terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Com obras atrasadas e falta de medicamento, entidades denunciam sucateamento da saúde

Fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) é apontado como alternativa à crise

 

Obras atrasadas, falta de medicamentos e retenção de verbas ameaçam a saúde pública em Mato Grosso (MT). Para denunciar esta situação, movimentos e sindicatos integrantes do Fórum Permanente da Saúde de Mato Grosso realizaram nesta terça (27) ato em defesa do SUS (Sistema Único de Saúde) em frente à Assembleia Legislativa do Estado.

O esfacelamento da saúde em MT é consequência da falta de planejamento e má gestão dos recursos públicos. É o que avalia o médico Reinaldo Gaspar Mota, mestre em saúde coletiva e membro do Conselho Estadual de Saúde do Mato Grosso.

“Faltam leitos, nós temos várias obras paradas. Temos um hospital universitário, o Júlio Muller, para 250 leitos aqui na capital [parado]. Temos R$ 85 milhões já repassados pela União e o Estado, simplesmente, não executa o projeto”, denuncia. 

O atraso nos repasses de verbas reflete também no atendimento à população. Em Cárceres, município localizado a 214 km da capital Cuiabá, hospitais não conseguem realizar exames laboratoriais.
“Sem isso, a gente não consegue ter diagnóstico, não consegue ter procedimentos, não consegue levar saúde à população”, alerta Mota.

A implantação de políticas públicas como o programa Mais Médicos do governo federal, apesar de amenizar a situação, não resolveu o problema de falta de pessoal. Segundo levantamento do Fórum Permanente, o governo estadual não abre há 15 anos concurso público direcionado à área de saúde.

O uso abusivo de agrotóxico na produção de soja é outro fator que contribui para a fragilização da saúde pública, na avaliação de João Dourado, membro do Conselho Estadual de Saúde do MT e presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT). “O índice de [casos de] câncer aumentou substancialmente no estado em decorrência do agrotóxico. Tudo isso gira em torno de um modelo de agronegócio que pouco beneficia o estado em termos de políticas sociais e ainda contamina os trabalhadores”.

O Fórum Permanente alerta ainda para estudo realizado pelo pesquisador Vagner Sores, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo constatação da pesquisa publicada em 2012, cada dólar gasto em agrotóxico pode gerar aos cofres públicos um investimento adicional de US$ 1,28 dólar com a saúde dos trabalhadores intoxicados.



 Por: Juca Guimarães
Edição: Thalles Gomes
Via: Brasil de Fato

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