tem, de dez mandatos nessa Casa sem que nada o macule em termos de dignidade de caráter, que ele possa ser independente nessa segunda denúncia”, defendeu Pacheco. “Ele permanece na relatoria, salvo se ele próprio afirmar que não deseja permanecer”, completou.


Fonte: Vermelho / Agências
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